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Engenheiro Civil: o presente e o futuro do exercício da profissão
Por Cristiana Gonilho Pereira
Barreiro

Engenheiro Civil: o presente e o futuro do exercício da profissão<br />
Por Cristiana Gonilho Pereira<br />
Barreiro É difícil datar o surgimento das atividades que, hoje, são inerentes à engenharia civil. Nos primórdios, o homem costumava usar os antigos abrigos para se proteger, o que parece ter sido o início da engenharia civil que hoje conhecemos. Imhotep (século XXVII a.c.) é usualmente considerado o primeiro engenheiro civil da história da humanidade.

A história da engenharia civil é um testemunho da história dos seres humanos, das civilizações e das sociedades. E é este o mote desta reflexão.
Há engenharia em quase tudo o que nos rodeia, e a que resulta da atividade do Engenheiro Civil é responsável por uma grande parte dessa engenharia.

A designação "engenharia civil” surge inicialmente para se distinguir da “engenharia militar”, sendo o seu enquadramento no domínio da sociedade civil. Apesar desta definição ter evoluído para o aparecimento de vários ramos, a engenharia civil ainda preserva grande parte desta abrangência geral dos diferentes domínios da engenharia. Por esse motivo, o engenheiro civil é capaz de intervir nas mais variadas áreas.

O leitor atento vai questionar e afirmar que não há engenharia civil na construção de um automóvel. Contudo, terá de reconhecer que há engenharia civil na estrada onde circula esse mesmo automóvel. E continuando na linha de pensamento dos transportes, o mesmo acontece com os comboios e os aviões. Há engenharia civil nas linhas ferroviárias e nos aeroportos e aeródromos. Há engenharia civil nas nossas casas, nos centros comerciais, nas fábricas que produzem os automóveis, nos escritórios, nas estruturas de contenção de terras, nos muros, nas estruturas de suporte de antenas, nos hospitais, nas redes de abastecimento de água, nas barragens, nas pontes e viadutos e em tantos outros casos. Basta percorrer qualquer caminho e olhar em redor – há engenharia civil.
E uma das questões que se levanta é: “Saberá a sociedade reconhecer o papel da engenharia civil, e o papel do engenheiro civil, nos dias de hoje?”.

Conseguirá, a sociedade, reconhecer a atividade de um engenheiro civil com a mesma facilidade com que reconhece o que faz um polícia, um médico, um professor ou um bombeiro? Talvez não.
E talvez não porque as áreas de atuação do engenheiro civil são várias, das estruturas à geotecnia, do planeamento e gestão de obra às vias de comunicação, das atividades de projeto à construção propriamente dita, enumerando algumas.
E talvez não, também, porque existe uma grande diversidade de profissionais que operam na área da construção e engenharia civil, com diferentes formações e níveis de formação, e que, pela regulação das atividades no âmbito do exercício das suas profissões, por vezes, assumem a responsabilidade pelas mesmas atividades.

Confuso? Vou concretizar. Quando vemos um profissional de saúde, de bata branca, a auscultar um paciente, identificar e diagnosticar quadros patológicos, prescrever exames complementares e terapêuticas, estamos seguros estar na presença de um médico. Já quando vemos um profissional da construção e engenharia civil, de colete refletor, calçado de segurança e capacete, a assinar um livro que obra, responsabilidade que cabe ao Diretor de Obra e ao Diretor de Fiscalização de Obra, não é certo estarmos na presença de um engenheiro civil.

Uma outra questão se pode levantar: “Poderá outro tipo de formação, que não a licenciatura em engenharia civil, formar técnicos qualificados e com competências específicas para o exercício das atividades que competem a um engenheiro civil?”.
Para analisar e responder a estas e a tantas outras questões que inquietam os engenheiros civis, o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) promove na próxima terça-feira, dia 23, um debate sobre “O futuro da Engenharia Civil em Portugal”, que se propõe discutir as tendências do setor e os desafios atuais da profissão, bem como as competências necessárias para satisfazer as exigências do mercado de trabalho.

Agendado para as 15h00, no laboratório de Engenharia Civil da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro (ESTBarreiro/IPS), o debate, com transmissão em direto na página do IPS no YouTube, contará, entre outras, com as intervenções do presidente do Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros, Fernando Pinho, do administrador da Mota-Engil, Engenharia e Construção, Miguel Boavida, e do diretor do Setor Público do Grupo Casais, Carlos Fernandes.

Cristiana Gonilho Pereira

19.11.2021 - 16:59

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