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Os 6 mil hectares de terrenos que a SLN comprou a alguns kilómetros do novo aeroporto
Por José Bastos

Os 6 mil hectares de terrenos que a SLN comprou a alguns kilómetros do novo aeroporto<br>
Por José Bastos A estratégica política de alteração do PROT-ML, com a construção do novo aeroporto, passa por aproveitar os terrenos das antigas fábricas da margem sul e as zonas urbanizáveis das cidades e vilas já existentes. Nunca ninguém falou na criação de uma nova cidade em Rio Frio.

Na reportagem do Jornal Sol de 14 de Fevereiro, sobre o assunto em título, com manchete de primeira pagina, vinha um artigo de Luís Rosa, que entre outras coisas, dizia o seguinte:

“A jóia da coroa da Pluripar acabam por ser os terrenos próximos do futuro aeroporto, avaliados em mais de 730 milhões de euros- “negócio concretizado em Dezembro de 2007, através da compra à Sociedade Agrícola de Rio Frio”, (detentora de mais de 60 hectares de área de construção na futura cidade aeroportuária), afirma Fernando Fantasia.”

Segundo artigo publicado na mesma página e sobre o mesmo assunto pela jornalista Graça Rosendo, a jóia da coroa (herdade de Rio Frio), não pertence à Pluripar, mas sim à Parefur, SA e à Gestoprata, SA. A Graça Rosendo diz que o terreno tem uma área de construção 1 milhão 740.000 m2 e o Fernando Fantasia diz que tem 60 hectares (600.000m2) de área de construção. São diferenças astronómicas que necessitam de ser esclarecidas.

Estes terrenos não estão na periferia da herdade de Rio Frio, são o que resta da herdade.

Estes terrenos são agrícolas e florestais conforme o Prot-Aml e PDM de Palmela e neles existe o famoso sobreiral de Rio Frio mandado plantar por José Maria dos Santos. Os sobreiros por lei só podem ser derrubados para equipamentos de utilidade pública.

Como vivi sempre perto da herdade de Rio Frio, cujo monte fica muito perto do Montijo e conheço alguns dos personagens desta história, tenho muitas dúvidas e penso o seguinte:

1 – Sem que o PROT-ML em alteração e o PDM de Palmela transformem o uso do solo da herdade de Rio Frio de florestal e agrícola para urbanizável, os terrenos devem avaliados pelo seu uso actual;

2 – Temos que saber quem avaliou a herdade de Rio Frio (6 mil hectares) para uso agrícola e florestal (montado de sobro) em 730 milhões de euros.

3 – Para um terreno com este uso e com esta área dificilmente o seu valor atingirá os 35 milhões de euros.

4 – A estratégica política de alteração do PROT-ML, com a construção do novo aeroporto, passa por aproveitar os terrenos das antigas fábricas da margem sul e as zonas urbanizáveis das cidades e vilas já existentes. Nunca ninguém falou na criação de uma nova cidade em Rio Frio.

5 – A Naer já reservou uma área de 6.330 hectares, junto ao futuro aeroporto, para uma cidade aeroportuária.

6 – Os portugueses devem ser informados de quanto estas empresas devem ao BPN, que hoje é nacionalizado e se existem hipotecas e qual o seu valor.

7 – Estamos em presença de uma «situação» de consequências imprevisíveis e como o BPN foi nacionalizado, somos nós que vamos pagar a factura.

8 – O Governo, a Caixa Geral de Depósitos e a actual administração do BNP tem obrigação de nos explicar tudo sem esperar pela decisão dos processos crime nos tribunais.

9 – Se se concluir que a estratégia do PROT-MLé fazer crescer as zonas urbanas já existentes (cidades e vilas da margem sul), os terrenos da herdade de Rio Frio, poderão estar supervalorizados em mais de 700 milhões de euros nas contas do Banco.

10- Isto é poderá estar registado um activo de 730 milhões de euros, quando o que deve estar são 30 milhões.

José Bastos
Montijo

16.2.2009 - 11:05

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