opinião
Balanço da Década - Setúbal
A década da implantação do Ensino Superior no Barreiro
Por Otília Dias
Curso de Licenciatura Eng. de Conservação e Reabilitação (único no país)Nestes primeiros 10 anos, a grande preocupação da Direcção foi montar e estruturar um estabelecimento de Ensino Superior: colocar cursos a funcionar, contratar pessoal docente competente, tratar de instalações definitivas e captar público para as suas formações.
Se inquirirmos qualquer um dos estudantes que ingressaram em 1999/2000, tenho a certeza que irão falar …das EXCELENTES instalações provisórias onde tiraram o curso, do EXCELENTE ambiente que havia entre estudantes e funcionários docentes e não docentes: éramos uma FAMÍLIA, a FAMÍLIA ESTBarreiro/IPS.
Falar sobre a última década de ensino superior no Barreiro é falar da implantação deste grau de ensino no concelho, com a abertura da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro do Instituto Politécnico de Setúbal (ESTBarreiro/IPS).
Estando eu no Ensino desde 1984, primeiro no 3ºciclo do básico, e posteriormente (1987) no ensino superior em Lisboa (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, e com colaborações pontuais na Universidade Aberta e Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa), pretendia vir para o distrito de Setúbal, pois vivia no Barreiro e queria conciliar a minha vida profissional com a vida familiar. Tendo conhecimento deste facto, em 1999, o vice-presidente do IPS, Prof. Armando Pires (actual Presidente), convidou-me para leccionar numa escola nova que iria abrir no Barreiro. Foi em Julho de 1999 que conheci o Prof. João Vinagre, na entrevista que me fez para eu leccionar na ESTBarreiro/IPS as disciplinas da área da Matemática. João Vinagre, Engenheiro Civil, era Professor Auxi¬liar, no Instituto Superior Técnico, e foi-lhe endereçado o convite para dirigir uma nova escola do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) na área das Tecnologias, a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro (ESTBarreiro), que iria arrancar com o curso de licenciatura bietápica (3+2) de Engenharia Civil.
Sem instalações próprias, o IPS, a Câmara Municipal do Barreiro (CMB) e a Quimiparque chegam a acordo, e em Setembro, quando os alunos começam a chegar para se matricularem no curso da ESTBarreiro/IPS fazem-no numa antiga escola primária (da CUF) que se encontrava em obras para se adaptar para as novas funções.
Se inquirirmos qualquer um dos estudantes que ingressaram em 1999/2000, tenho a certeza que irão falar deste episódio, como irão falar das EXCELENTES instalações provisórias onde tiraram o curso, do EXCELENTE ambiente que havia entre estudantes e funcionários docentes e não docentes: éramos uma FAMÍLIA, a FAMÍLIA ESTBarreiro/IPS.
Posso dizer que neste 1ºano de ESTBarreiro/IPS, o corpo docente da escola, para além do Prof. João Vinagre e de mim própria, era constituído por docentes muito jovens, que nunca tinham leccionado no ensino superior, pelo que desde sempre fomos considerados os “decanos” da Escola. Nos anos seguintes, os novos docentes contratados continuaram a ter essa particularidade, mas desde sempre houve uma preocupação por parte do Conselho Científico (CC) da Escola: a montagem das disciplinas específicas do curso de Engenharia Civil ser efectuada e leccionada a aula teórica (leccionada pela 1ªvez), por docentes de referência do Instituto Superior Técnico nas respectivas áreas. Penso que esta aposta do CC foi fundamental para a competência, e posterior reconhecimento, dos diplomados na Licenciatura de Eng. Civil. Embora tivessem necessidade de fazer o exame à Ordem dos Engenheiros para poderem exercer, é com muito orgulho que íamos sabendo que iam passando no dito exame, e que quando confrontados no mercado de trabalho com colegas de outras instituições, embora viessem de uma escola desconhecida, quando chegavam à parte prática, as competências que demonstravam eram de tal forma superiores, que houve muitas empresas a questionarem se vinham mesmo da ESTBarreiro/IPS.
Quando a ESTBarreiro/IPS faz a mudança para as instalações definitivas em Setembro de 2007, tem a funcionar dois cursos de licenciatura: Eng. Civil e Eng. de Conservação e Reabilitação (único no país), e indo arrancar com o 3ºcurso, Eng. Química, já no formato pós-Bolonha: licenciatura de 3 anos.
Conscientes que era necessário mais um curso de licenciatura a funcionar, pois apenas o de Eng. Civil estava a conseguir captar público através do Concurso Nacional de Acesso, avançamos com o curso de licenciatura em Gestão da Construção, também ele único no país.
Neste momento, a ESTBarreiro/IPS lecciona na área da Construção, o curso de Licenciatura em Engenharia Civil, o curso de Licenciatura em Gestão da Construção, ambos em regime diurno e nocturno, o Mestrado em Construção Civil, a Pós-Graduação em Conservação e Reabilitação do Edificado e o Curso de Especialização Tecnológica em Construção e Obras Públicas. O Mestrado está orientado para conferir uma especialização em duas áreas: da Construção e Estruturas, ambas de natureza profissional, aprofundando, desenvolvendo e profissionalizando os conhecimentos adquiridos ao nível da Licenciatura em Engenharia Civil. Para além da área da Construção, a ESTBarreiro/IPS oferece a área da Química com o curso de licenciatura em Engenharia Química e o Curso de Especialização Tecnológica em Técnico de Laboratório. A Escola pretende formar técnicos capazes de responder às reais necessidades do país, conscientes da sua responsabilidade ética e deontológica e cientes da importância da reciclagem dos seus saberes.
Continuando a querer apostar na formação, para 2012 a ESTBarreiro/IPS submeteu à A3ES o curso de Licenciatura em Biotecnologia e o curso de Mestrado em Engenharia de Conservação e Reabilitação do Edificado.
Posso assim dizer que, nestes primeiros 10 anos, a grande preocupação da Direcção foi montar e estruturar um estabelecimento de Ensino Superior: colocar cursos a funcionar, contratar pessoal docente competente, tratar de instalações definitivas e captar público para as suas formações.
O ano de 2011 foi o ano em que a ESTBarreiro/IPS incrementa a aposta na sua divulgação na região em que se insere, e na qual o diário Rostos.pt tem sido um parceiro de excelência. É na comunidade envolvente que reside o principal público-alvo da Escola e o principal empregador. O investimento até à data realizado não pode ser considerado suficiente e, como tal, é necessário fortalecer o relacionamento com a comunidade, quer a nível de parcerias/protocolos, quer a nível de prestação de serviços. Em 2012, esta será uma das áreas de forte de investimento, continuando a concretizar as parcerias já assinadas, e envolvendo-se ainda mais com a comunidade envolvente.
Otília Dias
Directora da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro / Instituto Politécnico de Setúbal
26.12.2011 - 20:02
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