Conta Loios

opinião

Geração à Rasca:Uma perspectiva!
Por Fátima Prior
Seixal

Geração à Rasca:Uma perspectiva!<br>
Por Fátima Prior<br>
Seixal De acordo com a nossa constituição, enquanto cidadãos somos reconhecidos como membros de igual direito, dignidade e valor, e convidados a participar activamente nos processos políticos que nos regem.
O que leva então a uma progressiva demissão dos cidadãos dos processos pelos quais são governados?

Numa época de convulsão económica, social e política, muitos são os que se queixam do actual estado das coisas, querendo que tudo assuma um novo rumo, e esquecendo que ser cidadão obriga a direitos e deveres.
O percurso de sucesso individual que todos somos incitados a fazer desde os primeiros anos em que temos consciência de nós, e a consequente demissão das nossas obrigações para com os que nos são próximos e para com a sociedade, é apontado por especialistas das mais diversas áreas como o “gatilho” que despoletou o actual estado em que vivemos.
Como população nunca tivemos tão elevado nível de conhecimentos académicos, mas será que fomos sensibilizados e preparados para o exercício da cidadania?
E o que é a cidadania? Liberdade de expressão, direito ao voto e tolerância são alguns dos termos que com frequência lhe vemos associados. O dicionário define-a como “vínculo jurídico-político que, traduzindo a pertinência de um indivíduo a um estado, o constitui, perante esse estado, num conjunto de direitos e obrigações”. Num sentido mais lato é definido pelos direitos e deveres que cada país reconhece aos seus cidadãos. Enquanto princípio é um ideal normativo, que alimenta o sentimento de pertença e a participação numa sociedade.
De acordo com a nossa constituição, enquanto cidadãos somos reconhecidos como membros de igual direito, dignidade e valor, e convidados a participar activamente nos processos políticos que nos regem.
O que leva então a uma progressiva demissão dos cidadãos dos processos pelos quais são governados?
Esta realidade não é exclusiva de Portugal, mas tem-se sentido um pouco por todo o mundo democratizado. Enquanto meio mundo tenta almejar os direitos que temos como cidadãos do nosso país, e que gerações ainda contemporâneas conquistaram, nós demitimo-nos das obrigações que essas conquistas exigem.
Sendo a participação na vida publica mais acessível que nunca, o que leva tantos concidadãos a demitirem-se do seu lugar e da sua opinião? A deixarem que outros – minorias votantes como se viu na última eleição – decidam quem os governa, reclamando depois que não se reconhecem nos eleitos e que a culpa é de quem manda, esquecendo-se que foram os primeiros a “dar ordem”.
Como se podem queixar, se são os primeiros a abandonar o barco e a torcer para que se afunde, qual velho do Restelo?
Gostaria de ver a geração a que pertenço, que se diz à rasca, a desenrascar-se usando os meios que lhes são acessíveis enquanto cidadãos, e que parecem ter esquecido. E com eles construir um melhor país, para todos nós e para as gerações que nos sucederão.

Fátima Prior
JSD Seixal

11.3.2011 - 17:26

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2020 Todos os direitos reservados.