opinião
Quando a tatuagem deixa de ser apenas uma moda
Por Isabel Mateus Braga
Barreiro
Hoje em dia, é cada vez mais difícil encontrar alguém sem uma tatuagem. Parece que, de repente, o corpo se transformou numa espécie de tela onde tudo cabe: flores, frases, símbolos, desenhos e, sobretudo, nomes.
Há quem tatue apenas uma flor. Outros escolhem o nome da namorada ou do namorado — uma decisão que pode tornar-se bastante constrangedora quando o relacionamento termina e o amor seguinte tem outro nome. Só por sorte o nome tatuado não precisa de ser substituído!
Confesso que me faz alguma confusão ver pessoas, novas e menos novas, com o corpo praticamente todo tatuado. Nos mais velhos, há situações em que já nem é fácil distinguir as tatuagens das varizes, principalmente nas senhoras. O tempo encarrega-se de transformar aquilo que um dia pareceu moderno em algo bem diferente.
Nos mais jovens, por vezes, já é difícil encontrar um pedaço de pele sem tinta. Tatuam por tatuar, muitas vezes sem qualquer significado aparente. Um desenho leva a outro, que leva a outro, até que o corpo fica completamente preenchido. E pergunto-me: será mesmo uma escolha pessoal ou apenas a vontade de não ficar de fora?
Quando as tatuagens começaram a ganhar popularidade, nomeadamente entre os soldados, tinham muitas vezes um significado simples e sentimental. “Mãe”, “Pai”, o nome da namorada ou de alguém querido. Eram pequenas marcas que procuravam aproximar quem estava longe dos seus familiares e das pessoas que amava.
Hoje parece-me que tatuam porque sim. Porque está na moda. Porque os amigos têm. Porque as redes sociais mostram corpos tatuados como se fosse obrigatório acompanhar a tendência.
Claro que cada pessoa é livre de fazer do seu corpo aquilo que entender. Uma tatuagem pode ser uma bonita forma de expressão, uma homenagem ou uma recordação para toda a vida. O que me causa estranheza é quando deixa de ser uma escolha pensada e passa a ser quase uma necessidade de seguir os outros.
Felizmente, já é possível remover algumas tatuagens. Mas fica uma pergunta: depois de tantas marcas, será que a pele alguma vez volta verdadeiramente a ser aquilo que era?
Talvez por isso valha a pena pensar duas vezes antes de transformar uma moda passageira numa marca para a vida.
Isabel Mateus Braga
22.08.2026 - 15:36
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