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Porque importa assinalar os 50 anos do 25 de novembro no Barreiro?
Luis Tavares Bravo

Porque importa assinalar os 50 anos do 25 de novembro no Barreiro?<br />
Luis Tavares Bravo Hoje passam os 50 anos sobre o 25 de novembro de 1975, data que representa um dos momentos decisivos do processo revolucionário português, surgindo como ponto de viragem após a euforia e a instabilidade que se seguiram ao 25 de Abril de 1974.

Para além de um simples episódio militar, este dia simboliza o confronto entre diferentes projetos de sociedade e marcou o desfecho de um período em que o futuro do país permanecia em aberto, oscilando entre propostas revolucionárias mais radicais e uma via democrática plural.
Foi precisamente essa clarificação que tornou o 25 de novembro essencial para a consolidação de Abril, ao definir de forma mais nítida o caminho político de Portugal. Ao travar a radicalização do processo revolucionário e ao reforçar a autoridade das instituições, este acontecimento abriu espaço para a estabilização democrática e para a construção de um regime assente na liberdade, no pluralismo e na legalidade constitucional, permitindo que os ideais de abril se transformassem numa democracia duradoura.

O Estado Português, irá marcar esta data com uma celebração daquele que é de facto momento de consolidação da democracia democrática em Portugal, confirmando de forma decisiva o caminho que nos trouxe ao que Portugal é nos dias de hoje. Uma democracia parlamentar europeia, moderna e centrada na melhoria das condições de vida e conquistas dos seus cidadãos.
E porque é que importa celebrar o 25 de novembro? Em tempos de maior distanciamento dos eleitores, cabe aos europeístas reduzir distâncias, promover os valores da política moderada e quebrar barreiras ideológicas e relembrar que a Democracia do 25 de abril foi transformadora e uniu Portugal contra um modelo autoritário e autocrata, mas foi o 25 de novembro que uniu os portugueses a favor de um modelo de desenvolvimento, progressista e ocidental. E que nos trouxe a este país, que se desenvolveu, e onde mesmo que estejamos de mal com os governantes, temos sempre a palavra para mudar. E isso vale muito mais do que é percecionado. Ter a última palavra a dizer sobre o futuro das nossas vidas em sociedade.

No Barreiro, contudo, não existirá qualquer celebração publica sobre o 25 de novembro. O Partido Socialista do Barreiro juntou-se à CDU numa narrativa que é a de que ao assinaláramos publicamente a data, estamos a tirar valor ao 25 de abril – é de resto uma posição política bizarra para um dos Partidos que maior papel teve no combate pela construção de uma sociedade politicamente moderada, que saiu dos acontecimentos desse dia. É um argumento errado, e uma oportunidade perdida, que ao invés de agregar finalmente as populações com a história, opta por alimentar artificialmente uma divisão que já não tem lugar nos dias que correm.

Não assinalar no Barreiro os 50 anos do caminho que escolhemos para o nosso país, por receio à equiparação com o 25 de abril, é politicamente redutor, demagógico e fora de tempo ou de lugar. Quase que apetece dizer que também falta cancelar a Páscoa, para que não se prejudique o papel do Natal, que é a celebração do nascimento de Jesus Cristo. Os 50 anos de liberdade que abril nos trouxe, não se construíram num dia, e o 25 de novembro é um dos principais pilares definidores de que nunca voltaríamos, nem voltaremos para trás. No País, este passo de reconciliação está feito, terá o seu espaço na memória, e nem foi preciso gastar os milhões que a celebração dos 50 anos de abril custou. No Barreiro, a opção é a de manter os silos ideológicos, isolando a cidade num contrassenso de narrativa política de que novembro não deve ser festejado porque ofende o espaço de abril. E no Barreiro devíamos ter outra ambição para o debate público sobre a revolução – porque fomos uma cidade marcadamente influenciada pela revolução – para o bem, e para o mal.

É pena que no barreiro, se opte por esta via. Porque na construção do Portugal democrático, não deveria existir um período do qual não se fala, o período revolucionário em curso (PREC), para não ferir suscetibilidades. Não se trata de reescrever a história, trata-se sim de dar a conhecer a história e de reconciliar finalmente o país relativamente ao que se passou entre abril de 74 e novembro de 75. E isso não tira valor a abril, pelo contrário, reforça-o.

Luis Tavares Bravo, economista, deputado municipal do Partido Social Democrata

25.11.2025 - 09:37

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