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Barreiro – «Cidadania Solidária» apoia jovem «sem abrigo»
«Eu sei que não posso estar aqui»

Barreiro – «Cidadania Solidária» apoia jovem «sem abrigo»<br>
«Eu sei que não posso estar aqui» Um jovem que vivia há dois meses, sem abrigo, percorrendo recantos da cidade, empurrado de um lado para o outro, com uma simples acção de «cidadania solidária», deixou de viver em condições sub-humanas.

Sendo uma situação complicada, de contornos psico-sociais, o facto, é que o jovem já não está na rua.

Ali, na Urbanização dos Loios, num recanto entre os prédios, esse jovem de 27 anos, permaneceu durante duas noites, recostado num canto e coberto numa manta.

Os moradores de súbito deparam-se com aquela situação insólita. Ao longo de décadas, era a primeira situação daquela natureza que, ali, se registava. Uma surpresa. Comentava-se. Entre a indignação e estupefação. Que fazer?
Por aquele local diariamente circulam centenas de pessoas. Quer adultos, quer crianças rumo à escola.
Uma situação dramática de um ser humano.
Surgem fotografias nas redes sociais. O jovem por ali continua a dormir, noite após noite, e, por ali está durante o dia. Sem comer. Sem tomar banho.
Um morador resolve conversar com ele. Estabelece diálogo. “Eu sei que não posso estar aqui”, disse-lhe o jovem.
A vontade era dar uma ajuda. Abrir portas. A primeira acção foi criar condições para que o jovem tomasse banho. Depois libertar-se das roupas.
O banho foi tomado com a colaboração da união de Freguesias do Barreiro e Lavradio, que abriu as portas do seu Armazém. A roupa foi comprada pelo morador. A SFAL disponibilizou-se para dar alguma alimentação.

Mas, resolvida a prioridade do banho e da roupa. Era preciso continuar a agir. O assunto não ficava solucionado, terminando ali aquele apoio solidário.
O morador garantiu alimentação. O jovem não sabia que fazer. A rua era o seu lugar.

O morador dirigiu-se à Segurança Social, no Barreiro. Após um impasse inicial. Abriram-se as portas. Vontade de ajudar a resolver. Encontrar caminhos. Foi aberto o processo para garantir algum apoio social. Estava dado mais um passo importante.

Foi encontrada uma solução para dormida durante algum tempo, enquanto o processo vai transitar, talvez, para a Associação NÓS, visando ajudar o jovem a construir um projecto de vida.
Entretanto, era necessário garantir a alimentação do jovem. Contactos com a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro. Eficiência. Diálogo institucional.
Está garantido o fornecimento de alimentação.

O jovem sem abrigo, de 27 anos, com problemas psico-sociais, para já tem garantida a dormida, a comida, e, vai ser acompanhado para encontrar um projecto de vida. Ele está prestes a completar o 12º ano.
A situação não se resolverá se ficar por aqui, o importante é garantir-lhe um emprego para que viva com dignidade.

Para já, é importante registar que, um cidadão, de forma anónima, que não quer ser identificado, agiu, com a sua intervenção, deu passos, superou com energia as barreiras das burocracias que se colocaram no caminho. Fez pontes. Estabeleceu diálogos.

Um jovem que vivia há dois meses, sem abrigo, percorrendo recantos da cidade, empurrado de um lado para o outro, com uma simples acção de «cidadania solidária», deixou de viver em condições sub-humanas.

Sendo uma situação complicada, de contornos psico-sociais, o facto, é que o jovem já não está na rua.
É de registar a eficácia da Segurança Social, assim como da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
E, naturalmente, em tudo isto, foi o papel de um cidadão que de forma anónima e empenhada tudo fez para que aquele sem abrigo fosse apoiado e nas suas dificuldades psico-sociais, devidamente enquadrado na sua dignidade humana.

Obrigado à União de Freguesias do Barreiro e Lavradio.
Obrigado à Segurança Social.
Obrigado à Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
Obrigado ao cidadão anónimo!

S.P.

11.02.2020 - 14:02

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