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A Inteligência Artificial (IA) é uma Evolução ou um Perigo?
Por Orlando Henrique
Barreiro

A Inteligência Artificial (IA) é uma Evolução ou um Perigo?<br />
Por Orlando Henrique <br />
Barreiro Desde os primórdios da vida humana, que o Homem mergulhou numa busca desenfreada na pesquisa do entendimento pelas coisas que o rodeavam.

Quando entendia, entendia, quando não entendia…inventava, suportando-se em ritos que imortalizavam os mitos, o que não deixava de ser uma maneira criativa do entendimento.

Todas as grandes mudanças de vida estrutural tiveram o objetivo de mudar para melhorar as condições de vida humana, chegarmos mais rápido, ser mais fácil, comunicarmos melhor, encontrar melhores formas na saúde, educação, construção e conhecimento.

Alguns dos braços do conhecimento estendem as suas ramificações para o universo, outros para a origem da vida e há também quem invista as suas energias na inteligência da espécie humana.

A inteligência artificial sempre nos foi apresentada como algo inacessível, que não passava de um chavão, e que não deveríamos recear. A ideia era que jamais o homem poderia criar algo que pudesse ser mais capaz do que ele, face a qualquer tipo de situação, uma vez que há variáveis que dependem exclusivamente do entendimento critico, do intelecto, do humano e da sensibilidade de cada um de nós.

Todavia, assim como que num ápice a inteligência artificial tornou-se realidade e coloca em perigo milhares de empregos, de homens sobredotados, mas que já se tornaram muito lentos e obsoletos na celeridade com que resolvem os seus problemas.

A busca incessante na senda de maior eficiência, menor custo, maior produtividade fez com que o feitiço se levantasse contra o feiticeiro, e os mesmos homens que desencadearam todo este processo surreal, são os mesmos que agora, revestidos com um pijama de humildade, nos vêm dizer que não era bem esta a sua ideia e que abdicam do cacilheiro do conhecimento, como que se se tratasse apenas de um transfer para a outra margem.

Se eu consigo criar algo capaz de recriar um conjunto de variáveis complexas, aliados a um algoritmo, introduzindo várias opções, consoante os dados previamente programados com capacidade para simular as nossas ações, eu posso criar uma solução apetecível para a resolução mais lógica e racional de um problema.
Ou seja, eu não preciso da experiência da vida, para perceber qual o melhor caminho a seguir; eu não preciso de aprender errando, uma vez que esta máquina já conhece os erros todos e vai engendrar a melhor das soluções.

Então, mas esta máquina vai suplantar o cérebro humano?
De modo nenhum, nem de perto nem de longe, uma vez que nós vamos sempre poder desligar a ficha. O problema é se a ficha ficar inacessível, porque nós previamente a programamos assim.

É um facto incontornável que tudo terá começado com o Sr. Alan Turing, matemático britânico, que contribuiu para o desenvolvimento da moderna ciência da computação teórica e da inteligência artificial.

Alan Turing foi contratado, pelo centro britânico de criptoanálise, para ajudá-los a decifrar os códigos alemães da Enigma, a famosa máquina que os alemães utilizavam para enviar mensagens aos submarinos durante a 2ª grande guerra.
A denominada “máquina de Turing” era uma máquina automatizada, que materializava fisicamente a lógica humana e solucionava os cálculos dos algoritmos.

Nos dias de hoje um dos maiores nomes ligados à Inteligência artificial é o cientista e psicólogo cognitivo, Geoffrey Hinton, britânico-canadiano, quase octogenário, e apesar de ser um dos pioneiros nesta matéria, é uma das vozes mais incomodadas e arrependidas em relação ao (des) controlo deste desenvolvimento científico, após ter participado durante décadas na construção de modelos que serviram de base ao célebre ChatGPT, acabou de “bater” com a porta em protesto com os perigos associados à Inteligência artificial, abandonando o seu cargo no gigante da Google.

ChatGPT (sigla para “Generative Pre-Trained Transformer”, é um modelo de linguagem baseado em deep learning (aprendizagem profunda) que é um dos ramos da inteligência artificial, que é capaz de compreender o significado das frases, sendo, portanto, uma tecnologia mais dinâmica e flexível. É uma ferramenta desenvolvida em 2019, pela “OpenAl”, que é um laboratório de pesquisa de Inteligência artificial, fundado em 2015 em São Francisco na Califórnia.

Em suma, este é o grande desafio e mistério da atualidade. Criamos algo sobre o qual já perdemos o controlo e simpatia, e quão arrepiante e desconcertante isso se está a tornar.

A Inteligência Artificial tem a ver com o facto se sermos nós a adaptar-nos aos tempos, ou são os tempos que se adaptam a nós?

Aparentemente o tempo está a fugir-nos por entre os dedos e não o conseguimos segurar.

Qual ator principal que passa a mero figurante.
Boa sorte!

Orlando Henrique

10.05.2023 - 17:47

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