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E AGORA?
Como compreender o resultado das eleições Autárquicas no Barreiro?
Por Augusto Coelho
Barreiro

E AGORA?<br />
Como compreender o resultado das eleições Autárquicas no Barreiro?<br />
Por Augusto Coelho<br />
Barreiro<br />
Como foi possível que numa fase em que o PS vem a perder terreno em vários concelhos, consiga no Barreiro um resultado tão forte como inesperado, cilindrando por completo a CDU, que perde 2 vereadores e o PSD que subiu em quase todos os concelhos, perde o único vereador que tinha.

Será pelo apoio do Governo? Difícil de compreender, nenhuma figura do Governo, se deu ao trabalho de vir ao Barreiro, o Ministro da Administração Interna que é também um eleito local do PS, tem a mais baixa aceitação pública, e está segundo a Comunicação Social, na linha de partida da remodelação governamental que se advinha. A inclusão da Secretária de Estado como Mandatária PS, uma boa aposta do PS, por ser uma competente governante, acresceu valor, mas sente-se que foi uma imposição do dito Ministro, tendo criado algumas incompreensões, sabendo-se que o seu pai tinha sido apoiante e Mandatário da campanha de Carlos Humberto no último mandato deste.

Destaco o candidato Carlos Humberto, pela sua experiência, capacidade de dialogo e trabalho executado nos 12 anos em que esteve à frente do executivo camarário, modificando por completo em período de grandes dificuldades financeiras ( período da Troika), todo os espaço urbano e melhorando a mobilidade e os serviços prestados, como por exemplo; Construção da ETAR do Lavradio. Renovação de toda a rede de esgotos, e rede de abastecimentos de aguas. Renovação das principais vias rodoviárias, ( Rua Miguel Pais, Av da Liberdade até à Polis, Av. Alfredo da Silva, Av. da Praia, Barreiro Velho, ligação desde o Fórum Barreiro ao Lavradio). Construção do Jardim e Mural artístico de VHlLS, em colaboração com a Baía do Tejo. Reconstrução da muralha marítima desde o Clube de Vela até à Braamcamp. Intervenção em todas as zonas ajardinadas do Concelho. Execução de diversas rotundas para melhor fruição do transito, destacando aquela junto ao Fórum, onde se colocou uma obra de arte de Malangatana. Compra da Quinta Braamcamp, no sentido de devolvê-la à população, para usufruto desta evitando a degradação e especulação imobiliária. Construção dos Passadiços de Alburrica. Reconstrução da via pedonal junto à praia com muralha e plataforma em betão, para evitar que o rio se ligasse à caldeira do sangue. Construção de uma via de ligação ao Bar do Bento e respectivo parque de estacionamento. Recuperação dos moinhos de vento de Alburrica, colocando um em funcionamento com velas. Construção dos diversos mercados públicos, salientando-se o da A. Alfredo da Silva, com uma arquitetura inovadora, parque de estacionamento e zona de esplanadas, dando vida ao centro do Barreiro e mantendo a estátua de Alfredo da Silva em local central da praça. Criação do Museu Municipal da Memória. Mandando construir uma embarcação típica, símbolo do Barreiro (o MULETA), cuja imagem se encontra no Brasão da cidade, no Museu da Marinha e na Casa Museu Alfredo da Silva, para viagens turísticas no rio Tejo, em substituição do Pestarola já sem possibilidade de recuperação para navegação em segurança. Compra de 60 autocarros a gás, para os TCB, aumentando o serviço à população. Obtendo do governo o apoio para a construção do Quartel da GNR no antigo Café Barreiro, para melhorar a segurança principalmente nessa zona problemática da cidade.

Destaquei estas intervenções, porque são de interesses de todos os munícipes qualquer que seja a sua freguesia, mas muito mais havia a dizer.
O Candidato não podendo concorrer devido ao facto de ter atingido o limite de mandatos, foi chamado a responsabilizar-se pelo organismo que controla todos os transportes da área metropolitana de Lisboa, sendo o promotor do actual passe social, que reduziu em muito o custo de transportes de toda a população.

O Candidato Bruno Vitorino, vereador na Câmara em vários mandatos, e ex-deputado na AR, onde defendeu nesse lugar os interesses do nosso Concelho junto de anteriores governos, teve enquanto vereador com pelouro, um atuação muito meritória na proteção ambiental, nomeadamente na manutenção defesa e recuperação da Mata da Machada e do Sapal de Coina.

O Candidato Frederico Rosa, em funções de Presidente da Câmara, concorreu mostrando o trabalho feito, tendo beneficiado dos projetos em andamento e aquisições, deixadas pela gestão CDU, e beneficiando do melhoramento da situação económica do país, por ação do Governo PS em funções onde conta com o apoio da CDU (Geringonça), e que deslocou para as autarquias, verbas até aí inexistentes.
Iniciativas próprias a valorizar; Recuperação da Polis, Parque de estacionamento na Miguel Pais. Recuperação da Rotunda e monumento do 25 Abril. Recuperação do alto da Quinta da Lomba, aproveitando a instalação do Lidl. Recuperação da zona do antigo Campo do Luso, com instalação polémica de mais um Lidl, embora para a população que habita na área, tenha sido bem-vinda.
Alguns exemplos de intervenções negativas. Construção do Moinho pequeno, com volumetria e materiais não respeitadores do edificado antigo. Construção de uma gaiola de vidro na Av. da Praia de custos elevados, retirando ao comum do cidadão uma área aberta de desporto, muito utilizado por jovens locais. Abandono da construção do Quartel da GNR. Tentativa de venda da Quinta Braamcamp para a especulação imobiliária, deixando-a durante os 4 anos ao abandono sem sequer se preocupar em retirar os muros envolventes em perigo de derrocada, contrariamente ao feito pela gestão anterior que retirou os muros entre a Av. da Praia e a escola Alfredo da Silva, não desinfestação e retirada dos detrito industriais que aí se encontram, contrariando as suas próprias propostas na anterior campanha autárquica, onde previa uma zona verde, com roda gigante, praias e piscinas diversas. Abandono do Jardim Central, com a ilha em continua degradação, a vegetação ao abandono e iluminação com vários candeeiros apagados. O Mercado central deixando morrer o comercio local, sem ideias para a sua reabilitação. A teimosia em apoiar a construção do novo Aeroporto na Base área do Montijo, contra a opção Campo de Tiro de Alcochete, contra as opiniões das várias organizações de defesa do ambiente, das associações de pilotos e da ordem dos engenheiros, tendo dentro do próprio governo críticos desta solução, quando esta construção pela poluição sonora e ambiental, pela sobrevoo da fábrica e do Lavradio, acrescenta muitos perigos sobre as populações de todo o Concelho, sem qualquer benefício.

Quais as propostas dos diversos candidatos?

De Carlos Humberto, relevo algumas propostas por ser do interesse de toda a população, cresce gratuita até aos 3 anos, passes de autocarro gratuitos até aos 18 anos, construção da Ponte até ao Seixal, conforme acordo existente com esta autarquia, não vender a Braamcamp, e instalar aí espaços diversos, como actividade náuticas, passadiços, campos para desportos de grupo, anfiteatro ao ar livre, porto para barco de turismo e recreio, torre de observação de pássaros e paisagens, restauração e quinta pedagógica.
De Bruno Vitorino, relevo a preocupação com a segurança, com a criação da polícia local, e a instalação de camaras de vigilância. A dedicação ao ambiente, principalmente a Mata da Machada, pretendendo continuar o bom trabalho que aí tinha vindo a desenvolver.
De Frederico Rosa, poucas propostas se conhecem além da obsessão da venda da Braamcamp, continuar a pavimentar diversas ruas e contruir mais algumas rotundas. A recolha de lixo, que tem vindo a deixar o Barreiro num estado lastimoso, pretende solucionar privatizando, segundo consta, esse serviço.

Pelo descrito, como se entende o resultado das eleições?

Como cidadão Barreirense, escrevo os meus sentimentos relativos ao resultado das eleições, preocupado com a cidade, não crente que o resultado das eleições se deve ao sentir da população, mas sim ao metralhar continuo de publicidade enganosa com meios nunca antes vistos, utilizando os serviços camarários em seu benefício, e atacando com calúnias as administrações anteriores, criando um ambiente poluído de gestão democrática.

Tendo sido um votante em Carlos Humberto, onde depositava esperança no seu regresso, penso que o seu resultado desastroso se ficou a dever a variados motivos que gostaria de ver escalpelizados porque a democracia não se basta no voto, nem se devem lançar para debaixo do tapete os erros cometidos por quanto se podem vir a repetir.

A equipa contruída por CH, é do melhor que foi concebida até hoje no Barreiro, gente jovem, com formação e dedicação ao Barreiro, muitos sem filiação partidária, a quem presto a minha homenagem, pelo combate travado.

Mas fazendo uma análise sucinta, desde logo o primeiro equívoco, de que uma eleição se ganha na campanha eleitoral. Nesta fase todas as intenções de voto já estão decididas.
Durante 4 anos desapareceu da população a critica, e a apresentação de alternativas das organizações partidárias ou associativas, a única ação que teve algum relevo fui a luta contra a venda da Braamcamp.
Numa campanha eleitoral, quem está pode esperar e ser o último a apresentar as suas propostas, aproveitando e fazendo valer a obra feita, mas quem quer ganhar tem de partir primeiro, mostrando ao que vem e o que traz de novo e diferente, isto não aconteceu, a lista de candidatos chegou tarde demais, as propostas foram também tardias, as mais significativas só chegaram e muito resumidamente na última semana de campanha.
O seguinte equívoco, é de que a ligação de uma campanha a uma força política é importante para ganhar eleições, isto pode ser verdade para quem está no governo ou tem o apoio da Comunicação Social, não é verdade para os restantes, as eleições autárquicas são ganhas pela qualidade dos candidatos, a sua honestidade, simpatia, capacidade de execução, ideias inovadoras, e empatia com a população, a prova está em que cada vez mais as listas independente vão ganhando terreno, isto não quer dizer que é de desprezar os apoios partidários, mas a organização e direção de campanha deverão ser o mais independente possível. Em eleições autárquicas os partidos são importantes pela divulgação das propostas e mobilização para as ações de campanha, mas não acrescentam muitos votos para lá do seu eleitorado tradicional, já o contrário é verdade, uma vitoria eleitoral com o apoio de partidos faz crescer a sua importância no universo da política nacional.

Na campanha de CH, sentiu-se sempre a mão de um partido, ora sendo este partido minoritário no Barreiro em eleições legislativas, a vitoria dependeria de ir buscar votos aos outros partidos e à juventude ainda não identificada politicamente, desde logo a escolha de uma mandatária, pessoas estimada pela população que durante a sua actividade enquanto vereadora, teve um desempenho meritório, mas que estava demasiada identificada partidariamente, quando se deveria escolher alguém independente e de reconhecido mérito que agregasse valor aos candidatos propostos. Também a critica metódica ao governo PS, e a António Costa, criou no eleitorado alguma confusão, quando o correcto seria denunciar a gestão do Ps na autarquia, que nada tem a ver no seu comportamento e propostas, com o Ps enquanto governo.

Agora não há que chorar sobre leite derramado, há que continuar a luta pela defesa dos interesses de toda a população, divulgando as melhores propostas e denunciando decisões do executivo que possam pôr em causa esses mesmo interesses coletivos.

Augusto Coelho
3/10/2021



05.10.2021 - 00:16

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