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E agora?
Ana Lourenço Monteiro
Seixal

E agora?<br />
Ana Lourenço Monteiro<br />
Seixal Também fui votar. Neste domingo e sempre.
Respondo, normalmente, ao apelo que me é feito. Mas sinto que também temos que fazer um apelo aos partidos políticos... temos que mudar!

Confesso que a mensagem que mais me disse ´algo´ durante estas autárquicas foi "vá votar, independentemente do partido em que vote".
Uma mensagem importante mas que sistematicamente - e é aqui que reside o problema - chega tarde e peca por concentrar e esgotar o apelo à participação no momento do voto.
Não será mais relevante apelar à participação no dia a dia para envolver a população e, depois sim, se apelar ao voto?
Mudar a rotina do ato de ´ir votar´ é um trabalho que não pode ficar só para o dia de eleições. Se não, é o mesmo desde há muito: nas próximas autárquicas voltaremos ao mesmo cenário no país, com tendência sempre para decrescer a ´participação´ e aumentar a abstenção, votando cerca de metade da população de cada concelho.

É necessário e essencial pensar-se num apelo à participação na vida pública no quotidiano, em que a política se dispa de partidarismos e se traduza em formas de participação que cativem as pessoas.

Poderá ser interessante criar grupos de trabalho com o envolvimento de todos os partidos, que estudem as ditas formas de participação dos cidadãos na vida das suas terras, em que todos defendam a sua terra (Portugal) mas acima de tudo as pessoas e as suas diferenças.
E isso só se faz criando projetos que envolvam as várias faixas etárias e todos os lugares em que se estimule a proximidade e que façam parte da vida dos fregueses (incluindo as escolas).
Dar responsabilidade e diminuir a descrença.

É preciso voltar a convencer as pessoas de que para termos direitos precisamos de ter deveres. E que um direito que, em simultâneo, é um dever é ´Participar´. Fazer parte, para conhecer o trabalho feito, contribuir para as soluções, pensar no que se pode fazer diferente e decidir então em que partido se vai votar.

Não será esta uma forma de aproximar os cidadãos do que é fazer política e de exemplificar para o que esta deve servir? Até para explicar aos mais novos que existe toda uma história até ser conquistado o direito ao voto, que este não pode ser desperdiçado e que os direitos nem sempre são eternos...

Fulcral é, de igual modo, uma mudança de perfil comunicativo nos partidos.
Mais do que vermos partidos a ´falarem para dentro/para os seus´, a acusarem-se mutuamente do que está mal feito e com isso mais afastarem do que conquistarem ´indecisos´, o fundamental seria haver mais líderes (pois alguns existem) que dessem o exemplo, fomentassem a empatia entre pontos de vista diferentes, incluíssem opiniões distintas, para fazer em conjunto, por todos.
Um ´fazer política´ que deveria procurar unir e não polarizar. Ouvir e conciliar, diminuindo extremismos.

Até porque só ouvindo se planeia e, por consequência, se executam ideias. E, quanto mais se faz, mais novas ideias é necessário construir, sendo que boas ideias podem vir de vários partidos, com o equilíbrio que a democracia requer.

Enquanto não nos aproximarmos no quotidiano dos cidadãos, sobretudo dos ditos descrentes e não votantes, não mudaremos mentes nem comportamentos. Nem combateremos a principal opositora da Democracia: a abstenção.

Ana Lourenço Monteiro

27.09.2021 - 23:28

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