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Tempo de vida
Por Ana Lourenço Monteiro
Barreiro / Seixal

Tempo de vida<br />
Por Ana Lourenço Monteiro <br />
Barreiro / Seixal Morte, que "murro em seco no estômago".
Para quem vive entre as palavras, ficar sem elas é raro. Mas, quando a morte é tema, também elas, como a vida, parecem, por momentos, "secar".

E, por isso, talvez esta expressão seja realmente pouco; pouco porque não chega para descrever a dor avassaladora que nos fere por dentro quando ouvimos que a morte apareceu e nos levou alguém.

Alguém que era "nosso", mas que nos foi tirado sem termos qualquer controlo sobre essa partida. Uma naturalidade inevitável mas para a qual nunca é hora.

A pior das dores surge como um corte fino, que se afunda quanto mais próxima é a relação que existia. Um pai, um filho, perdas inimagináveis até que se tornem reais. Uma realidade que é nada mais do que um pesadelo ao vivo.

E eis que, mais uma vez, surge a palavra "tempo", entre aquelas que são proferidas nos momentos de colo que procuramos dar a quem o perdeu ou já não o pode dar.
Mas, na verdade, é nesse "tempo" - que tudo traz e tudo leva - que temos que acreditar. Acreditar que nos continua a dar propósitos para permanecermos nele e para construirmos com ele mais vida, mais memórias e mais exemplos que possam para outros "alguém" ficar.

Ana Lourenço Monteiro

07.02.2022 - 00:00

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