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Aprendi contigo que Liberdade rima com Dignidade
Por António Sousa Pereira
Barreiro - Almada - Alcácer do Sal

Aprendi contigo que Liberdade rima com Dignidade <br>
Por António Sousa Pereira<br>
Barreiro - Almada - Alcácer do Sal «O amor é um pássaro azul no alto da madrugada» - quem não recorda este teu grito de liberdade, editado num cartaz do ITAU, que, nós jovens, antes do 25 de Abril, partilhávamos com emoção, em gestos de amor e esperança num mundo melhor.

É, por tudo isto, que hoje e sempre, neste dia, quero deixar, um beijo para ti, minha irmã Maria Rosa Colaço!
Afinal, cá no fundo do meu coração, recordo que aprendi contigo que Liberdade rima com Dignidade!

Um dia em reportagem no concelho de Alcácer do Sal, decidi viajar até ao Torrão, onde fui conhecer a casa onde viveu Maria Rosa Colaço e visitar a sua campa, naquele lugar onde descansa e tem na sua frente uma linda paisagem, daquele Alentejo que ela sempre amou e cantou.

O tempo passa e sinto que a minha «irmã» continua a ser uma presença viva no meu pensamento. São muitas as vezes que partilho os seus textos, e através das suas palavras mergulho nas suas reflexões sobre os acontecimentos que fazem os dias.
Hoje, dia 13 de Outubro, faz oito anos que partiste, aquele dia em que eu e Manuela Fonseca, lemos um poema junto aos teus pés e lá colocámos um cravo de Abril. O Abril que marcou sempre todas as cores do teu coração.

No Torrão, concelho de Alcácer do Sal, terra onde nasceste, e, onde estás, entre flores, há memória de ti…no nome que deste à Biblioteca.
Em Almada, terra onde os teus filhos sentiram a luz do sol, e, onde, partilhaste os coros dos operários, és recordada…no nome que deram a uma escola e no Prémio Literário que te recorda.

Aqui, no Barreiro, estás presente na memória de muitos, e também por esse Portugal fora, em todos aqueles que recordam as palavras de amor escritas no teu livro «A Criança e a Vida», com tradução em diversos países.
No meu pensamento, continua presente a ternura dos teus textos, o calor da tua amizade, e aquela forma cativante como me tratavas em cartas e dedicatórias – “o meu irmão António”.

Há mulheres, como tu, que nos marcam por dentro dos nervos. Agitam-nos. Quando releio os teus textos, em dias que mergulho na solidão das palavras, procuro na fluidez dos teus textos encontrar conforto e energia, encontrando no teu exemplo, um sentido para os dias.
Todos nós temos referências na vida. Tu és uma das referências deste percurso que vivi. Porque te descobri, sem te conhecer, antes de Abril acontecer, num tempo que sonhava Liberdade, e, depois, por acasos da vida tive a honra de partilhar a tua amizade.
Pois, neste dia, como noutros, já o escrevi, recordo as tardes de “risos malucos”, entre os cheiros do Alentejo – chouriço e pão – quando nos encontrámos, na tua casa, em Almada – eu, tu e a Manuela Fonseca – para cuscar e falar da vida que acontecia e que estava para acontecer…e o sabor daquela açorda alentejana, que preparaste com carinho, para mim e para a Lurdes, na tua casa, ali para os lados da Fonte da Telha.

Recordo, sempre, os teus poemas, as tuas crónicas, uma escrita de alguém que, nunca, mesmo nunca, trocou a sua liberdade, a sua dignidade, por outras benesses, mais ou menos verdes – porque tinhas “uma gaivota azul a voar pela madrugada”.

«O amor é um pássaro azul no alto da madrugada» - quem não recorda este teu grito de liberdade, editado num cartaz do ITAU, que, nós jovens, antes do 25 de Abril, partilhávamos com emoção, em gestos de amor e esperança num mundo melhor.
É, por tudo isto, que hoje e sempre, neste dia, quero deixar, um beijo para ti, minha irmã Maria Rosa Colaço!
Afinal, cá no fundo do meu coração, recordo que aprendi contigo que Liberdade rima com Dignidade!

António Sousa Pereira

Maria Rosa Colaço – Breve Nota Biográfica

É natural do Torrão, concelho de Alcácer do Sal. Nasceu em 19 de Setembro de 1935. Saiu do Torrão ainda criança e foi para Almada. Em Almada há uma escola que tem o seu nome.
A escritora Maria Rosa Colaço, autora do livro “A Criança e a Vida” que marcou gerações, foi um símbolo de todos os que lutaram pela liberdade e sonharam com o 25 de Abril.
“Espanta Pardais” , “Maria Tonta como eu”, “Gaivota” foram algumas das suas obras que animaram e animam os trabalhos em centenas de salas de aula e contribuíram para formar gerações.
“A Criança e a Vida” foi uma obra traduzida em diversos países.

Maria Rosa Colaço, tinha 69 anos, quando faleceu, no dia 13 de Outubro de 2004, após um período de doença, durante o qual manteve sempre a sua lucidez e uma forte vontade de manter a sua actividade e os seus sonhos bem vivos.
Maria Rosa Colaço viu os seus poemas cantados e pintados. Em 1969 conquistou o Prémio Alice Gomes com o seu livro “Pássaro Branco”.
Escreveu durante alguns anos uma Crónica semanal no jornal “A Capital”, trabalhou na RTP.

13.10.2012 - 13:56

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