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MERCADO DE RUA “MARQUÊS DE POMBAL”
Por António Cabós Gonçalves

MERCADO DE RUA “MARQUÊS DE POMBAL”<br>
Por António Cabós GonçalvesTanto mais que me permitiu imaginar que, num futuro não muito distante, quando alguém, em qualquer parte do mundo, “teclar” no Google a expressão “Marquês de Pombal”, a primeira referência que lhe apareça seja “Marquês de Pombal Street Market, Barreiro, Portugal".

Como todos os Barreirenses, fui, recentemente, surpreendido com a notícia de que, nos finais de Agosto próximo, o chamado Mercado da Verderena – que antes tinha sido de Santa Maria – iria acabar.

Não tenho por hábito ir a esse Mercado – apenas porque não me “dá jeito” - nem tenho ninguém de família que lá venda ou que viva de proveitos que advenham da continuação do seu funcionamento.

Não consegui, todavia, ficar insensível ao drama dos que lá trabalham e à falta que fará a quem tem por hábito ir lá abastecer-se ou, simplesmente, passear para ver as novidades, a um preço mais “em conta”.

É minha convicção que ninguém gosta, verdadeiramente, das condições em que aquele mercado tem vindo a funcionar. Muito pó, bastante desorganização, um ambiente muitas vezes conflitual, num quadro típico de algumas feiras rurais que se fazem por esse País fora, ou de alguns mercados urbanos em países com fracos padrões de desenvolvimento.

Tenho para mim, que também não constitui qualquer solução mudar, apenas, o Mercado actual para outro “vazio urbano” que, mais dia, menos dia, virá a ser reclamado pelos seus proprietários para um fim mais lucrativo. E se a Autarquia tivesse um terreno com as características necessárias a um Mercado como aquele que tem vindo a funcionar – e parece que não tem – sempre viria o momento em que, para tal terreno, se iria perspectivar uma utilização diferente e socialmente mais útil ou mais lucrativa. Especialmente situando-se dentro da malha urbana… Seria, apenas, adiar um problema!

Por tudo isso, comecei a pensar, com os “meus botões”, em exemplos de outras paragens, de mercados urbanos de sucesso, que constituem, por si só, factor de vitalidade das cidades e motivo de atracção turística…

Lembrei-me de vários que conheço pessoalmente e fiz alguma pesquisa sobre outros. Como nasceram, como se afirmaram, quais os caminhos que seguiram para que hoje se fale deles em todo o mundo.

Comecei a pensar se não seria possível tentar um modelo semelhante, no Barreiro. e cheguei à conclusão que sim, que é possível. Mais ainda, que é desejável.

Vislumbrei, nesta dificuldade, uma "janela de oportunidade" para o início da recuperação do Barreiro Velho.

Desenvolvi, a expensas minhas e como iniciativa individual de cidadania todo um projecto que concretizei num documento que está alojado no magnífico site http://www.artbarreiro.com/, onde muito se ama o Barreiro e desta terra se dá notícias para todo o mundo.

Depois, com a ajuda de alguns amigos, preparei uma apresentação que mostrei - deficientemente, por má gestão dos 4m e 7s que tinha disponíveis - numa sessão da Assembleia Municipal, realizada no passado dia 31 de Julho, convocada especialmente para discutir o problema. Fiz 25 dossiers que distribuí pelos líderes parlamentares, Presidentes de Junta de Freguesia, Presidente da Câmara e Vereadores, Órgãos de comunicação social e representantes dos feirantes. A todos estes e a muitas pessoas que me pediram dei, também, um CD, dos 90 que acabei de gravar pouco tempo antes da Assembleia.

Nesse CD estão a proposta que apresentei, a apresentação que ficou a meio, um filme sobre o Mercado da Verderena, remontado para este efeito, pelo meu amigo Luís Luz, do ArtBarreiro.com, que poderá ver aqui e umas músicas, de um ilustre Barreirense, Tó Pinheiro da Silva - uma delas o "Lá fora a cidade" dos Perspectiva – também disponível no ArtBarreiro.com, que me pareceu virem a propósito.

A partir de agora a ideia está lançada e poderá seguir o seu caminho. O Blog que criei, www.mercadomarquezdepombal.blogspot.com é, apenas, mais uma maneira de apresentar a proposta, provocar a discussão e encontrar soluções.

Nele, as estatísticas são públicas, os comentários são livres, as opiniões são respeitadas e a participação é facilitada e estimulada.

Se quiserem, a ideia para a qual irei fazer toda a divulgação possível é vossa, de quem a ler e apoiar! Eu não pretendo quaisquer direitos pela sua autoria.

Naturalmente pode ser melhorada e aperfeiçoada! Força, façam-no!.

Segundo o que li no “Diário do Barreiro” online, o Sr. Presidente da Câmara Municipal do Barreiro disse aos jornalistas que “do ponto de vista urbano, da história, de uma certa personalidade que aquele espaço tem, é uma ideia que me agrada”.

E acrescentou – o que é natural – “Que haverá questões a ponderar. “Qual é a aceitação da população ali [Barreiro Velho]?”, interrogou, para justificar algumas das questões que deverão ser colocadas.

Eu acho que o Sr. Presidente tem razão. Mas na “Cidade da Participação” não deverá ser difícil auscultar, a sério, a população.

Convido-o a fazê-lo. Proponho, até, uma data – 4 de Setembro, uma 3ª feira.

E aponto-lhe um sítio – A S.I.R.B. “Os Penicheiros”, colectividade de grandes tradições de envolvimento com a comunidade, que será relativamente fácil motivar para a cedência da sala, bastando explicar o que está em jogo. Se for preciso eu, que até sou sócio, ajudo nessa explicação.

E convém que estejam presentes todos os habitantes do Barreiro Velho, todos os feirantes do Mercado da Verderena e da envolvente do Mercado 1º de Maio, todas as Associações da Zona, os representantes da Junta de Freguesia e da Fábrica da Igreja de Nª. Srª. do Rosário, da Associação de Comerciantes e da Quimiparque…

Penso que a C.M.B. sabe como fazer para se assegurar que toda essa gente estará presente para discutir, sem constrangimentos regimentais e de tempo duas questões muito importantes para todos eles – a continuação da actividade um mercado de rua, com tradições e história e a requalificação do Barreiro Velho.

Se a Câmara não souber, eu sei. Se a Câmara não fizer eu farei.

Elaborar esta proposta deu-me um gozo especial. Permitiu-me sonhar com um Barreiro Velho diferente e melhor para os que lá moram. Não vou deixá-la cair!

Tanto mais que me permitiu imaginar que, num futuro não muito distante, quando alguém, em qualquer parte do mundo, “teclar” no Google a expressão “Marquês de Pombal”, a primeira referência que lhe apareça seja “Marquês de Pombal Street Market, Barreiro, Portugal".

Será pedir muito?

António Cabós Gonçalves
Cidadão do Barreiro

2.8.2007 - 18:04

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