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Psicologia - Notas Reflexivas
ESTIGMA
(Alguns conceitos errados sobre a doença mental)
Por Rui Grilo
Barreiro

Psicologia - Notas Reflexivas<br />
ESTIGMA <br />
(Alguns conceitos errados sobre a doença mental)<br />
Por Rui Grilo<br />
Barreiro<br />
A doença mental é com frequência relacionada com a pessoa em situação de sem abrigo, ou com o mendigo que vagueia pelas ruas... que fala sozinho ou com as pessoas que aparecem na TV... ou com o psicopata “louco” que aparece nos filmes.

Termos como “esquizofrénico”, “maluco”, “homicida”, são palavras correntes utilizadas no dia-a-dia.

As pessoas pensam e dizem: “isto não me vai acontecer de modo nenhum, não sou maluco, venho de uma família estável com uma base sólida”, ou então, “a doença mental não me afecta porque isso é um problema dos outros”...

O Estigma relacionado com a doença mental provém do medo do desconhecido e de um conjunto de falsas crenças, que originam sentimentos de insegurança e falta de compreensão por esta temática.

Ninguém duvida que há um estigma inerente a quem tem doença mental. Mas o que é o estigma? Pode ser considerado um preconceito que isola o indivíduo em relação aos outros, como se estivesse marcada pelo passado de doença.

Então, o estigma abrange aqueles que tiveram ou têm doença mental. As relações sociais ficam quase sempre fragilizadas, como se o doente fosse um "ser" à parte, objecto, por isso, de uma discriminação rejeitante.

Geralmente o estigma tem uma conotação negativa, que incide sobre o doente, a doença, a instituição psiquiátrica e a ciência psiquiátrica. Muitas vezes é a sociedade que arranja um bode expiatório para as suas dificuldades, em que a pessoa com doença mental é que acaba por ser vítima da sociedade.

É interessante analisar algumas ideias que comprovaram de facto que as pessoas com doença mental eram retratados de uma forma negativa.
Os pacientes que sofriam de doenças psicóticas eram apresentados como criminosos violentos, violadores ou assassinos. Os que sofriam de doenças não psicóticas eram objecto de ridículo, mais dignos de dó ou motivo de conversa entre os incompreendidos.

As pessoas com doença mental eram descritas de acordo com estereótipos flagrantes, que são aprendidos muito cedo. Todas estas ideias estão muito difundidas e parecem ser muito difíceis de serem alteradas.

A doença mental ligeira é provocada pela pressão social, caso esta diminua, há melhorias. Provoca nos outros pena e empatia e pode acontecer a qualquer pessoa próxima... No entanto a doença mental grave e por vezes incapacitante, tem uma causa biológica e genética... é incurável, provoca nos outros receios e medos...

A discriminação pode tomar várias formas. Como tal, dou exemplo o caso de uma mulher que trabalhou seis meses como recepcionista. Quando disse ao patrão que iria faltar algumas vezes ao trabalho por estar a fazer uma nova medicação para a sua doença mental, foi despedida...
Com base neste tipo de acontecimentos, aqueles que de alguma forma se recompuseram das suas fragilidades e doença, escondem-se frequentemente atrás de uma “máscara”, de modo a manter o seu passado secreto quando se candidatam a novos empregos. A necessidade de esconder esta parte da sua vida, resulta de um receio de ser rejeitado e desvalorizado devido a uma doença...

Mesmo o uso generalizado do rótulo “doente mental” para classificar as pessoas com doenças mentais, pode tornar-se estigmatizante para as pessoas, tornando-as membros de um grupo indesejável e recusando-lhes o direito de serem considerados cidadãos como os outros.

Os media, podem contribuir para irradicar o estigma, promovendo a compreensão e a educação da sociedade acerca destas temáticas, não divulgando conceitos errados e negativos que ajudem a reforçar o estigma.
O mais importante a reter é que os doentes mentais são pessoas como todas as outras.

As pessoas deverão ser julgadas pelos seus méritos próprios, e não pela doença que sofrem e pelo estigma associado.

Estando mais atentos no âmbito destas problemáticas, podemos contribuir para criar as merecidas oportunidades para estas pessoas, permitindo-lhes que tentem criar um rumo para a suas vidas, e um regresso à comunidade como membros auto-confiantes e capazes de desenvolverem o seu potencial.

ALGUNS CONCEITOS ERRADOS SOBRE A DOENÇA MENTAL

As pessoas que sofrem de doença mental nunca irão recuperar?

As doenças mentais tratam-se e muitos doentes podem recuperar a saúde, logo, as doenças mentais devem ser encaradas do mesmo modo como se olha para as doenças físicas. Quando os cuidados e os tratamentos são prestados, é de esperar uma melhoria ou recuperação, permitindo às pessoas regressarem à comunidade e retomarem as vidas normais.

As pessoas com doenças mentais são violentas e perigosas para a sociedade?

As pessoas apresentam tantos riscos de crime como qualquer outro elemento da população em geral. Depois de recuperados, estes doentes têm a tendência para se mostrarem mais tímidos e ansiosos, mais sujeitos a serem vitimas de crimes, do que autores dos mesmos.


As pessoas que receberam tratamento psiquiátrico são instáveis podendo perder o controlo a qualquer momento?

A maioria das pessoas com doença mental, tem maior tendência para se afastarem do contacto social do que confrontarem-se agressivamente com os outros. Geralmente as recaídas aparecem gradualmente e não de uma forma abrupta. Se os médicos, família e amigos mais próximos estiverem atentos aos sinais premonitórios da doenças, as crises podem ser detectadas e facilmente tratadas e evitar-se a perda de controlo.

As pessoas que foram tratadas de perturbações mentais são empregadas de baixa qualidade?

Estas pessoas recuperadas revelam-se excelentes trabalhadores, demonstrando motivação e qualidade no trabalho. Obviamente, que terá de haver a compreensão que as pessoas com doença mental estão sujeitas a recaídas, que poderão causar ausências prolongadas a nivel laboral. Todavia, através de horários flexíveis que permitam este tipo de interrupções, estas pessoas poderão ser trabalhadores muito produtivos.

Um bem haja.
Rui Grilo

10.10.2021 - 09:05

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