opinião
Quando a hipocrisia é o pão nosso de cada dia
Por Humberto Faísca
Barreiro
Escrevo este texto sem pretensão de que esteja perfeitamente bem escrito, mas como desabafo; desabafo sobre a preocupação repentina e pública dos presidentes de Câmara PS da península de Setúbal sobre mais um encerramento da maternidade do Hospital do Barreiro.
Ainda há pouco tempo, era ouvir estes senhores calados, era ouvir estes senhores que, quando não debitavam decibéis de silêncio, debitavam decibéis na defesa do encerramento parcelar e rotativo das maternidades do distrito. Eram estes mesmos a caixa de ressonância do governo de Antonio Costa e de Pedro Nuno Santos.
Lembro-me também que eram críticos, muito críticos, da posição das comissões de utentes. Eram críticos da posição da CDU na denúncia pública e efetiva dos encerramentos e da perda de valências do hospital que serve a população do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete.
Foi uma escolha, na altura, defenderem o governo do seu próprio partido em vez de defenderem as pessoas.
Tenho participado desde sempre nas iniciativas contra o encerramento de valências no Hospital e nunca os vi por lá. Nunca os vi publicamente a defender o investimento no SNS. O que vi, foi o patrocínio total e empenhado na vinda da saúde privada para os seus concelhos, sabendo que ao fazerem isso, estariam mais uma vez a apunhalar o serviço público; mais uma vez a ajudar a retirar ao serviço público pessoal médico e auxiliar a favor daqueles que lucram montes de dinheiro com o negócio da doença.
Da mesma forma que não via os eleitos do PS, nunca vi aqueles que agora aparecem como candidatos do Chega a tomarem posição pela defesa do serviço público e contra aqueles que fazem da doença um negócio.
Ver hoje a posição pública do Presidente da Câmara da Moita na defesa do serviço público de saúde e contra o encerramento do serviço de obstetrícia só me pode causar estranheza - ou talvez não. O que mudou entretanto? Já sei: o PS já não é governo.
Assinalo aqui a tamanha hipocrisia destes senhores, dos que, sendo Presidentes eleitos pelo PS, sempre estiveram caladinhos e aqueles que sempre defenderam a saúde privada e o negócio da doença e que agora, em vésperas de eleições, hipocritamente vão dizendo coisas que na realidade não defendem nem nunca vão defender.
Com papas e bolos...
Humberto Faísca
11.07.2025 - 16:21
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