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Muleta "Álvaro Velho"
Por Rute Pio Lopes
Barreiro

Muleta Por Rute Pio Lopes
Barreiro"> Bem-vinda às águas ternas do Tejo… ao Barreiro!
E, finalmente, à vista dos barreirenses, depois de tantos inadvertidos anos de estaleiro e outro tanto de custos associados e muita, muita controvérsia.
Digo à vista dos barreirenses precisamente porque o seu usufruto fica condicionado, na plenitude, às gentes desta terra.

Segundo parece, a embarcação não ficará totalmente disponível para serviço público turístico do concelho, por um período mínimo de 10 anos, defraudando, por conseguinte, o intuito da sua concepção e o propósito da construção.

Foi recentemente decidido, pelo executivo camarário, conceder a título de comodato (automaticamente renovável) a utilização da Muleta a uma empresa privada da capital, dedicada ao turismo fluvial. Embora o tipo de contrato não preveja qualquer contrapartida financeira, o que já de si não abona a favor do erário publico concelhio, agrava-se no ponto em que, não beneficiando de forma inequívoca com o seu usufruto, ganha relevância a incapacidade de gestão do executivo, da embarcação e da falha incoerente da projeção que o Barreiro e a Muleta merecem no contexto da "Marinha do Tejo" e no seio das embarcações típicas a navegar no estuário, numa oneração desnecessária do orgulho barreirense.

A Muleta pensada e destinada à municipalidade, a ser um bem complementar ao desenvolvimento duma estratégia em prol da promoção turística do concelho não passa de um amargo de boca.

Sem pôr em causa a hipótese de a exploração da atividade poder ser efetuada por atribuição a entidade não pública, considero ser um prejuízo a dotação de cerca de meia dúzia de dias ao "serviço" lúdico oficial da cidade contra os (sensivelmente) 180 dias mínimos previstos/possíveis de temporada anual. Mais… a promessa de desenvolvimento de uma rota Barreiro-Lisboa (passível de facilitar a utilização pelos munícipes) carece de prazo de concretização. Aparentemente, caso não fique acautelado o incumprimento contratual neste domínio, permite-se a existência de uma lacuna que poderá exonerar a entidade exploradora de qualquer penalização pela inexecução desta premissa. Inevitavelmente corre-me uma hipotética alusão à falta de pontão para atracar…

Portanto, é aproveitar para vê-la da margem, entre a ponta de Alburrica e a frente ribeirinha da Av. Miguel Paes até ao término das festas populares em honra de N. Sra. do Rosário!
Depois, espero ter oportunidade de a ver diariamente, balançando graciosamente, amurada no cais da Marinha rivalizando a atenção com os tradicionais e encantadores "Sou do Tejo" ou o "Sejas Feliz"!

Garantidamente a Muleta é uma embarcação lindíssima, diferente das demais a navegar no rio Tejo, motivo de regozijo do Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos da titularidade do Mestre Jaime!

Na história da vida do Tejo, a muleta era uma embarcação usada na atividade piscatória tanto no estuário como fora da barra. Arvora um só mastro inclinado para a proa onde cruza a verga para uma grande vela latina, dois panos na ré e seis na proa. Desde o início do século XX que não existe qualquer muleta. Curiosamente, esta embarcação marcou de tal forma a vida barreirense que é atualmente um item identificativo da heráldica municipal.

Rute Pio Lopes

04.08.2022 - 22:01

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