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O Distrito de Setúbal não pode continuar a ser uma federação de “becos” com vista para Lisboa
Por Luís Tavares Bravo
Barreiro

O Distrito de Setúbal não pode continuar a ser uma federação de “becos” com vista para Lisboa<br />
Por Luís Tavares Bravo<br />
Barreiro O Distrito de Setúbal vive parado no tempo faz décadas, encerrado num grande potencial que está ainda por espoletar. Apesar de ter todas as condições para ser uma área de grande dinamismo industrial e empresarial, desde a instalação do projeto AutoEuropa em 1991 que não existem investimentos estruturantes e transformadores para esta região.

Apesar de ter todas as condições para ser uma extensão habitável de enorme qualidade para viver e de desenvolvimento humano, está ainda longe de ter as mesmas condições habitabilidade e acessibilidade que os municípios regionalmente comparáveis dentro da Área Metropolitana de Lisboa apresentam.

Apesar de todas as condições persistem fragilidades ligadas à inovação e empreendedorismo, que não cria empregos capazes de pagar melhores salários a uma população que luta contra a escalada dos preços ligados à habitação nos últimos anos, que mesmo com passes a 40 euros não tem soluções eficazes que garantam mobilidade e transporte públicos com qualidade e eficazes entre os concelhos de Setúbal.

Quando algumas dezenas de quilómetros se transformam em horas de comutação por transporte público, as economias locais perdem, e o que acaba por existir é uma série de concelhos, que estão perto de tudo, estão perto uns dos outros, mas que no fundo acabam por estar isolados uns dos outros – Setúbal é em termos de mobilidade, pode dizer-se, uma confederação de “becos”, de costas voltadas uns para os outros, e com saída única para Lisboa.

Á falta de capacidade de dinamização empresarial, aos menores salários pagos, aos custos com habitação crescentes e bloqueios de mobilidade entre concelhos, o distrito convive ainda com problemas sérios de degradação do património e segurança – é um dos três distritos com piores estatísticas relativamente a segurança de acordo com o RASI (Relatório Anual de Segurança Interna) , sobretudo no que diz respeito ao crime violento e grave, onde a par de Lisboa, Porto e Faro, representam cerca de 75% desta tipologia mais séria criminal em Portugal.

Tudo tem que começar pela criação de empresas e de valor

A criação de empresas no distrito de Setúbal é menor que do que o que se verifica na Área Metropolitana de Lisboa, ou em Portugal. Nos últimos 20 anos, o conceito de Setúbal como Distrito de vocação industrial e empreendedor deixou de existir, e hoje o número de empresas por 100 habitantes está mais abaixo dos mesmos rácios para Portugal, ou para os concelhos comparáveis vizinhos da Área Metropolitana de Lisboa - existem cerca de 10,2 empresas por 100 habitantes no Distrito de Setúbal, o que compara mal com 13,4 empresas por 100 habitantes da média da área metropolitana de Lisboa ou de 12,8 da média para Portugal. Acresce que a envolvente de criação de empresas nas últimas duas décadas foi bastante positiva para o país, apesar do período de intervenção externa – o rácio de número de empresas por 100 habitantes subiu 19% neste período em Portugal, e 12% na Área Metropolitana de Lisboa. Nos concelhos do Distrito de Setúbal, o ímpeto foi muito mais moderado, subindo uns meros 3,2%.

Um distrito com diferentes realidades no emprego pode gerar situações complexas pós pandemia

Como um todo o Distrito de Setúbal tem taxa de desemprego (5,8%) ligeiramente acima da média do equivalente da AM Lisboa (5,6%), contudo existem assimetrias significativas entre concelhos. Sines (9,2%), Almada (6,1%), Setúbal (6,9%), Barreiro (7,8%) e Moita (7,4%) têm taxas de desemprego elevadíssimas que podem tornar-se num problema social pós pandemia.

Por outro lado, os rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem em Setúbal estão em linha com a média Nacional, mas significativamente abaixo (84%) do rendimento médio dos concelhos comparáveis da AM Lisboa, divergência aliás que se alargou nas últimas duas décadas, fruto do menor ímpeto empreendedor no Distrito. A Habitação é um dos problemas que pode rapidamente dar origem a problemas sociais, não só em Portugal, mas sobretudo em Setúbal, onde os preços das casas mais têm subido no país, ao mesmo tempo que os rendimentos não têm subido suficiente para acomodar a escalada das rendas. Em média uma renda de um pequeno apartamento de 80 m2 pode representar cerca de 40% do vencimento bruto mensal de habitante de Setúbal dificultando a vida às famílias, e aos jovens que pretendem emancipar-se e sair de casa.

Dar novos horizontes ao distrito de Setúbal e inverter o ciclo de estagnação e isolamento

Isto tudo aconteceu apesar das autarquias serem todas de esquerda, e de nas últimas duas décadas, o Partido Socialista ter governado o País em 13 anos, sem quaisquer restrições de intervenção externa. Importa por isso começar a discutir e implementar medidas estruturais de política pública que interrompam a estagnação a que temos sido votados, e que coloquem a criação de empresas e de emprego qualificado que possa romper com este circuito viciado. Medidas que sejam complementadas com estratégias de mobilidade entre municípios, e que sejam capazes de produzir valor pelas sinergias óbvias seja pelo acesso a empregos, habitações e maior poder de consumo combinado. É por isso tempo de Dar Novos Horizontes a Setúbal, votando PSD já este domingo.

Luís Tavares Bravo

26.01.2022 - 14:04

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