opinião
A vida passa como se fosse um só dia
Por Cláudio Anaia
Barreiro
. «No fim, o que fica é o amor; o resto é nada.» — Chiara LubichVivemos como se o tempo fosse infinito. Como se houvesse sempre mais um dia para dizer o que ficou por dizer, mais uma oportunidade para abraçar, mais uma ocasião para amar melhor. Mas a verdade é simples e profunda, a vida passa como um sopro diante da eternidade.
Cada dia que nasce não é garantido. É dom. É graça. É um convite silencioso de Deus para viver com mais verdade, mais consciência e mais amor. E, ainda assim, tantas vezes desperdiçamos esse dom em inquietações pequenas, em palavras duras, em silêncios que ferem e em afastamentos que poderiam ser evitados.
A vida, quando vista à luz da fé, deixa de ser apenas passagem. Torna-se caminho. Caminho que aponta para algo maior do que nós, para uma eternidade onde tudo ganha sentido. Não elimina a dor, não apaga as lutas, mas renova a forma como as vivemos. Porque quem crê sabe que nada é em vão quando vivido com amor.
Estender a mão a quem sofre, perdoar sem guardar rancor, pedir perdão sem orgulho, recomeçar sem medo. Tudo isto deixa de ser apenas esforço humano e passa a ser resposta a um chamamento interior, a uma forma de viver alinhada com Deus e com aquilo que é essencial.
Todos falhamos. Todos caímos. Todos trazemos fragilidades que nem sempre sabemos explicar. Mas não é na perfeição que reside a grandeza do ser humano. É na humildade de reconhecer a queda e na coragem de se levantar com fé renovada, acreditando que sempre é possível recomeçar.
Num tempo em que tudo parece medir-se pelo sucesso, pela imagem e pelo poder, é urgente recordar o que não passa: o amor oferecido, a bondade silenciosa, a presença junto de quem sofre, o bem feito sem procurar reconhecimento. É isso que permanece diante de Deus e diante da eternidade.
A vida passa depressa, muito mais depressa do que imaginamos. Por isso, não a desperdicemos com coisas que não alimentam a alma. Que saibamos amar mais, servir mais, ouvir mais, perdoar mais e viver com gratidão no coração.
Porque, no fim de tudo, não seremos lembrados pelo que tivemos, nem pelo lugar que ocupámos. Seremos lembrados pelo amor que fomos capazes de viver e oferecer a quem cruzou a caminhada da nossa vida.
Para mim, a maior vitória é ter feito outras pessoas mais felizes, ter deixado amor suficiente para que alguém sorrisse, crescesse mais e encontrasse sentido através da nossa presença no seu caminho.
Cláudio Anaia
Militante da Justiça e Direitos Humanos
claudioanaia@hotmail.com
29.06.2026 - 12:27
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