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Presidente a Câmara Municipal do Barreiro no 32º aniversário da Cidade
A habitação e o edificado é um dos problemas sérios com que o concelho se debate.

Presidente a Câmara Municipal do Barreiro no 32º aniversário da Cidade<br />
A habitação e o edificado é um dos problemas sérios com que o concelho se debate.<br />
. É necessário persistentemente intervir para que o novo terminal multimodal do porto de Lisboa se localizem no território da Baía do Tejo

"Temos habitações vagas e a mais e temos gente sem casa. São milhares as habitações vagas e com autorização para serem construídas. Estas são algumas das razões de zonas do concelho com habitações degradas ou muito degradadas", sublinhou Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, no decorrer da Sessão de Entrega do Galardão do Barreiro Reconhecido.

"Enquanto não reganharmos população será muito difícil resolver este problema. Necessitamos de atrair gente, ou o que acontecerá é que sairão de uma zona do concelho para outra, povoamos uma, despovoamos outra", acrescentou o autarca.

Divulgamos o texto integral da intervenção do Senhor Presidente a Câmara Municipal do Barreiro
32º aniversário da Cidade
Auditório Municipal Augusto Cabrita, 28 de Junho de 2016

Boa Tarde,
Através dos homenageados do dia de hoje, saúdo todos os presentes, instituições, personalidades, movimento associativo, eleitos autárquicos, cidadãos em geral.

A todos o meu obrigado pela vossa presença, neste dia de significado particular para o Barreiro.
O Barreiro, terra de trabalho, terra de combate, de associativismo, terra de cultura, desporto e solidariedade.
O Barreiro terra de liberdade, de luta, de reivindicação, de proposta.
O Barreiro que ao longo de séculos soube assumir um papel de topo nas tecnologias, na revolução técnico-cientifica encontra-se hoje numa importante fase de opções com vista ao seu presente e futuro.
O País atravessa uma década muito difícil em que por imposição externa nos obriga a por em causa direitos, a amplos sectores da população em que a economia funciona com imensa dificuldade, em que o poder local tem sido fortemente afetado na sua autonomia e nos seus meios, em que o país empobreceu e continuou a perder independência económica.
A nossa terra tem sido, como é reconhecido, afetada por este ciclo da vida nacional e europeia.
Já há uma década obrigaram o país, a reduzir atividades económicas, a reestruturar a nossa frota piscatória, a reduzir dramaticamente a atividade agrícola e a fechar unidades de atividades industriais em que tínhamos tradições.
Este percurso levou a crises profundas nos país e particularmente, no distrito de Setúbal, e em particular na Península.

No Barreiro a opção que os governos da época tomaram e fomentaram causaram sérias dificuldades com o encerramento da atividade industrial, de forma brutal, sem que se tivesse ponderado como aproveitar a experiência do saber fazer de milhares de trabalhadores, de territórios com potencialidades, com personalidade, com importantes infraestruturas. Isto teve as consequências que hoje conhecemos de perda de população, de envelhecimento, de importantes zonas com o edificado degradado, de problemas sociais de dimensão relevante.
Estas práticas que foram potenciadas nas últimas décadas não servem o país, não servem a região, não servem o concelho.
Em minha opinião também não servem a europa.
Nós em Portugal, na região e no concelho, necessitamos de investimentos produtivos de carater público ou privado.
A nossa terra, o Barreiro, continua disponível para permanecer ao serviço do desenvolvimento da pátria portuguesa e dos portugueses e naturalmente que isso traga desenvolvimento e qualidade de vida ao Concelho.

O Barreiro tem um passado que valorizamos, tem um presente desafiante e tem um futuro que adivinhamos positivo.

Evidentemente que temos que reconhecer que a evolução do Barreiro não se desliga da evolução do mundo e do país.
Hoje ao olharmos para o que nos rodeia vimos sinais contraditórios e alguns deles muito preocupantes.

Afirmamos que o Barreiro tem futuro, mas tem que construi-lo com as suas próprias forças, atraindo para o nosso lado outros que connosco queiram aproveitar o nosso território para tentar fomentar o crescimento económico, o crescimento sustentável da região e do país.

O Barreiro tem futuro!

Pelo posicionamento estratégico, pelo amor que os barreirenses têm à sua terra, pelas características específicas da sua população, pela experiência de trabalho, de fazer em conjunto, de associativismo, de participação, de cultura, pela sua importante frente ribeirinha, pelos significativos territórios com área disponível para a atividade económica.

Minhas senhoras e meus senhores,
Queremos para a nossa terra, e é com essa intenção que trabalhamos, para dar passos para que até 2030 possamos construir desenvolvimento económico, ambiental, social e cultural. Para isso necessitamos de uma intervenção de todos os que quiserem fazer este caminho. Não podemos excluir ninguém.

Todos contam!
Todas as opiniões devem ser avaliadas. As opções têm de ser assumidas e justificadas. Temos potencialidades para fazer este caminho, mas é necessário não ter ilusões. Vivemos tempos difíceis. Vivemos tempos em que tudo é mais difícil, mas temos força anímica, temos estratégia e temos uma importante equipa que sois todos vós, que somos todos nós.

É necessário persistentemente intervir para que o novo terminal multimodal do porto de Lisboa se localizem no território da Baía do Tejo, ex CUF/Quimigal e que seja uma alavanca para atrair nova atividade económica incluindo as tecnologias de ponta que ajudarão a que este território se abra à cidade e consolide a sua proximidade.
Que os restantes territórios com funções empresariais se dinamizem, particularmente Coina, Rebelas, Sete Portais.
Que as importantes acessibilidades em falta para o país, para a região e para o concelho, sejam concretizadas.
A Terceira Travessia do Tejo (TTT) com funções ferro/rodoviárias, projeto estratégico, para o pais, para ligação ferroviária à Europa e para contribuir para a construção da Lisboa Cidade Região. Mas também a ligação Barreiro-Seixal e continuar a ponderar conjuntamente com outros municípios os prós e os contras da construção de uma ligação Barreiro- Ponte Vasco da Gama.
A Manutenção e desenvolvimento de um importante polo ferroviário, com mais transporte ferroviário de mercadorias e de pessoas que aproveitemos independentemente, da sua futura localização, o importante terminal fluvial de ligação a lisboa e que transforma hoje o estuário do tejo no quarto mais importante estuário do mundo.

A aposta no aproveitamento integral das importantes frentes ribeirinhas do Tejo e do Coina são investimentos quantitativamente e qualitativamente importantes. Para os quais são necessários tempo e meios financeiros.

Demos importantes passos e outros estão em preparação como a compra da Quinta do Brancamp, um estudo global da área que vai do Clube Naval passando pela ponta do Mexilhoeiro, Brancamp, Alburrica, Caldeira e Moinho até à antiga estação fluvial da Avenida de Sapadores. A construção do barco Muleta do Tejo, tem para nós uma importância e significado relevante.
Prevemos no início de 2017 realizar várias intervenções nos moinhos de vento e em alguns moinhos de maré e na sua envolvente.

Esta estratégia poderá ter efeitos na atividade económica e de desportos náuticos com significado.

Também os transportes Colectivos do Barreiro têm uma importância estratégica para o presente e o futuro do Barreiro, tanto do ponto de vista das vivências quotidianas, como para a atividade económica e como fator diferenciador.

Por isso é uma aposta a continuar. Estudamos a possibilidade de encontrar financiamento que permita a renovação da frota com veículos a gaz.

A aposta nas tecnologias e na inovação é para continuar.
Aproveito para informar que no dia 4 de Julho faremos importantes alterações nos percursos das carreiras. Iniciaremos uma carreira circular às freguesias de Palhais e Santo António que permitirá maior frequência servindo melhor a estação ferroviária de Coina e o Centro de Saúde de Santo António. Iniciaremos, também, o serviço às freguesias da Baixa da Banheira, de Alhos Vedros e Vale da Amoreira que permitirá servir melhor a zona dos Fidalguinhos.
Também o serviço de Águas, Saneamento e Resíduos passa por qualificação muito importante. Começa a ser uma referência.
Informo que apresentaremos, por estes dias, uma candidatura de cerca de 3 milhões de euros que a ser aprovada nos permitirá a resolução de alguns problemas pontuais incluindo em algumas das Augi´s que connosco queiram avançar. Também no que diz respeito aos esgotos com origem industrial, está em vias de ficar quase integralmente resolvido: Nova AP já está a tratar, a Baia Tejo assinou protocolo e está em fase de projeto, A Fisipe vai assinar contrato no mês de Julho.

A Mata e o sapal de Coina são importantes infraestruturas ambientais que é necessário continuar a preservar, valorizar e será um significativo ativo da estratégia de desenvolvimento.

Muita atenção vai continuar a ser necessário dar-lhe.

As questões da eficiência energética, dos sistemas de mobilidade inteligente de transportes, transportes mais eficientes e mais amigos do ambiente, o papel dos transportes individual e do transporte coletivo, as questões do estacionamento associado à bilhética, as poupanças da água, a redução das perdas, uma gestão mais eficiente e eficaz no sistema de águas e saneamento.

Uma intervenção sistemática e qualificada na melhoria dos serviços públicos, particularmente na exigência da melhoria dos serviços prestados no Centro hospital Barreiro-Montijo em articulação com os hospitais de Almada e Setúbal como suporte de desenvolvimento do concelho é muito importante. A necessidade de mais profissionais de saúde, de mais tecnologia com particular atenção às urgências. Também nos cuidados primários de saúde é urgente resolver a falta de médicos de família e resolver os problemas existentes em Palhais, Coina, Santo André e Alto do Seixalinho, aqui com a construção de um novo centro de saúde para o qual a autarquia disponibiliza terreno.

É Pois necessário tanto nos cuidados hospitalares, como nos cuidados primários de saúde continuar a intervir para qualificar o Serviço Nacional de Saúde para que esteja à altura de servir a população do concelho e as suas perspetivas de desenvolvimento.

A educação, um dos grandes desafios do País, tem que ser uma aposta determinante para preparar cidadãos de corpo inteiro, sensíveis, multifacetados, conhecedores de direitos e obrigações, preparados para a vida e não apenas para o empreendedorismo e para o emprego.
A aposta em novas tecnologias é indispensável para professores e alunos, a aposta em novos equipamentos de graus de ensino é importante. Aproveito para informar que vamos avançar com obras de renovação integral da escola 3 (que substituirá as atuais escolas 3 e 4). Acabámos de submeter a candidatura para 4 novas salas nos Fidalguinhos.

É necessário que o Governo faça também um investimento no edificado dos vários graus de ensino.
É muito importante que a escola Superior de Tecnologia do Barreiro, amplie a sua atratividade. A Câmara, a Escola, os restantes graus de ensino, as empresas, todos necessitamos de trabalhar com este objetivo.

Os serviços para a terceira idade podem ser uma especificação em que no futuro temos que ir mais longe.
A aposta nas crianças e jovens é determinante.
É Necessário melhorarmos o aproveitamento das instituições, dos equipamentos, do espaço urbano, dos nossos conhecimentos para uma aposta mais dinâmica e criativa. A Escola tem de ter um importante papel.
Em conjunto temos feito bastante.
Em conjunto temos de fazer mais e melhor.
A habitação e o edificado é um dos problemas sérios com que o concelho se debate.
Temos habitações vagas e a mais e temos gente sem casa. São milhares as habitações vagas e com autorização para serem construídas. Estas são algumas das razões de zonas do concelho com habitações degradas ou muito degradadas.
Enquanto não reganharmos população será muito difícil resolver este problema. Necessitamos de atrair gente, ou o que acontecerá é que sairão de uma zona do concelho para outra, povoamos uma, despovoamos outra.
O que será adequado é reduzir a expansão urbana e nos concentrarmos na reabilitação e ocupação de vazios urbanos.
O Estado precisa de encontrar políticas coerentes que fomentem a reabilitação.
Por nós, estamos disponíveis para colaborar na ponderação e construção de uma política de reabilitação para a região e consequentemente para o concelho.

Para nós, cultura é indispensável ao desenvolvimento do concelho. Só construiremos patamares importantes no nosso desenvolvimento com uma aposta na cultura, no desporto, no associativismo, no património.
A cultura, o desporto, o associativismo, o património moageiro, ferroviário, industrial, o património imaterial, a música, as artes, as novas artes urbanas marcarão significativamente o presente e o futuro do Barreiro.
Para nós, não há desenvolvimento sem participação, sem que as pessoas sejam chamadas, sem que lhes sejam dadas oportunidades de participar, de construir. Por isso, reafirmo, que o Barreiro é de todos e conta com todos os que queiram intervir a favor da nossa terra e das nossas gentes.

Sou e sempre fui apologista de uma democracia construtiva.

No respeito integral pela democracia que está consagrada na Constituição da República Portuguesa, penso que ela tem de ser complementada pelo que apelido de democracia construtida e menos por uma democracia optativa.

Hoje é dia de homenagear personalidades do Barreiro.
Hoje é dia de através delas afirmar o Barreiro que fomos, somos e seremos.

Hoje é dia de dizermos em nome de todos nós, em nome do barreiro, muito obrigada pelo que fizeram por nós e pela nossa terra.
No corrente ano fiz 65 anos. Ao longo da vida ganhei a convicção que quando um homem sonha o mundo pula e avança e confirmei que apesar de todas as contrariedades, quando as pessoas, os povos intervêm o mundo pula e avança como uma bola colorida entre as mãos de uma criança.
A todos um muito Obrigada, a todos um abraço.

Viva o Barreiro!!!








28.06.2016 - 22:27

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