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O Diário da Stôra a cinco anos da Aposentação
A minha ida a Lisboa no dia do Camões
Por Isabel Mateus Braga
Barreiro

O Diário da Stôra a cinco anos da Aposentação<br />
A minha ida a Lisboa no dia do Camões<br />
Por Isabel Mateus Braga<br />
Barreiro Chegada à capital, lá fui eu de metro, em direcção à antiga Expo, onde se gastaram carradas de euros que não serviram para nada, uma perfeita aventura.
Entro na linha azul, saio na linha verde, entro na linha vermelha, ou teria sido ao contrário? Olhem já não se. Mas as cores das linhas agora não interessam nada!

A minha ida a Lisboa no dia do Camões

Quando cheguei à estação da Soflusa, a estação estava ainda fechada.
Depois de estar quase uma hora à espera do barco porque, para além de ser Sábado também era dia do Camões, que alguns alunos ainda pensam que é algum colega do Ronaldo, e ainda bem que o senhor Costa resolveu manter o feriado e fez muito bem, pena que tivesse calhado ao Sábado.
Ali estava eu ao lado de gente do norte, carago!
- Olha, agora bamos no Almeida Garrete, para cá biémos no Fernando Pessoa!
- Ó Zé, bais lebar muito tempo na casa de bánho?
- Num sei, depende da grossura do dito!!!

Chegada à capital, lá fui eu de metro, em direcção à antiga Expo, onde se gastaram carradas de euros que não serviram para nada, uma perfeita aventura.
Entro na linha azul, saio na linha verde, entro na linha vermelha, ou teria sido ao contrário? Olhem já não se. Mas as cores das linhas agora não interessam nada!

Na estação de Chelas entram três representantes da futura geração: um com o carrapito à Salvador, outro com um boné imaculadamente branco, mas colocado ao contrário e outro com o cabelo rapado dos dois lados da mona. Posicionaram-se atrás de mim. De repente tocou o telefone:
- Sim mano, estamos quase a chegar. Daqui a um minuto estamos aí! Faltam cinco estações. O quê? Ela não curtiu? Eu pensei que ela tivesse curtido bué! Até lhe mexi na perna!
Como eu ía agendar uma sessão de autógrafos na FNAC do Centro Comercial Vasco da Gama, levava o meu livro intitulado FÉ / FAITH na mão. De repente, a futura geração começou a ouvir música aos berros. "mother fucker, fuck you, mother fucker, fuck you ..."

Eu olhava para a capa do meu livro de fotografias onde estavam representados os pés descalços de uma senhora que, por acaso uma amiga minha sabe a quem pertencem e não me quer dizer, porque parece que a dita não é lá grande espingarda e que percorria a procissão da Nossa Senhora do Rosário, e olhava para a futura geração e voltava a olhar para a capa do meu livro.

Não me contive e torci-me toda a rir. Sabe-se lá porquê, a coisa pegou-se e, de repente, as pessoas que estavam dentro da carruagem do metro desataram a rir a bandeiras despregadas.
Quando sai no destino, a geração do futuro também saiu para se encontrar com o amigo que já devia ter comido uma "sande e bubido três mines".

Isabel Mateus Braga

12.01.2020 - 00:21

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