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Alto do Seixalinho: quando abrir a torneira é um ato de fé
Por Jaime Gonçalves
Barreiro

Alto do Seixalinho: quando abrir a torneira é um ato de fé<br />
Por Jaime Gonçalves<br />
Barreiro As constantes faltas de água no Alto do Seixalinho têm gerado um crescente descontentamento entre munícipes e comerciantes da zona. Nos últimos dias, multiplicaram-se as queixas, havendo locais onde o abastecimento de água esteve interrompido por mais de 24 horas, numa situação que não pode ser normalizada nem desculpabilizada.

O que torna este problema ainda mais grave é a ausência de informação clara e atempada por parte dos responsáveis autárquicos. O executivo municipal do Partido Socialista, que governa a Câmara Municipal do Barreiro, e a Junta de Freguesia têm procurado justificar os cortes no abastecimento com a realização de obras — as chamadas "dores de crescimento do Barreiro", tanto apregoadas pelos executivos socialistas — mas essa explicação não pode servir para encobrir aquilo que é evidente: uma grave falta de planeamento, de coordenação e de comunicação com a população.
As obras são necessárias e ninguém o contesta. O que está em causa é a forma como estão a ser conduzidas e geridas pelo executivo do PS, sem a devida salvaguarda dos impactos na vida diária dos munícipes. A falta de água não é um incómodo menor — é uma violação de um direito básico.
Na manhã de sexta-feira, dia 16, após várias denúncias, desloquei-me à zona onde decorrem as obras. Falei com vários munícipes e comerciantes, que expressaram um profundo descontentamento. As críticas repetem-se: informação escassa, muitas vezes incorreta; avisos que apontam para cortes numa determinada zona, mas que acabam por afetar outras; horários anunciados que não são cumpridos; e uma total falta de sensibilidade por parte de quem gere o processo.

Os comerciantes alertam para prejuízos significativos, enquanto os moradores relatam dificuldades nas tarefas mais básicas do quotidiano. Soma-se ainda a inexistência de soluções alternativas para suprir a falta de água, como o recurso ao apoio dos bombeiros ou a disponibilização de autotanques — medidas elementares que deveriam ter sido previstas pelo executivo municipal desde o primeiro momento.
Quando há planeamento, há prevenção. Quando há respeito pelos munícipes, há comunicação transparente e soluções de contingência. Nada disso aconteceu. O executivo do PS falhou e deve assumir essa responsabilidade política, em vez de se refugiar em justificações técnicas que não convencem quem vive o problema no dia a dia.
As obras devem servir para melhorar a qualidade de vida das pessoas, não para a degradar. Planeamento, informação rigorosa e respeito pelos munícipes não são exigências excessivas; são obrigações de quem governa. O Alto do Seixalinho merece muito mais do que torneiras secas e silêncio político.

Jaime Gonçalves
Autarca, Assembleia de Freguesia ASSAV

19.01.2026 - 22:32

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