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Barreiro - Colóquio em Santo André sobre o Dia Mundial do Pobre
Contou com a participação de Helena Roseta e Luís Aleluia

Barreiro - Colóquio em Santo André sobre o Dia Mundial do Pobre <br />
Contou com a participação de Helena Roseta e Luís Aleluia<br />
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No âmbito do III Dia Mundial do Pobre, a comunidade de padres dehonianos de Santo André e Alhos Vedros organizou o colóquio "Promover a pessoa em situação de pobreza" na sede da junta de freguesia.

A sede da Junta de Freguesia de Santo André foi palco de um colóquio sobre a pobreza em Portugal organizado pelos padres dehonianos das paróquias de Santo André e Alhos Vedros, e contou com a participação de algumas personalidades mediáticas, como o actor Luís Aleluia (mais conhecido pelo seu papel de "Menino Tonecas"), Helena Roseta (política), Padre Pedro Quintela e Eugénio da Fonseca, representantes respectivamente do Vale de Ácor e da Cáritas Setúbal.

O tema era bastante complexo e cada um dos testemunhos elucidou sobre a dimensão do problema perante um público com mais de quarenta pessoas presentes. O padre Pedro Quintela, conhecedor dos meios de recuperação de toxicodependentes na Associação Vale de Acor, capelão no Estabelecimento Prisional de Setúbal e sacerdote no Bairro do Segundo Torrão na Trafaria, mostrou as várias vertentes do que é ser pobre. Pegando nalgumas reflexões do Papa Francisco, dissertou sobre a necessidade de se viver em comunidade, no que é ser pobre numa cidade, no anonimato que isso oferece, e de como um ser humano se transforma num número. Nos vários exemplos que deu sobre o trabalho exercido nas várias instituições que representa, salientou a necessidade de individualizar e humanizar os que lá entram, com uma festa de aniversário. Ser novamente tratado pelo nome, celebrar uma data de nascimento ao lado de alguém que canta os prarabéns, suaviza e dignifica o empoderamento de cada um.

Eugénio de Almeida preferiu realçar números assustadores. Cerca de 2,2 milhões de pessoas em Portugal vive na pobreza, ou seja, 21,6 % da população. A urgência de dar voz aos pobres, paralelo a políticas de combate às baixas qualificações, aos idosos que têm dificuldades em aceder às novas tecnologias, aos salários precários, são medidas que deverão fazer parte das agendas de qualquer programa partidário, sem esquecer a necessidade de se contratualizar um acordo.

Helena Roseta apresentou uma terceira opinião. Começando com a descrição de um episódio pessoal ocorrido em 1967, aquando das cheias do rio Tejo em que morreram cerca de 700 pessoas, e em que a censura política teimava em abafar a catástrofe, introduziu o público sobre onde e em que condições vivem os pobres. A sua experiência na arquitectura, na reconfiguração dos bairros problemáticos na cintura de Lisboa, que a própria insiste na redefinição como "bairros prioritários, porque são bairros com necessidades urgentes", mostra a multidimensionalidade da pobreza. E para combatê-la, há que erradicar o analfabetismo, a falta de captação da informação, reforçar a criação de redes informais e instituições locais. É sempre possível melhorar um pouco o que já está mal.

Por sua vez, o actor Luís Aleluia ofereceu um panorama totalmente distinto dos anteriores convidados. Oriundo de uma família bastante humilde de Setúbal, cedo ingressou na Casa do Gaiato e aí permaneceu até ingressar no mundo profissional. Ontem fez questão de vincar a sua afectividade à instituição, e que defende com bastante pujança. Se se puder resumir as suas palavras, poder-se-á frisar a desconstrução da ideia da fatalidade do pobre. Diz o actor que "o pobre não tem de morrer pobre", e por isso investe em associações filantrópicas, acredita na reversão da pobreza e no decréscimo do fosso entre ricos e pobres. Entre as muitas ideias sugeridas, a mais original destaca-se na observação individual das capacidades de laboração das pessoas pobres. Em locais onde se preste o auxílio a pessoas carenciadas, deveria estar disposto um placard de anúncios de emprego, pontual ou fixo. Há sempre um pobre que por vergonha, receia procurar emprego.

Todos os convidados apontaram outras soluções, outras ideias. Caracterizaram situações delicadas e sensíveis. Mas todos concordaram num ponto, que é preciso debater e mostrar à comunidade que existe pobreza, existem pobres, e certamente muitos vivem nas imediações.

Texto: Gonçalo Graça
Foto: João Paulo Nunes

13.11.2019 - 11:17

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