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Oposição forte, em nome de um Barreiro forte
Por Luís Tavares Bravo
Barreiro

Oposição forte, em nome de um Barreiro forte<br />
Por Luís Tavares Bravo<br />
Barreiro O tempo das análises pós-eleitorais terminou. A cidade entrou já politicamente num novo ciclo, um que será decisivo para proceder a uma transformação estrutural da cidade, uma que permita inverter as sérias e profundas fragilidades do concelho, a nível de demografia, da competitividade económica a nível de empresas e emprego, da segurança e também do combate pelas infraestruturas estratégicas que permitam retirar o município de um acantonamento geográfico, apesar de tão central e perto de tudo.

Esta é a verdadeira base do enorme voto de confiança que o Partido Socialista recebeu do eleitorado Barreirense. Mais do que “não voltar para trás”, existe a fasquia de um muito adiado “salto quântico”, sendo que existem agora condições políticas locais (maioria absoluta no executivo e assembleia) e nacionais (governo de maioria socialista), para além das extraordinárias ajudas estruturais europeias que muito podem servir a este propósito. Esta é por isso, uma oportunidade que ninguém aceitará que seja desperdiçada, e de enorme exigência ao executivo socialista, que tem todas as condições em suas mãos. É caso para dizer que a única coisa que não terá, são desculpas para falhar.
Contudo, a exigência dos partidos da oposição não poderá cingir-se a uma resignação aos resultados eleitorais, como se estes fossem inibidores da regular atividade de fiscalização democrática do poder. Na verdade, é em clima de euforias absolutas que os eleitores mais precisam que a oposição consiga estar à altura do momento, e serem exigentes com a maioria. E se o Partido Socialista merece o reconhecimento democrático pela vitória que obteve, não menos merece a vigilância atenta dos partidos nas linhas ténues que separaram no mandato passado, aquilo que é a informação municipal, e estratégias de comunicação de propaganda durante quatro anos. Tendências que podem e devem ser combatidas e contrariadas, em nome do interesse maior – a construção de um Barreiro grande, atrativo e forte para as próximas gerações.
Esta é a exigência maior, e onde acredito que o Partido Social Democrata terá um importante papel a desempenhar. É, apesar dos constrangimentos de curto prazo, a força política de quem o Barreiro irá exigir mais, e estar mais atento como a futura alternativa ao Partido Socialista. E não pode dar-se ao luxo de desanimar, seja perdendo demasiado tempo em exercícios de anatomia de resultados, ou a lutos prolongados políticos. É tempo de seguir em frente. O PSD tem que voltar a posicionar como o partido incisivo que tem sempre sido, e desconstruir a narrativa de uma espécie de “milagre das rosas” do Barreiro, que tem muito de ilusão e de comunicação política à mistura. Até porque os factos contam uma história ligeiramente diferente da narrativa socialista de campanha.
É preciso trazer ao debate civil a necessidade urgente de combater a erosão demográfica – a cidade perde população todos os anos desde o princípio do século, sobretudo jovens na fase etária de formar família, e que optam por sair em vez de ficar. E isto acontece ao mesmo tempo que no resto dos municípios do distrito e da área metropolitana de Lisboa a população aumentou nas últimas décadas. Existe também uma severa deterioração das condições de Emprego, Empresas e dos Rendimentos das famílias, ao que acresce a dificuldade no acesso à habitação, onde a renda média de um pequeno apartamento pode custar mais de metade de um vencimento médio dos Barreirenses. E na área da segurança, que precisa de uma estratégia séria de inversão dos números, que em várias fontes oficiais colocam o município no topo dos municípios com maiores rácios de criminalidade do Distrito e da Área Metropolitana de Lisboa. É também preciso construir uma estratégia com medidas e objetivos que permita até 2030, inverter as fragilidades estruturais do município, e fazer do Barreiro um município de grande dimensão, que atraia novamente os grandes investidores e crie emprego qualificado. O Barreiro precisa dessa espécie de “relatório Porter” municipal, um que crie consensos partidários e diálogo alargado para se ter um compromisso político para mais que um mandato – um acordo de regime municipal para 2030.
Este é um papel para o qual o PSD tem de estar preparado de imediato. Ser oposição vigilante, combativa, e cuja lealdade se encontre junto do que é o melhor interesse dos munícipes e do Barreiro enquanto Cidade de, e do futuro.

Luís Tavares Bravo

24.10.2021 - 00:05

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