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O PAPEL DO ESTADO NA TRANSFORMAÇÃO DA ECONOMIA
Por João Pintassilgo
Barreiro

O PAPEL DO ESTADO NA TRANSFORMAÇÃO DA ECONOMIA<br />
Por João Pintassilgo<br />
Barreiro Nestes últimos 8 anos passámos a tormenta da Covid19, enfrentámos os impactos económicos e sociais da Guerra na Ucrânia, foram tomadas medidas importantes pelo Governo, que têm conseguido minimizar, os impactos sociais na população mais desfavorecida.

A realidade económica que temos hoje, com ganhos visíveis na redução da dívida, na redução da inflação, do aumento de postos de trabalho, com um crescimento do Emprego, nos últimos 8 anos de 15%, mas onde a Produtividade do País cresceu apenas 7,5%.
Contudo, não tem tido o impacto suficiente no PIB, que poderia permitir alguma melhoria global dos salários em Portugal, independentemente do aumento de 25% do Salário Médio, de 2015 para 2022, com a consequente melhoria da Qualidade de Vida dos Portugueses.

A realidade política que termos de assumir, sem constrangimentos, é que a economia portuguesa vive uma situação preocupante de baixa produtividade.

Não valerá a pena revindicar-se por salários de nível europeu, como fizeram recentemente dirigentes da classe médica, querendo comparar Portugal á Alemanha, sem compararem os PIB’s dos dois países.

Não será o Turismo e a exportação de “minérios e metais”, com um peso de cerca de 30%, apesar de alguma subida nos últimos anos, que iremos aumentar a produtividade do País, que apenas será possível com mais Inovação e o desenvolvimento tecnológico.

Mas para que tal aconteça será necessária mais audácia e competência da gestão das empresas domésticas.
Mas ao estarmos confrontados com cerca de 70% dos gestores das empresas produtivas nacionais, com deficientes competências digitais, que naturalmente terão dificuldade em perceber/entender o que podem usufruir das competências da Geração Jovem mais qualificada, porque não sabem tirar partido da força de trabalho qualificada disponível, o que tem levado inclusivamente os nossos jovens licenciados a emigrarem.

Numa recente Conferência que juntou representantes da Academia e Associações Empresariais, chegaram a esta mesma conclusão:
"Portugal tem fraca capacidade em transferir conhecimento desenvolvido em ambiente académico", o que seria a causa de apenas 6% dos doutorados chegarem às empresas, enquanto na UE são 40%.”.

Urgente que a Academia se adapte, às necessidades reais da economia portuguesa, mas também é necessário que as Empresas procurem a Academia para que esta possa responder às suas necessidades.
Não nos cansamos de afirmar que Portugal necessita de mais inovação, mas com a presente e dura realidade efetivamente será muito difícil.

Hoje já vemos alguns sinais positivos, como por exemplo exportações de alta tecnologia no valor mais alto desde 2013 e importações batem recorde acompanhado de um novo máximo na despesa nacional com importações de Produtos de Alta Tecnologia, com um aumento em 2022, de 30% face ao ano precedente.

É por aqui que Portugal tem de continuar o seu caminho, para um desenvolvimento económico sustentável, o aumento significativo em 10 anos, de 36,1% face a 2011, ainda pesa apenas cerca de 5% das exportações de bens.
A aposta na investigação e na inovação, fortalecimento de parcerias entre a Academia e as empresas, com estas apostando mais na contratação de doutorados, conseguiremos incrementar apostas numa maior produção de bens transacionáveis de maior valor acrescentado, subindo de forma sustentada o PIB do País.

Necessário aumentar colaboração internacional nos domínios da Ciência e Tecnologia.
Única forma de valorizarmos os salários em Portugal é aumentar a produtividade do País.
Para além do esforço de formação em novas tecnologias, que as empresas produtivas terão de fazer melhorando claramente as suas competências digitais, ao nível dos seus gestores, relevo como indispensável que o Estado assuma o seu O PAPEL NA TRANSFORMAÇÃO DA ECONOMIA, pois como está claramente comprovado que o “mercado não resolve tudo”.

Assim, o Governo deverá encontrar o equilíbrio adequado entre a prossecução da estratégia de redução da dívida pública, com os objetivos de crescimento económico, onde o investimento público em Inovação e Desenvolvimento Tecnológico deverá ser uma das primeiras prioridades, mas dirigido de forma criteriosa em função dos objetivos das empresas.
Alargar e diversificar a rede de Centros de Investigação Tecnológica, como uma das formas de promover a aproximação da Academia com as Empresas, que já deu resultados positivos nalguns sectores de atividade, poderá ser um dos instrumentos.

Porque não dar, por exemplo, Prioridade Nacional para se efetivar a nível da UE um Programa de Participação Alargada no Mercado Global de Trabalho Remoto, permitindo assim, que por esta via, os nossos jovens mantenham uma ligação ao seu País.
Em síntese, apenas com o aumento de produção de bens transacionáveis de maior valor acrescentado, subindo de forma sustentada o PIB do País, poderemos vir a ter Salários acima da média europeia, possibilitando um aumento da qualidade de vida dos Portugueses.

João Pintassilgo
Militante do Partido Socialista
Deputado Municipal no Barreiro
8 janeiro 2023

09.01.2024 - 02:05

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