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BARREIRO
MORRER NO SILÊNCIO E .... FICARMOS NO SILÊNCIO
Por Padre José Manuel

BARREIRO<br>
MORRER NO SILÊNCIO E .... FICARMOS NO SILÊNCIO<br>
Por Padre José Manuel . PEÇO AJUDA DE TODOS!

No dia 15 de Outubro encontrei o Armando às 07h30, desfalecido por detrás das capelas mortuárias. Imediatamente chamei o INEM, PSP, Contactei o delegado de saúde, os Assuntos Sociais da CMB, etc...
Como senti a indiferença pelos os mais fragilizados, através daqueles que falam muitas vezes em nome da coesão social. Quando os Assuntos Sociais da CMB refere que este assunto não era da sua responsabilidade.

PEÇO AJUDA DE TODOS!

Sou o pároco do Lavradio, Barreiro. Há mais de três anos dedico a minha vida aos outros, nas coisas simples do dia a dia: dar de comer quem tem fome, dar de beber quem tem sede, cuidar da saúde e prepondo caminhos de esperança...
Temos imensas famílias com crianças que vem de todos os lados bater-nos á nossa porta. São diversas as situações!
Acolhemos pessoa que vem comer todos os dias, menos ao domingo.
E um deles é o Armando de 51 anos.
Esta pessoa, vive só. Não tem família. Tem graves problemas de saúde e agora mentais. Fisicamente de pele e osso. São já as várias vezes que chamo o INEM, mas passando poucas horas está cá fora. Já se alimenta mal. Bebia ultimamente líquidos.

A casa dele é rendada, não tem água e nem luz, pois não paga à três anos renda ao senhorio que mora no mesmo prédio. A sua casa conheço-a bem: tive que ir um dia lá pelas 01h00 de madrugada com o delegado de saúde do Barreiro, com uma vela, emprestada pela vizinha do lado. Impressionante! Saí a vomitar! Até um cão penso que escolheria o melhor lugar.
O Armando era muito acolhido no nosso bairro. Hoje toda a gente pregunta por ele.

No dia 15 de Outubro encontrei o Armando às 07h30, desfalecido por detrás das capelas mortuárias. Imediatamente chamei o INEM, PSP, Contactei o delegado de saúde, os Assuntos Sociais da CMB, etc...
Como senti a indiferença pelos os mais fragilizados, através daqueles que falam muitas vezes em nome da coesão social. Quando os Assuntos Sociais da CMB refere que este assunto não era da sua responsabilidade.
Foi de desespero, quando pela tarde do dia 15 vejo novamente o Armando ao pé da Igreja de pele e osso e perguntei: Já do Hospital?!. Ele disse-me que os médicos empurravam de uns para outros. Imediatamente contactei a Cáritas de Setúbal que ao final do dia mandaram a Cruz vermelha do Seixal, para o levar, por uma noite. Uma instituição que acolhe apenas por uma noite. No dia 16 de outubro o Armando foi acompanhado pela Cruz vermelha para a segurança Social do Barreiro. E daí...?
Durante este tempo já o Armando arrastava as pernas, rompendo os tecidos ósseos... Como a morte andasse de pé.

E assim vem o pior... Dou conta que o Armando desaparece desde segunda dia 22 de outubro, pela parte da tarde. Imediatamente tenho adicionado vários alarmes. PSP; Segurança Social; Hospital; Cáritas Portuguesa; equipa de tratamento, delegado de saúde, etc...
Ontem chamei os bombeiros e entramos pela janela (bombeiros). No primeiro momento os bombeiros vieram atrás para buscar máscaras. Imagine! Infelizmente não estava lá. Abrimos a porta. A igreja comprou uma fechadura e montou-a.
O senhorio apenas se preocupava das suas rendas. Fiz silêncio... E respondi: "Tem razão quanto às rendas, mas deixas de ter razão porque se trata de uma pessoa extremamente doente e que precisa de ser acolhido numa instituição”. Pois! Ganha apenas 180 € Quem o quer? Temos procurado Instituições da Igreja e sem ser da Igreja a primeira pergunta que fazem é quanto é que ganha e se tem herdeiros.

SINTO-ME DESACREDITADO.
DOU CONTA DA MINHA PEQUINEZ E DA MINHA FRAGILIDADE...

Urgente! O Armando está desaparecido à 4 dias, Precisa de ser acolhido numa instituição e não na mortuária da Igreja!
Quantos Armandos serão precisos para tomarmos consciência comprometedora, pelo menos como pessoas, uns com os outros.
Se fosse um filho de um turista ou de um rico teríamos um grande aparato de meios á procura dele, mas trata-se de um pobre que não tem a nada e a ninguém.
Sim tu! Podes fazer algo: estar mais atento ao teu vizinho. Quantas pessoas vivem sozinhas?...
Peço ajuda!
Pois bem desapareceu á quatro dias desde segunda-feira (dia 22 de Outubro).

pe. José Manuel

26.10.2012 - 10:50

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