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Barreiro - Processo de requalificação da Quinta do Braamcamp
Estuário do Tejo o seu habitat deveria ser protegido e não destruído
. PAN VOTOU CONTRA

Barreiro - Processo de requalificação da Quinta do Braamcamp<br>
Estuário do Tejo o seu habitat deveria ser protegido e não destruído<br>
. PAN VOTOU CONTRA Houve da parte do proponente a elaboração de uma sondagem telefónica, certamente elaborada de acordo com métodos estatisticamente fiáveis, mas, sejamos sinceros, com questões claramente orientadas.

Sim, o Barreiro pode atrair e fixar população, mas não necessariamente transformando-se num concelho frenético e tendo o seu espaço cada vez mais ocupado por aviões a sobrevoar, camiões ou comboios a atravessar o concelho a meio e novas estradas e novos blocos de habitação construídos em zonas sensíveis, ainda mais considerando a enorme quantidade de fogos devolutos e prédios inteiros que permanecem inacabados.

Assembleia Municipal do Barreiro
Intervenção do PAN
Projeto de requalificação da Quinta do Braamcamp

Assinalar a desproporcionalidade entre o debate político sobre o tema e a importância do tema na vida do concelho.
Sim, porque é do concelho que estamos a falar e quando se aborda esta parcela de território e se o adjetiva de joia da coroa do Barreiro ou de um território com uma importância decisiva para o futuro do concelho, questionamonos sobre o que pensarão, por exemplo, os habitantes de Coina, onde existe um palácio, mas a degradar-se e onde não se perceciona que algo esteja a ser feito para impedir a sua ruína completa e deterioração absoluta.

E a desproporcionalidade vem daí, de a quase totalidade do debate político, seja feito em sedes próprias ou seja efetuado nos mais diversos meios, físicos ou virtuais, versar sobre a Quinta do Braamcamp e sobre o que dela fazer e praticamente remeter para pequenos apontamentos pontuais outras preocupações, das quais poderemos referir a mais importante e decisiva de todas: o forte impacto que as alterações climáticas terão em todo o concelho. É certo que sobre a Quinta, mas também e igualmente com o mesmo impacto noutros pontos do território, do qual podemos exemplificar o Bairro das Palmeiras, mas com o qual ninguém se parece preocupar, certamente por não ser considerada uma zona nobre.

Não é a joia da coroa, pois terá o mesmo valor e importância que outras parcelas do território concelhio terão para os moradores ou frequentadores dessas mesmas parcelas de território, nem é decisivo, pois lembremo-nos que na verdade o Barreiro tem feito o seu percurso sem que os seus habitantes tenham usufruído de facto e na plenitude das características da Quinta, nunca tendo esta sido um espaço dinamizador e de usufruto para os barreirenses, pelo contrário, sempre foi um espaço vedado, segregado, vigiado e sem qualquer contiguidade territorial com os espaços adjacentes.

E já que falamos de alterações climáticas, ainda mais importante do que imaginarmos as consequências que recairão sobre o território da Quinta, será vivermos com base numa série de comportamentos (ao nível do consumo, da alimentação ou da mobilidade, por exemplo) que poderão ajudar a que esses efeitos não se sintam com a força que as mais recentes previsões nos evidenciam.

Prevenir é sempre essencial e não tomemos hoje as devidas precauções e toda aquela parcela de terra poderá, daqui a umas décadas, não ser mais do que uma pradaria marítimo-fluvial, sejam construídos prédios ou plantadas árvores. Mas acreditamos que com as decisões certas, pessoais e institucionais, ainda iremos a tempo. Ou seja, ao invés de nos lamentarmos antecipadamente de que as marés invadiram os moinhos ou inundaram as habitações, tomemos hoje as ações necessárias para que as marés não venham a tomar o lugar da terra.

Aliás, certamente que os instrumentos de gestão territorial que serviram de base a todo o estudo, estarão desfasados da realidade que se antecipa, pois a potencialidade de ocorrência de inundações com efeitos irreversíveis e dificilmente quantificáveis para toda aquela zona, socorrendo-nos do conceito do princípio de precaução, deveria por si só ser elemento impeditivo de construção do que quer que fosse naquele território.

E temos as aves, por exemplo as garças que nidificam nos pinheiros que existem ao longo do talude que corre a caldeira da Braamcamp de nascente a poente, que ali aterram por volta de março para ter as crias e abandonam o local no final do verão, sendo que estas aves estão a abandonar cada vez mais os seus territórios habituais no Alentejo e no Algarve e a escolher territórios mais a norte, onde se inclui o estuário do Tejo, pelo que o seu habitat, já sob pressão, deveria ser protegido e não destruído.

Sim, o Barreiro pode atrair e fixar população, mas não necessariamente transformando-se num concelho frenético e tendo o seu espaço cada vez mais ocupado por aviões a sobrevoar, camiões ou comboios a atravessar o concelho a meio e novas estradas e novos blocos de habitação construídos em zonas sensíveis, ainda mais considerando a enorme quantidade de fogos devolutos e prédios inteiros que permanecem inacabados.

Temos a ambição de que o Barreiro possa ser conhecido e procurado por ser uma cidade ambientalmente saudável e sustentável e com espaços verdes e de lazer ao longo de todo o concelho, que possam proporcionar a tranquilidade que a maior parte das pessoas cada vez mais deseja.

Refletimos também sobre a forma mais justa de os cidadãos darem a sua palavra sobre a questão que agora se nos coloca, do projeto de requalificação da Quinta do Braamcamp.
Houve da parte do proponente a elaboração de uma sondagem telefónica, certamente elaborada de acordo com métodos estatisticamente fiáveis, mas, sejamos sinceros, com questões claramente orientadas. Da parte de um movimento que se opõe à proposta, houve a entrega de uma petição, que tendo, é certo, um número notável de assinaturas, não deixa de ser, pela própria natureza da figura da petição, um documento parcial, apesar de inteiramente legítimo.

Cremos e não somos os primeiros a referir tal solução, que se perdeu uma hipótese de, mais do que com sondagens ou petições, se auscultar de facto toda a população do Barreiro, através da realização de um referendo local. Porque certas decisões não têm de passar apenas pela representação política formal, que se é certo que é representativa, não é e não pode ser aglutinadora da vontade das populações.

O que fazer então daquele território e como o aproveitar? Temos ideias, obviamente e seremos sempre a favor da avaliação de soluções alternativas, numa lógica de defesa do ambiente, da paisagem, da fauna e flora locais e de valorização da frente ribeirinha do nosso concelho.

Barreiro, 27 de novembro de 2019

28.11.2019 - 17:25

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