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É URGENTE DESCRISTALIZAR O BARREIRO
Por Luís Batista
Barreiro

É URGENTE DESCRISTALIZAR O BARREIRO <br />
Por Luís Batista<br />
Barreiro Há sensivelmente um ano foi a discussão, em reunião de Câmara, uma proposta apresentada pela vereação afecta à CDU e que consistia num Plano de Recuperação Económica para o Concelho do Barreiro no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), documento no qual estavam previstos um conjunto de reformas e investimentos estruturantes com recurso ao Fundo de Recuperação da UE pós-COVID-19 e, ainda do Programa Nacional de Investimentos 2030 (novo quadro comunitário de apoio com 21,9 mil milhões de euros para o período de 2021 a 2030).

Desse plano apresentado pelos vereadores da CDU e com base na visão de desenvolvimento do País, para Área Metropolitana de Lisboa, para o Distrito de Setúbal e para o concelho do Barreiro, constavam medidas como:

- Trazer à discussão a construção da Terceira Travessia do Tejo em modelo rodo-ferroviário entre o Barreiro-Chelas e a concretização da travessia Barreiro-Seixal;
- Dinamização económica do "Arco Ribeirinho Sul" e do território da Baía do Tejo;
- Aproveitar e integrar os territórios ferroviários desocupados e apostar na redinamização do polo ferroviário existente;
- Requalificação e revalorização das frentes ribeirinhas, mitigando os efeitos dos riscos naturais;
- Retoma do projeto da ligação pedonal Barreiro-Seixal;
- Aposta nos TCB enquanto elemento diferenciador da mobilidade do Barreiro. Articular este serviço com outros tipos de transporte e com o alargamento das carreiras a outros concelhos;
- Continuidade do Metro Sul do Tejo com a sua ligação ao Barreiro e a todos os municípios do arco ribeirinho sul;
- Repensar a construção da verdadeira cidade aeroportuária defendendo a construção do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete;
- Intervir na regeneração urbana e na habitação um pouco por todo o Concelho, particularmente, no Barreiro Velho ou histórico, na Cidade Sol, no Bairro Alves Redol, entre outros;
- No plano da coesão social e sustentabilidade demográfica estava considerada a promoção do envelhecimento activo e, em simultâneo, a criação de um plano para o combate ao envelhecimento do concelho e atração de jovens;
- Do ponto de vista da sustentabilidade ambiental e alimentar e mitigação de riscos naturais, apostar na requalificação e revalorização das frentes ribeirinhas, Sapal do Rio Coina, Mata Nacional da Machada, Braamcamp, mitigando os efeitos dos riscos naturais, designadamente erosão do litoral, cheias e inundações, valorizando ainda a articulação entre espaços urbanos e naturais.

Pormenores políticos que agora não interessam para o que pretendo transmitir, mas a proposta foi 𝐫𝐞𝐩𝐫𝐨𝐯𝐚𝐝𝐚 pelo executivo da Câmara e cada um que tire as suas conclusões.

Passado que está um ano sobre esta proposta, passada que está a euforia das campanhas às autárquicas e até agora este executivo que lidera a Câmara Municipal não conseguiu trazer um único plano estratégico para o futuro do Barreiro. Não há uma plano de incentivo para apostar na cidade, não é conhecido um plano concreto para o médio/longo prazo, não existe uma linha orientadora em nenhuma das aéreas acima indicadas e que são fulcrais para recentrar a importância do município no Arco Ribeirinho e na dinâmica da Área Metropolitana de Lisboa.
Paira no ar a continuidade da angariação do voto fácil com biscates pontuais em zonas estratégicas da cidade.

É minha percepção que este documento teve a ousadia e a sensibilidade de trazer à discussão camarária um conjunto de ideias que merece um debate honesto, crítico e inteligente, um debate onde todos os barreirenses deveriam participar.
O Barreiro é seguramente muito mais do que birras de capelinhas e do que uma desmesurada ambição imobiliária de quem governa a Câmara e quero acreditar que o Barreiro nos próximos 4 anos não vai ser governado por uma castrante "Autocracia".

Há um novo mandato e não obstante ser de maioria absoluta, este nunca pode ser esvaziado de qualquer hipótese de diálogo e participação cívica e, como barreirense, não posso deixar de ser crítico e incisivo sempre que as situações imperiosamente o ordenem.

A este Barreiro que teima em cristalizar no tempo exige-se muito mais que artérias e rotundas para a fotografia. Exige-se muito mais do que sonhos megalómanos de praias com ondas e património destruído para construir esse sonho. Exige-se muito mais do que ataques ecológicos na destruição de caldeiras e ecossistemas ambientais.

É urgente que não se perca tempo e se inscreva o Barreiro no desenvolvimento do País, na Área Metropolitana de Lisboa e no Distrito de Setúbal. É urgente que o Barreiro se assuma como um Concelho forte e estratégico.

Há decisões muito importantes a tomar e deixo o apelo a um renovado espírito de cidadania.
Uma cidade não se pode construir a uma só voz.

Matéria crítica para discussão existe... Disso tenho a certeza!

Luís Batista

23.10.2021 - 21:23

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