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Quinta Braamcamp vai ser vendida para ter sustentabilidade económica
Posições politicas de Bruno Vitorino venceram

Quinta Braamcamp vai ser vendida para ter sustentabilidade económica<br>
Posições politicas de Bruno Vitorino venceram<br>
. Vão criar uma zona de cidade destinada a elites económicas.

O que fica claro é que perante esta decisão não há uma ideia de cidade, não existe um conceito de zona ribeirinha, não há uma visão de sustentabilidade ambiental. Há uma janela de oportunidade. Há um momento de mercado. Há conceitos programáticos e ideológicos, com visões economicistas.

A última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro é um exemplo vivo, que demonstra falta de diálogo e a inexistência de negociação politica institucional, que respeite a pluralidade do órgão.
É-me completamente indiferente, até, que se recorra a exemplos de «perseguições», «silenciamentos», e outras coisas mais, eventualmente ocorridas no século XX, para justificar comportamentos vividos neste século XXI. Os erros dos outros não podem ser justificação para ser igual na forma e conteúdo.

O PS a força politica que conquistou a liderança da autarquia, perante o PSD, que é uma força politica minoritária no órgão, mas que desempenha um papel politico de charneira, conversa, dialoga, aceita sugestões, conversa, estabelece acordos prévios. O respeitinho é muito bonito. É assim uma espécie de dobrar a cabeça para quem se precisa (ou quando se precisa) e espezinhar quem não se precisa ( ou quando não se precisa).
A CDU só é escutada nas reuniões. Pelas vistos, não existe qualquer diálogo prévio que contribuísse para tornar as reuniões de Câmara espaço de debate politico e não, naquilo que se transformou, uma mesa de debate de pormenores, de redundâncias e de pseudo conflitos politicos, que deviam previamente ser esclarecidos, com a CDU, como é feito com o PSD. Chama-se a isso diálogo institucional. Liderança colaborativa.

O PSD tem todo o espaço politico para estar à vontade no confronto de ideias. Já acordou o que queria acordar. Já deixou claros os seus argumentos e linhas vermelhas.
Portanto, a sua intervenção limita-se ao politicamente necessário. Aliar-se ao PS para combater os argumentos da CDU. Alguns fazem parte do léxico estratégico – a não atracção de investimento, o marasmo do Barreiro, a cidade degradada, o privado se faz melhor que faça, acabe-se com o serviço público. Ontem até chegou ao «mais privado – menos Câmara». Por vezes, a intervenção tocou a dimensão do discurso do «Chega».
O PSD agradece e utiliza de forma plena essa subserviência do PS, e, quando é preciso puxa-lhe as orelhas.
Por exemplo, alertado pela intervenção de Rui Lopo, da CDU, para a eventual existência no Caderno de Encargos de uma janela de oportunidade visando perspectivar a construção de «Roda Gigante». O tal equipamento com sazonalidade.
O vereador social democrata ergueu a voz para dizer que não alinhava em aventuras – “não vale a pena pensar nisso”, isso “é um absurdo”.
Recordou que uma «Roda Gigante», como a de Londres poderá ter um custo de 70 milhões de euros, e com uma altura na ordem dos 140 metros. Uma roda destas é impossivel, sublinhou. Tudo o resto é brincar – “não alinho em desejos”.
Pois, o autarca do PSD, percebeu se uma qualquer «Roda Gigante» for viabilizada neste negócio, torna-se real que o PS, assim, com todo este processo vai cumprir a sua “visão e ambição”, através da qual motivou o eleitorado. Se isto acontece, lá se vão por água abaixo todos os argumentos e criticas de “gozo politico”. O PS com esta jogada mata dois coelhos de uma cajadada – CDU e PSD. Lá se vai o cenário do regresso da CDU, e, até quem sabe, fique pelo caminho o papel de «charneira».

Certamente, não foi por mero acaso que o deputado do PSD, após refutar esta «Roda Gigante» de circo, entrou no seu momento de apoteose, afirmando-se como a 3ª via para o Barreiro – “se os eleitores barreirenses quiserem”, e, findando esta sua intervenção dando importância politica local do PSD como sendo o partido que tem a «visão da Liberdade».

A estratégia do PSD, em toda a reunião, foi falar o menos possível – já tinha falado previamente – e limitou-se a atacar ferozmente os eleitos da CDU, voltando a discursos que só faltou rotular a CDU de «exterma esquerda». Quanto ao PS nem lhe deu importância, sabe que o tem nas mãos. O PS treme só de ver o vereador do PSD abrir os olhos, perde para a direita os sorrisos trocistas que faz para a sua esquerda...coisas!

O PSD pelas suas intervenções iniciais, parecia que tinha como opção de voto o SIM. Até foi buscar memórias de coerência a intervenções do mandato anterior, quando estava com a CDU na sua gestão e partilha, como demonstração da sua verticalidade. Isso nem era necessário.
Depois com o decorrer do debate, com as muitas questões de âmbito jurídico e posições da CDU, o PSD começou a dar a volta ao discurso. Um pouco zangado com a CDU. E acabou na abstenção no voto e no discurso politico, quase exigindo que as questões levantadas pela CDU, deviam ser apreciadas pelos juristas e se necessário voltar à reunião da CMB.

Uma coisa pode dizer, essa é uma verdade. Se há força politica no Barreiro, ao nível do Poder Local, que tem sido sempre exemplar, no assumir pelouros, com PS ou CDU, e, mantendo sempre as suas posições sem cedências ideológicas, tem sido o PSD. Recordo que no tempo da CDU, cheguei a comentar que a liderança da CMB, tinha um grande estômago, tantas, eram, por vezes, as provocações para pressionar que lhe fosse retirado o pelouro e fazer o papel de vitima.
Só que, sendo Bruno Vitorino, um senhor da politica local, com grande nível, tinha do outro lado, um grande senhor a quem, ainda hoje, o Barreiro tem uma divida de gratidão, até, a própria Quinta Braamcamp. É verdade foi um grande presidente.

Aliás, foi giro, aquele momento zen quando o actual presidente decidiu recordar as intervenções do ex-presidente da Câmara sobre esta matéria da Quinta Braamcamp, para justificar a sua opção. Foi a verdade, assim como as castanhas a estalar nas mãos, sim, a verdade pura e dura ficou dita, ali, com a sua opinião – que defendia colocar a Quinta ao serviço da comunidade, que a construção de habitação não era o caminho, podia ser abordado, mas era para retirar do imobiliário. Nada do que hoje é proposto.

Nem percebo porque é preciso ir buscar decisões anteriores para justificar uma coisa que se diz, com toda a convicção, que é a melhor solução para os interesses do Barreiro. Será que precisam atacar o decisor da compra, para se autojustificarem e fazer uma catarse? Não se percebe este complexo de inferioridade politica que se sente existir em relação ao anterior presidente.

Em suma, para ficar por aqui, na reunião de ontem da Câmara Municipal do Barreiro com o único ponto da ordem de trabalhos a tomada de decisões do processo relativo à venda da Quinta Braamcamp, definição de Cadernos de Encargos e procedimentos sobre este processo, a votação final não causou qualquer surpresa, pelas diversas tomadas de posição do vereador social democrata, a única dúvida que existia era se votava favoravelmente ou se optava, como fez, pela abstenção, deixando nas mãos do presidente a decisão final, através do uso do voto de qualidade.
Enfim, fez como Salomão. Pegou na criança, ameaçou cortar ao meio. Concluiu que a CDU tendo razão, não podia ter razão. O PS não tendo toda a razão, mas tem aquela razão que nasce de seguir a linha de pensar da sustentabilidade económica – da redução de impostos, sugeridas pelo PSD. Mas não é o PSD. Portanto não se divide a criança. Entrega-se ao Presidente. Ele que decida. Autorizo que decidas mas, tem cuidado com isso da «Roda Gigante». Não quero brincadeiras!

Os argumentos em confronto, no geral, já eram públicos, quer através de documentos difundidos ou iniciativas promovidas pelos três partidos que integram o executivo municipal. Já se sabia a posição da CDU – contra a venda, contra o projecto imobiliário. Já se sabia a posição do PS – pela venda, pelo projecto imobiliário e contrapartidas. A dúvida, quase sem dúvidas, mas com o suspense necessário para gerar o menor impacto politico, era guardar até ao limite a opção de voto PSD. Que acredito foi decidida no decorrer da discussão, pela posição positiva da argumentação da CDU.

O que fica claro é que perante esta decisão não há uma ideia de cidade, não existe um conceito de zona ribeirinha, não há uma visão de sustentabilidade ambiental. Há uma janela de oportunidade. Há um momento de mercado. Há conceitos programáticos e ideológicos, com visões economicistas. Puro e duro, atingindo um visão liberal de fazer cidade – trazer para a cidade pessoas que optam por habitação de alta qualidade. Criar uma zona de cidade para pessoas com grande poder económico. Enfim, pensamento estruturante de grande visão.

Se me perguntassem quem ganhou politicamente o debate nesta reunião de Câmara, prontamente respondia que foi Bruno Vitorino.
Bruno Vitorino que politicamente ganha espaço ao PS e no discurso politico procura arrumar todos os que venham opor-se à direita, nem o «Chega» o batia no ataque politico que fez à CDU.
O PSD é no plano politico local, é cada vez mais a força que mais politica faz, leva o PS a reboque, usa o PS para tirar a CDU do caminho. Primeiro, com o apoio do PS, tenta arrumar a CDU, depois, com o discurso do marasmo e do atraso do concelho, da região e do país, devido às forças socialistas e socializantes, assume-se como 3ª via para o concelho. Foi um intervenção política pensada e estrategicamente estruturada. Podemos não concordar com as ideias, mas que foi uma intervenção politica de cinco estrelas, lá isso foi.

Hoje a politica no concelho do Barreiro faz-se ao redor das reuniões de Câmara. Os restantes órgãos são para decidir aquilo que a Câmara decide, um ou outro arrufo é circunstancial, e, ali, de facto só acontecem, nomeadamente na AMB, quando o PSD considerar que isso esvazia o PS. O adversário para que o PSD seja alternativa ao PS é o PS. A CDU é alternância ao PS. Eles digladiam-se. O PSD atiça e mete-se de fora. Eles que se matem. O PS que trate da CDU. O PSD ajuda nesse combate.

Nesta reunião o vencedor foi Bruno Vitorino, PSD, logo seguido de Rui Lopo, da CDU, que foi excelente na argumentação e, felizmente, sintético. Aos dois um MUITO BOM. Nota 10.

No segundo plano do debate ficaram, também em igualdade, com intervenções mais elaboradas e argumentativas, mas com nível politico – Rui Braga, PS, Ex-aequo com Sofia Martins, CDU. Aos dois BOM. Nota 9.
Paulo André, CDU, e, João Pintassilgo, PS, ambos com intervenções mais emocionais, politicamente com conteúdo de percepções, ligados a experiências de vida. Deram o lado humanista do debate. Ambos merecedores do Suficiente Mais. Nota 8.
Sónia Lobo, CDU, e, Sara Ferreira, PS, intervenções pontuais, mais para marcar presença e tomar posição no debate, justificando as opções de voto. Ambas a nota Suficiente. Nota 7.

Frederico Rosa, praticamente optou pelo silêncio. O argumento mais forte que utilizou foi justificar a venda com outras vendas, falando do caso Kiana. Não se percebe a relação. Ponto final. Silêncio. Uma intervenção politica quase nula, que se barricou atrás de Rui Braga, como é habitual. Foi insuficiente. Nota 5.

Por fim, se fosse uma sondagem, o período de intervenção do público, com seis inscrições – três a afirmar o seu total apartidarismo. Uma a defender a venda, porque a CMB não tem dinheiro. As restantes cinco contra a venda. A sondagem era contra a venda.
O público mereceu nota 10. Intervenções serenas. Rispidas. A indignação vivida democraticamente. Fez recordar outros tempos de outros indignados.

Foi uma sessão histórica. Porque o futuro do Barreiro começou a ser escrito neste dia. Fico por aqui...

António Sousa Pereira

13.11.2019 - 00:41

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