Conta Loios

opinião

SOFLUSA -Supressões de carreiras nas últimas semanas deixam utentes novamente em alvoroço.
Por Luis Baptista
Barreiro

SOFLUSA  -Supressões de carreiras nas últimas semanas deixam utentes novamente em alvoroço. <br />
Por Luis Baptista <br />
Barreiro<br />
Este mês de Junho tem sido um verdadeiro castigo para o utente do transporte fluvial da Soflusa. As ligações entre as duas margens - (Barreiro e Lisboa), têm sido alvo de supressões constantes e os panfletos a anunciar as perturbações qualquer dia assumem a regularidade de divulgação horária.

É inequívoco, na última década, a degradação do serviço da Soflusa tem sido uma constante.
Há quem aponte as causas desta degradação à tentativa de privatização no tempo da Troika onde, para privatizar era importante delapidar os serviços.
Se esse foi um tempo onde a qualidade do transporte decaiu vertiginosamente, também a manutenção das embarcações foi esquecida e o investimento nas carreiras profissionais completamente congelado.
Dai para cá tem sido uma queda a pique.

Desta vez o teste de paciência e boa vontade que nos pedem para tolerar, passa por problemas ao nível da tripulação com a falta de Maquinistas.
Ao que foi possível apurar, num total de 24 Maquinistas, só 19 estão em serviço de escala. Há 1 acidentado em baixa de Seguro e 4 com baixa por Incapacidade Temporária para o Trabalho, onde, para baralhar mais as contas, existem as folgas que projectaram situações pontuais como trabalharem 5 dias em 8 possíveis.
Toda esta situação desencadeia as inevitáveis tensões onde já se nota a perigosa impaciência de quem, todos os dias, se vê privado do transporte fluvial.

É certo que, dentro do que a escala de serviço permite, as ligações se vão fazendo e os atropelos à segurança dos passageiros obviamente que acontecem.
É comum haver tripulações a fazer dois turnos, o que perfaz 16 horas de serviço.
Quando se confronta alguém da tripulação a resposta é quase sempre a mesma;
"Há pessoas com possibilidade de entrar para a Soflusa e reforçar os quadros, só que o governo não desbloqueia esta situação"
Esta é uma narrativa que se repete consecutivamente, ano após ano e que não tem solução à vista....
No meio deste caldo, onde o serviço da Soflusa continua numa rota cega para o abismo, creio ser pertinente que todos os utentes possam questionar:
- É seguro uma embarcação com 600 pessoas a bordo ser conduzida por uma tripulação com excesso de horas de trabalho e um grave débito de horas de descanso?
Há mesmo situações de tripulações a fazer (tarde/noite/tarde) sendo que as parcas horas da manhã são o seu período de descanso.

Torno a questionar:
- A Administração da empresa tem consciência do risco a que estão expostos todos quanto, diariamente, utilizam o transporte fluvial da Soflusa?

- Em caso de acidente qual o papel da Companhia de Seguros face à violação de tempos de descanso e sobrecarga de horas?

- O Seguro cobre os danos físicos decorrentes, sendo que a empresa está em transgressão no que respeita ao exposto no CCT e demais legislação laboral?

Não deixa de ser irónico que, no início do serviço destas embarcações em substituição dos anteriores navios da CP, se tenha conseguido fazer o trajecto com tempos entre os 13 e os 15 minutos. Alegadamente por questões de segurança dos passageiros aumentaram o tempo de viagem para 20 minutos. Aliás aumentaram tanto que algumas carreiras têm mesmo no horário como 25 minutos o tempo de travessia. Portanto, caímos no ridículo de ter tecnologia do Século XXI com velocidades e tempos de travessia de 1960.

Mais uma questão que se levanta:
- estávamos mais seguros quando fazíamos o trajecto em 15 minutos com a tripulação a cumprir os horários com rigor ou hoje com maior tempo de travessia e com as tripulações a dobrar turnos diariamente???

A solução para este triste quadro não parece ter fim. A paciência vai faltando a quem diariamente tem de se reinventar para poder chegar a horas ao trabalho e, na memória de quem padece diariamente com os problemas da Soflusa, fica o mesmo sentimento de sempre...
Só se lembram que existimos quando há eleições.

É quando quem nos governa nos vem lembrar da importância do transporte público e promete um rigoroso cumprimento de horários, promete o fim das supressões de carreiras e até conseguem ter o descaramento de dizer que é urgente iniciar o processo de recrutamento....
Os utentes, esses prostrados ao abandono por parte da empresa, do poder autárquico e do governo, aguardam por um novo e elaborado plano de promessas nos próximos actos eleitorais.

Luís Batista

29.06.2022 - 00:25

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2022 Todos os direitos reservados.