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Fadiga da Guerra
Por Alexandra Serra
Sesimbra

Fadiga da Guerra<br />
Por Alexandra Serra <br />
Sesimbra Este conflito que pode ter um epílogo rápido e inesperado, com uma estratégia de falsa vitória que nos anestesie a todos, sem, no entanto, deixar de continuar a “produzir” vítimas de guerra.

A vaga de solidariedade com o povo ucraniano não pára de medrar, se bem que se sinta um cansaço da guerra.
Tal como começa a existir um certo aproveitamento da situação, seja por simples protagonismo, seja para se procurarem subsídios para projetos de apoio a refugiados ucranianos, uns mais megalómanos que outros. A natureza humana no seu pior, mas que, tal como o seu melhor, vem ao de alto em situações de guerra.

Este conflito que pode ter um desenlace rápido e inesperado, com uma estratégia de falsa vitória que nos adormeça a todos, sem, no entanto, deixar de continuar a “produzir” vítimas de guerra, desta feita de baixa força, para as quais já não olharemos da mesma forma.
Não é preciso uma grande leitura ardilosa para ter uma convicção: esta é uma guerra que a Ucrânia isolada não poderá ganhar!
Fará, como o prova dia a dia, satisfazer um alto preço pelo seu fracasso, mas não podemos esquecer que está sozinha perante uma das maiores potências militares.
Possivelmente terá que optar por uma reação comandada por um governo no exílio e manterá, durante décadas, vivo o espírito nacionalista que demonstrou ter.

Quanto à Rússia, bradará a vitória com a anexação de partes importantes da Ucrânia, fechando o acesso ao Mar Negro e ficar-se-á por aí, repetindo, dessa forma, a ideia de que a única razão de todos estes movimentos lesivos foi defender regiões russófonas em risco.
Uma espécie de guerra pelo “espaço vital” e da máxima “onde estiver um russo aí será a Rússia” de má memória histórica, apenas com outros protagonistas.

Seguir-se-á uma época de cansaço generalizado de guerra por parte da comunidade internacional.
Independentemente dela prosseguir a existir em termos de guerrilha e resistência, iremos seguramente esquecer ou, pelo menos, retirar-lhe importância. Decerto deixaremos de lado as políticas simplificadoras de movimentação que agora, e bem, foram rapidamente tomadas.
A Rússia de Putin é mais que uma só figura! Há todo um estado de alma partilhado por uma certa elite, independente da vontade global do povo.

O imperialismo corre-lhes nas veias e é apenas uma questão de tempo e reestruturação para que outras invasões, às portas ou mesmo dentro da Europa, sejam produzidas à luz dos mesmos exórdios
Durante este intervalo de paz mitigada, a Europa tem duas opções: ou continua a negar o óbvio, ou seja, que só poderá assumir-se como potência interventiva na política internacional se tiver uma política externa e um sistema de defesa e segurança comuns; ou deixa cair a norma da unanimidade e assume o federalismo como única forma de existência.

Os governos autocráticos têm como denominador comum o perdurarem no tempo, eternizando, os seus mandatos.
Daí que nós, os Ocidentais, os que se arvoram em defensores da democracia, tenhamos que olhar para o exercício do poder com outros olhos.

Não podemos continuar a ter como horizonte de ação política apenas as lutas eleitorais e os sufrágios que daí resultam.
Temos que deixar de olhar a atividade politica como se se tratasse duma função numa repartição pública. Temos que definir um projeto, um intento europeu e nacional e atermo-nos a ele sem demagogias.
Não é uma questão de renunciar de lutar, como dizia Mário Soares. É que realmente não estamos para isso.

Alexandra Serra

07.04.2022 - 19:26

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