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Os novos desafios do 1º de maio ultrapassam-se com crescimento
Luís Tavares Bravo
Barreiro

Os novos desafios do 1º de maio ultrapassam-se com crescimento<br />
Luís Tavares Bravo<br />
Barreiro Á passagem da comemoração do dia do trabalhador, podemos dizer que o país vive atualmente uma série de encruzilhadas e desafios estruturais, e que necessitam de uma atenção séria reformista.

Desde logo porque a pandemia trouxe uma aceleração de transformações digitais que vão moldar o mercado de trabalho, que vão exigir mais qualificações e maior formação que permitam que a destruição de postos de trabalho estimada – a CIP calcula que numa década cerca de um milhão de empregos em Portugal possam ser eliminados por conta dos processos de automação e digitalização da economia. As famílias podem ser em muito afetadas se não existirem formas de preparar e formar as faixas etárias mais frágeis e menos preparadas para se enquadrarem nas novas oportunidades de trabalho que serão criados na economia digital, que constitui claro está uma oportunidade para criar uma economia mais ecológica, mais produtiva e com maior capacidade de criar valor para Portugal. Caso contrário, a fatura social pode ser demasiado elevada, e o que constitui uma oportunidade pode transformar-se num problema sério.

Uma segunda encruzilhada foi trazida pelo regresso ao trabalho depois da pandemia e incendiada pelo conflito na Ucrânia, e que dificilmente não terá repercussões sérias e prolongadas para a Europa e para Portugal. A inflação chegou em força, e veio para ficar. Os preços da energia e dos bens alimentares têm vindo as faces mais visíveis e podem ainda subir mais – a inflação em Portugal atingiu os 7,2% em abril, o valor mais alto em quase 30 anos! E não existem evidências de que estejamos no fim da escalada dos preços, e que podem afetar de forma decisiva e muito rapidamente, os orçamentos das famílias portuguesas, e afetar os custos das empresas. Acresce a isto tudo, que os juros que pagamos pelos créditos das nossas habitações também estão a subir e dificilmente não resultarão em maiores custos e dificuldades no acesso à habitação, ao agravamento dos custos de vida e a maiores situações de dificuldade social. Esta combinação de fatores ligados à inflação dos combustíveis, dos alimentos e subida dos juros pode de forma simples ser quantificada de forma conservadora em 10% de impacte nos rendimentos dos portugueses. E provavelmente esta é uma visão muito conservadora mesmo. Num rendimento de uma família média portuguesa – e no Barreiro não é diferente – que ronde os 1500 euros líquidos mensais, 150 euros a mais de despesas mensais não é facilmente acomodado. Bem pelo contrário.

O caminho do governo socialista tem sido o do autismo fiscal face a estes desafios, ou em alternativa o de prometer apoio fiscal que até o mais distraído ficará desconfiado sobe de onde vem tanta receita. A verdade é que somos já um país muito tributado. Acreditamos mesmo que não existirá austeridade? Como pode o país continuar a viver desta forma, a responder a todos estes desafios sem proceder a reformas que permitam crescer economicamente? Vamos continuar a culpabilizar as empresas portuguesas, quando muitas delas lutam para sobreviver? Que foram excluídas da milagrosa “bazuka” europeia?

Em terceiro lugar, existe o desafio de inverter as situações de desigualdade que persistem no mercado de trabalho. Saliento a gritante e estrutural situação de desigualdade salarial entre géneros, que urge agir de forma séria para que seja um tema do passado. De acordo com o relatório produzido pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa e divulgado em Março, o fosso salaria entre homens e mulheres é de 17,2%. Uma outra análise divulgada em 2021 pelo projeto Small Grant Scheme#1, coordenado pela profª. Sara Casaca, concluí que não existe uma explicação óbvia para 85% do diferencial. Para além da injustiça gritante moral, existe uma perca de valor económico associado para Portugal. A PWC , no relatório que produziu sobre este tema (women at work ) salientou que uma redução da desigualdade tem um impacta económico para as economias significativo, e que no caso de Portugal ter o padrão Suécia em termos de igualdade salaria (a Suécia é o segundo do ranking do estudo, mas com dimensão económica significativa) poderia ter um impacte em 4% adicionais para o PIB luso. Acelerar o caminho para a equidade de género é uma variável de sustentabilidade que além de socialmente responsável e justa, é criadora de impacte económico relevante. Para as empresas e, sobretudo, para as economias.

Sejamos sérios, não existe forma de acomodar os desafios sem criarmos mecanismos para crescer economicamente. E isso não pode ser feito sem um debate sério sobre que politicas fiscais o podem fazer de melhor forma, de forma a que funcione para todos os portugueses e não apenas para o Estado português. O resto é apenas ilusão política que alimenta os populismos, e que se pagará caro num futuro talvez mais próximo do que se pensa.

Deixo uma palavra final sobre a curiosidade de este ano o dia do trabalhador coincidir com o dia da mãe. Este ano o dia do trabalhador calha no dia da mãe. Nunca uma combinação de datas fez tanto sentido, e que deve ser também ele uma celebração ao papel que têm na nossa sociedade. Bem hajam!

Luís Tavares Bravo
Presidente da Comissão Política do PSD Barreiro


01.05.2022 - 15:38

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