opinião
Maternidade do Barreiro aberta a tempo inteiro!
Por Jessica Pereira
Barreiro
Depois da grande concentração à porta do Hospital do Barreiro contra a concretização da intenção da Ministra da Saúde em encerrar os serviços de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro, culminar de uma prolongada luta, torna-se ainda mais claro que é preciso continuar a mobilizar a população para travar esta decisão.
Ao contrário do que tem sido veiculado pelo Governo PSD/CDS, o que está em causa não é uma reorganização de serviços, mas sim o desmantelamento da resposta do Serviço Nacional de Saúde, com consequências graves para a vida das mulheres.
O Hospital do Barreiro serve diretamente quatro concelhos, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, com uma população superior a 230 mil residentes, entre os quais mais de 122 mil mulheres. Falar em encerrar a maternidade significa retirar uma resposta essencial a uma região inteira já desfalcada de serviços públicos e dificultar o cumprimento do direito à saúde.
A proposta de centralização de serviços está, desde o início, condenada ao fracasso. O Hospital Garcia de Orta, em Almada, encontra-se há muito no limite da sua capacidade. Em vez de se resolverem os problemas existentes, reforçando meios humanos e materiais e avançando com a construção do há muito necessário Hospital do Seixal, decide-se encerrar serviços.
As notícias mais recentes demonstram bem a fragilidade desta opção: a maioria dos obstetras do Barreiro recusou integrar as escalas da urgência regional e os utentes de Almada já vieram a público pedir o recuo desta intenção, demonstrando como a opção do Governo não responde às necessidades das populações.
Neste campo, a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro esteve desde o primeiro momento na linha da frente desta luta, ao lado das Comissões de Utentes da Baixa da Banheira e do Montijo e da União de Sindicatos de Setúbal da CGTP-IN. Já em 2022, perante os encerramentos rotativos então impostos pelo Governo maioritário do PS, estas organizações alertaram para o caminho perigoso que estava a ser seguido.
Sempre dissemos que esses encerramentos não eram soluções transitórias, mas sim parte de uma opção política que fragiliza o serviço público e abre caminho ao seu desmantelamento. Infelizmente, os factos vêm dar-nos razão, visível não só neste anúncio, mas também nas ameaças que recaem sobre outros serviços do hospital.
Se esta decisão avançar, mulheres, grávidas e as suas famílias permanecerão sem a certeza de resposta condigna na região. Falamos de populações de concelhos e localidades tão distantes como Sines (cerca de 150 km), Santiago do Cacém (≈110 km), Grândola (≈95 km), Alcácer do Sal (≈75 km) ou mesmo Canha, no concelho do Montijo (≈55 km), passando ainda por Alcochete, Setúbal, Sesimbra, Palmela, Montijo, Barreiro, Seixal e Almada.
A realidade mostra, infelizmente, o que acontece quando se encerram maternidades e se afastam serviços das populações: bebés que nascem em ambulâncias, mulheres em trabalho de parto obrigadas a ter os seus filhos em carros particulares, parturientes sem resposta atempada. Situações que colocam em risco a vida de mães e bebés e que demonstram que estas opções têm consequências muito concretas na vida das pessoas.
É também uma falácia afirmar que a maternidade não irá encerrar. Todas as mulheres, mães e profissionais sabem que o trabalho de parto não se agenda. Quando não existe uma resposta permanente e segura, na prática está-se a negar o acesso à saúde.
Não aceitamos, por isso, o encerramento dos serviços de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro. Não aceitamos o encerramento de nenhum serviço no nosso hospital.
Há cinquenta anos, com a Constituição da República Portuguesa, foi consagrado o direito à proteção da saúde, incluindo a saúde materno-infantil. Essa conquista permitiu um dos maiores avanços sociais do país e do mundo, reduzindo drasticamente a mortalidade materna e infantil e garantindo melhores condições de vida às mulheres e às famílias.
Não aceitaremos recuar.
Passado mais um Dia Internacional da Mulher, aquilo que se impõe não é fechar serviços, mas investir no Serviço Nacional de Saúde, valorizar os seus profissionais e reforçar as respostas materno-infantis, o acesso ao planeamento familiar, as respostas que permitam que as mulheres vivam as suas gravidezes desejadas de forma feliz e tranquila.
É preciso melhorar as condições de vida das populações, garantir direitos e assegurar serviços públicos fortes e de proximidade!
Nesta luta justa, é essencial unir todos os que defendem o Hospital do Barreiro, o Serviço Nacional de Saúde e as suas populações.
A maternidade do Barreiro tem de estar aberta a tempo inteiro.
11/03/2026
Jéssica Pereira
Vereadora da CDU na Câmara Municipal do Barreiro
12.03.2026 - 12:02
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