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A vida é uma missão para cumprir com dignidade
1917 – a falta de humanidade no viver humanidade.

A vida é uma missão para cumprir com dignidade<br>
1917 – a falta de humanidade no viver humanidade. A missão da nossa vida é cumprir, seja qual for a missão que assumimos, vivendo sempre esse filme real que somos nós e o outros. Humanamente.
1917, é um filme esplendoroso. Da guerra, do amor, da vida, de emoção e ternura. A vida.

Fui ao Cinema do Forum Barreiro, ver o filme «1917». Um filme marcado pela técnica, pela sonoridade. As imagens são esplendorosas. Fotografia magnâníie. Ficamos presos e facilmente nos deixamos transportar para dentro das cenas.
Os planos de proximidade fazem-nos sentir as pegadas na lama. O ambiente das trincheiras faz doer os ossos. Enregelamos. O combate, frente a frente, feito pela morte, entra pelos olhos, em explosões, bombardeamentos dilacerantes. Sangue. Corpos rasgados de raiva.
A técnica da filmagem não é inocente, são os olhos que observam o olhar e empurram os nossos olhos, no zoom do pensamento. Sentimos. Vivemos. Percepcionamos o homem e a época. A falta de humanidade, no viver humanidade. O terror da batalha. Os gritos das vitimas. A morte emerge do sangue que cobre o chão e o pó. Gritos. Dor. Silêncio.

Depois, no centro de todo este drama humano, que gela os pensamentos, lá vamos caminhando, lado a lado, com os personagens que fazem a história.
Descobrimos e vivemos, ali, naquele combate, a vida. A vida é uma missão. O nosso papel é enfrentar esse desafio, com dignidade e cumprir.
É essa a mensagem que partilhamos, quando nos colocamos ao lado dos protagonistas, que lutam para sobreviver e para cumprir a missão.

Viver é uma guerra, é um combate, uma batalha que travamos todos os os dias, acreditando sempre que vamos vencer, que vamos conseguir, mesmo quando nos dizem e repetem sucessivas vezes- "Não vais conseguir".
Fome. Leite. O choro de uma criança que se escuta entre as rajadas. A vida simbolicamente entre o nascer e morrer.
Lutamos pela vida, lutamos para cumprir a missão, a nossa missão, o nosso papel na história, esse papel que vai para além, muito para além da mera sobrevivência.
Essa missão de cumprir e ser que vai para além, muito para além do rastejar na lama.
Vamos dando o melhor de nós, caminhando, porque a vida faz-se a caminhar. Cumprimos a missão caminhando rumo ao objectivo. O objectivo é viver. O objectivo é salvar o futuro.
Os protagonistas vivem o presente, sendo história, cumprindo história. A missão da vida é cumprir.

Neste filme, 1917, o final é imponente, de sublime grandeza épica, um final que permite imaginar e viver o sentimento de felicidade quando uma vida é vivida. Uma vida que cumpriu a missão e chega ao final de pé. De pé perante a natureza. De pé perante o tempo, com a alegria do tempo vivido.
De pé, afirmando que fomos capazes de superar todas as dificuldades e nunca desistir de travar os combates.
De pé, acreditando, dando o melhor, o nosso melhor, porque só dando o nosso melhor vamos conseguir.

Aprendemos, neste filme, que, por vezes, quando nos disponibilizamos para ajudar os outros, alguém que precisa do nosso apoio, que damos o melhor de nós para ajudar, existe depois a vida real.
Nessa luta pela sobrevivência, se achamos que vamos ser mortos, ou desconfiamos, e, se não tomamos atenção aos perigos, então, a vida real da-nos a lição. Podemos ser mortos, sem piedade, mesmo pelas costas, por aqueles a quem demos a mão e ajudámos a viver. É vida. Esta lição está no filme 1917, de forma dolorosa e imbecil.

A cena final do filme 1917, não sei porque razão, subitamente, trouxe até à minha memória uma cena do final do romance «A um Deus desconhecido», de Jonh Steinbeck, quando o personagem olha a árvore e sente o vento mexer os ramos. Ele imagina seu pai a despedir-se naquele movimento suave da natureza.
Num fluxo de pensamento sente-se a distância que existe entre o viver e o partir rumo ao infinito. A vida na natureza. Aquele final do filme é uma imagem épica. Toca o coração.
Ao olhar a cena da imponência da árvore sentimos a vida fluir num instante único de eternidade que se deita na paisagem. Registamos o tempo vivido. A vida vivida. A missão.
A missão da nossa vida é cumprir, seja qual for a missão que assumimos, vivendo sempre esse filme real que somos nós e o outros. Humanamente.
1917, é um filme esplendoroso. Da guerra, do amor, da vida, de emoção e ternura. A vida.

António Sousa Pereira

12.02.2020 - 00:17

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