opinião
Operação enche o Waze: buracos do Barreiro à vista de todos
Por Jaime Gonçalves
Barreiro
No Barreiro, conduzir tornou-se um exercício diário de slalom. Não é desporto radical, é apenas o resultado de uma rede viária degradada, marcada por buracos que surgem, crescem e… permanecem. Durante semanas. Meses. Em alguns casos, há tanto tempo que já fazem parte da paisagem urbana.
O mais irónico é que estes buracos não são invisíveis. Pelo contrário: estão bem identificados. Não por sinalização municipal, mas por aplicações como o Waze, onde os próprios cidadãos assinalam os perigos da estrada em tempo real. Assim, quem chega de fora fica avisado. Quem vive cá, resigna-se. E a Câmara Municipal do Barreiro? Parece não dar por nada.
É embaraçoso constatar que uma aplicação privada, alimentada pelo civismo dos utilizadores, consegue mapear com rigor aquilo que o poder local insiste em ignorar. Cada aviso no Waze é um pequeno atestado de falhanço da gestão municipal: “buraco na via”, “perigo na estrada”, “reduza a velocidade”. Alertas que se repetem dia após dia, prova clara de que não se trata de situações pontuais, mas de negligência prolongada.
Estes buracos não são apenas um incómodo. São um risco real para a segurança rodoviária, causam danos em viaturas, aumentam a probabilidade de acidentes e transmitem uma imagem de abandono do espaço público. Num concelho que ambiciona atrair investimento, visitantes e qualidade de vida, este cenário é tudo menos aceitável.
Mais grave ainda é saber que muitos destes problemas existem há meses, sem qualquer intervenção visível. Não estamos a falar de fenómenos meteorológicos recentes ou de emergências inesperadas. Falamos de estradas conhecidas, utilizadas diariamente por milhares de pessoas, cujo estado é do conhecimento geral — inclusive da autarquia, que certamente também utiliza GPS.
Por isso, talvez esteja na hora de os cidadãos fazerem aquilo que a Câmara não faz: assinalar. Usar o Waze, marcar cada buraco, cada perigo, cada falha ignorada. Não por vingança, mas por civismo. Porque cada alerta visível é também um espelho público da inação municipal. Se a Câmara não se envergonha dos buracos, talvez se veja obrigada a fazê-lo quando eles passam a constar, um por um, no mapa digital de quem circula pelo concelho.
Quando a tecnologia dos cidadãos substitui o dever do poder local, algo está profundamente errado. Mas enquanto assim for, que ao menos fique tudo bem assinalado.
04.02.2026 - 14:53
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