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Psicologia – Notas Reflexivas
OS GUARDIÕES – UM OLHAR SOBRE A HUMANIDADE
A reflexão e a perspetiva vivencial de uma criança numa Casa de Acolhimento
Por Rui Grilo
Barreiro

Psicologia – Notas Reflexivas<br />
OS GUARDIÕES – UM OLHAR SOBRE A HUMANIDADE <br />
A reflexão e a perspetiva vivencial de uma criança numa Casa de Acolhimento<br />
Por Rui Grilo<br />
Barreiro Nesta reflexão meramente ilustrativa, pretende-se dar humildemente voz à mensagem de uma criança e/ou jovem sobre a sua vivência numa Casa de Acolhimento Residencial. Reforça-se igualmente a importância e os contributos dos profissionais (Guardiões) que trabalham nestas respostas sociais e/ou similares.

Sem esperar… Vejo-me confinado no espaço restrito de uma casa que conheço bem… porque é a minha casa...
Sim... Encaro este espaço como a minha casa, onde me sinto protegido e onde existem as fundações que balizam quem eu sou… e quem eu quero ser enquanto adulto…

Aqui não entra um vírus de nenhuma espécie, porque temos guardiões que protegem esta casa e que dedicam o seu tempo a ela…
Mas não dedicam somente tempo…dedicam afeto, carinho e revelam respeito e humanidade. Mostram a verdadeira essência do que é ser um adulto preocupado e com funções educativas, pedagógicas e transformadoras.

Este confinamento não é para mim desconhecido, na medida em que já o senti mais que uma vez emocionalmente… contudo, este está continuamente a ser reparado pelos guardiões da Humanidade.

Na realidade, o maior confinamento está nas nossas mentes, agravando-se quando não temos a oportunidade de partilhar as nossas vivências com a família. Nesta casa, encontro uma família que, apesar de não ser biológica ou nuclear, é uma família emocional e afetiva, dotada de escuta ativa e de abraços permanentes.

Os guardiões esforçam-se nesta batalha para que me sinta feliz e realizado.
Ultrapassam os obstáculos mais complexos em prol da harmonia, e revelam na sua essência, uma humanidade contagiante… e mais uma vez, transformadora e terapêutica.

Observo os guardiões desta casa e constato que cada um deles é diferente, com idiossincrasias específicas e com formas de estar muito particulares.

Lembro me de uma guardiã… que podia assemelhar-se àquilo que é mais próximo de uma figura materna... na medida em que sempre evidenciou ser afetiva e dedicada a mim… mas que simultaneamente me faz sentir a realidade, transmitindo-me valores, regras, direitos e também deveres. Porém, nem todas as figuras maternas fazem isso…

Lembro me de outro guardião,… que quando o observo… se coloca num patamar idêntico ao meu… quase como se tivesse a minha idade. Ainda assim, revela-se atento e com a capacidade de modular atitudes e comportamentos. E nesta minha realidade, que podia ser sufocante e angustiante, observo-o na sua capacidade em permitir-me refletir sobre as coisas e de me colocar no lugar do outro.
Ensina-me o que é empatia.

A minha estadia aqui é apenas física e temporária, mas irei aqui residir emocionalmente para sempre.

A aprendizagem que tenho feito é imensurável,… e as ferramentas que me colocaram à disposição, permitem um olhar para o outro de forma verdadeira, aceitando as coisas boas e menos boas… mas acima de tudo, ter a capacidade de ser verdadeiro comigo próprio e com aquilo que sinto.

A humanidade sou eu… defendida por guardiões, que a única coisa que conseguem genuinamente dar são emoções e afetos.

Precisam-se de guardiões em todos os cantos do mundo, porque é urgente a necessidade de proteção, respeito e amor para todas as crianças...

Ponham os olhos em mim !!!
Ponham os olhos na humanidade e no seu futuro !!!
O confinamento acabou…

Um bem-haja,
Rui Grilo

21.05.2022 - 14:34

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