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Barreiro - Em Coina reviver Abril no coração
«25 de Abril, sempre!» gritaram numa só voz

Barreiro  - Em Coina reviver Abril no coração<br>
«25 de Abril, sempre!» gritaram numa só voz<br>
Vi lágrimas nos olhos. Escutei a alegria dos sons vindos de Abril. Depois do Adeus e Grândola.
E, na despedida todos gritaram comigo bem alto – “25 de Abril, sempre!”

Hoje à tarde estive no CATICA, em Coina, convidado para conversar com os idosos sobre o 25 de Abril.
São emoções muito fortes, que arrancam lágrimas, estar ali, no meio da sala, a conversar com uma geração que viveu e viu nascer Abril.
Sinto, sinto mesmo, que as minhas palavras mergulham por dentro do tempo e tocam as memórias, guardadas de um tempo gravado, com sonhos, no coração.
“O meu tio esteve no Tarrafal. Recordo o dia, era eu criança, quando foi levado para a prisão. Eu vi, ele entre dois policias. Levaram-no até à Estação. Esteve preso no Aljube, em Caxias, e, por fim foi para o Tarrafal”, recorda, emocionada uma senhora, que comigo cantou em coro a Grândola Vila Morena, e, com um grande sorriso nos olhos aplaudiu, efusivamente, no final da leitura dos poemas.
“Quem foi o seu tio?” – interroguei. “Carlos Sovela”, respondeu.

Por ali, estive a conversar sobre aquele dia, que está presente nos nervos de muitas gerações, pelos mais diversos motivos.
“Eu não estou contra o 25 de Abril. Mas o 25 de Abril tirou-me tudo o que eu tinha. Eu estava em Moçambique, um dia chegaram junto da minha casa mandaram-me sair a mim e minha família e disseram: ‘esta casa já não é sua’. Regressei a Portugal sem nada e aqui nada me deram”, comenta uma senhora com um brilho nos olhos.
“Eu não sou contra o 25 de Abril, mas o 25 de Abril tirou-me tudo”, repete, com emoção nos olhos.

Eu olhei para ela e comentei – “Sabe, nestes dias da Páscoa fui à minha terra, passei pelo cemitério, onde visitei os meus mortos. Também ali, estive junto ao meu primo Zé António, quer foi morto, à saída da fábrica, numa rebelião, que ocorreu em Lourenço Marques. Ele e outros, a sangue frio assassinados. Uma revolução tem sempre estes dramas que marcam muitas vidas”.

Ali estive a recordar as memórias de um tempo que se canta e diz Liberdade. Uma data que marca a história de Portugal, inscrevendo-se no tempo que fomos e somos, aqui e no mundo.
Vi lágrimas nos olhos. Escutei a alegria dos sons vindos de Abril. Depois do Adeus e Grândola.
E, na despedida todos gritaram comigo bem alto – “25 de Abril, sempre!”

Nestes momentos, sinto a Liberdade a pulsar nos nervos e recordo o calor de Abril antes de Abril nascer, porque o 25 de Abril, era um tempo anunciado, a florir no coração de muitos que resistiram, lutaram, caíram, para que, num dia de Primavera, um cravo a florir numa arma, ficasse com exemplo para o mundo – um símbolo de Liberdade.
Obrigado, pelo vosso carinho. Obrigado pelo vosso Obrigado. Gostei de estar ali, em Coina, no CATICA, a reviver Abril no coração!

António Sousa Pereira

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23.04.2019 - 17:12

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