opinião
A violência doméstica no Barreiro é um caso de polícia!
Luis Tavares Bravo
Esta semana cumpriu-se um outro 25 de novembro. O que assinala internacionalmente o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, uma data dedicada à consciencialização e ao combate a todas as formas de violência de género que afetam mulheres e raparigas em todo o mundo.
Este é um problema grave, sobretudo nos dias que correm, sobretudo se considerarmos que, de acordo com o INE e a Direção-Geral da Política de Justiça (DGPJ), entre 2014 e 2024, 70% das vítimas de violência doméstica, são do sexo feminino. Esta é mais que uma realidade, é um problema também de segurança, e para o qual as autarquias também devem estar atentas, sobretudo no Barreiro, onde a situação é um verdadeiro caso de polícia. Somos o município com os piores índices a nível do distrito, e onde a situação te vindo a deteriorar-se mais nos últimos anos.
De acordo com os dados públicos disponibilizados pelo portal Estatísticas da Justiça produzidas pela Direção-Geral da Política de Justiça (DGPJ), os crimes de violência doméstica no Barreiro, (quando calculados por permilagem de habitantes), atingiram os 3,9 casos por mil habitantes em 2024, muito acima 33% acima dos valores médios do Distrito de Setúbal (2,9 casos por mil habitantes), e mesmo muito acima 56% acima dos valores médios de Portugal (2,5 casos por mil habitantes).
Este é o pior registo do Distrito de Setúbal, seguido do Município da Moita, que também regista números próximos, 3,89 casos por mil habitantes, mas ainda assim abaixo do Barreiro. Esta diferença aliás, tem vindo a agravar-se nos últimos registos anuais, em contraciclo com o que se regista a nível nacional e Distrital, que em 2023 e 2022 estabilizaram em torno dos valores registados em 2024, enquanto no Barreiro, este dado subiu cerca de 12,8% entre 2022 e 2024.
No Barreiro, já sabíamos, tem um problema incontornável relacionado com a segurança, agora sabemos que a violência doméstica não tem sido exceção. Perante estes números — que deverão ser mais graves, dado que muitas vítimas permanecem em silêncio — torna-se imperativo que o Município do Barreiro reforce a prevenção e articule respostas com forças de segurança, entidades públicas e organizações especializadas.
Esta data não deve servir apenas para recordar vítimas, mas sobretudo para agir e sublinhar a urgência de adotar mais medidas municipais de segurança, que invertam a tendência local e aproximem o concelho das médias distrital e nacional. Importa por isso tratar este tema como um problema que deve ser encarado com soluções e políticas públicas municipais de segurança. É por aí que temos de ir. Não apenas no apoio à vítima, e onde a autarquia tem trabalhado, mas também no reforço da prevenção de segurança municipal local e de proximidade.
06.12.2025 - 16:34
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