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Barreiro - FOmE edita volume V on line
O elogio à cor num contexto cinzento

Barreiro - FOmE edita volume V on line<br />
O elogio à cor num contexto cinzento Devido ao isolamento que vivemos, a revista FOme, tem a sua primeira edição digital -o Vol. V da FOmE online.
Está em casa e por de ler esta edição. Um volume que proporciona uma incursão pela antiga CUF, fala sobre a Ephmera, os PADA studios e o Colectivo SPA.

Esta FOmE é a primeira a ser lançada online. A galeria em papel que nos propusemos inaugurar a cada três meses é, neste volume V, uma galeria digital. Não é um desvirtuar da nossa missão ou princípios, é sim uma adaptação imposta pelo momento que vivemos.

Enquanto preparávamos esta edição, mesmo na cauda do trabalho e com o evento de lançamento em pré produção, vimos o Mundo suster a respiração. A ameaça de uma pandemia, que enche hospitais e todo o espaço noticioso, confinou milhões de pessoas às suas casas e abalroou os nossos planos.

E assim, neste tempo suspenso em que milhares de outros eventos foram adiados ou cancelados somos levados a repensar como trabalhamos, criamos, pensamos, comunicamos. Enfim, como vivemos. Estamos a assistir da tribuna, que são as nossas casas, a um momento histórico que certamente figurará em capítulos de livros de sociologia, ciência, história e economia nos próximos anos. E os livros de Arte? Como representarão este período? Como serão as obras de arte produzidas durante o isolamento do Covid- 19? Dispensando-nos de fazer futurologia chamamos antes a atenção para o facto do recurso ao digital estar a ser seguido por vários artistas como forma de colmatar o vazio deixado pelo cancelamento de tantas iniciativas.

Deixamos ainda, uma nota sobre o período cinzento escuro que vive este grupo já de si tão frágil e que, foi precisamente por termos consciência da fragilidade dos artistas emergentes que não cancelámos o lançamento deste Volume. Optámos sim, por o tornar mais aberto, distribuindo-o gratuitamente online, possibilitando que os trabalhos destes artistas cheguem a mais gente e ansiando por ajudar a trazer um pouco mais de cor a este meio.

No contexto desta incerteza cinzenta apresentamos este grande elogio à cor.
No volume passado sublinhámos uma opção editorial que já se vinha a esboçar organicamente nas revistas passadas: cada número é uma ambiência. Não um tema, mas algo mais sensorial e intangível. Se na revista passada a ambiência era o negro, nesta elogiamos a Cor.

Rita Melo apresenta-nos Copy-Past uma série de pinturas que interrogam e integram as ferramentas de edição digital tendo a pintura clássica como matriz técnica e estética. É, na prática, um exercício que nos faz questionar sobre os caminhos possíveis para a pintura contemporânea e que, apesar de não ignorar as ferramentas digitais, as subverte na forma como as usa no seu processo de criação.

Ainda no campo da pintura, e tendo motivos reais como base para a exploração de narrativas e representações, surge o trabalho de Joana Vieira de Castro. Partindo da fotografia de arquitetura e elementos vegetais para uma viagem pela cor, interessa-lhe sobretudo o que ela significa em termos psicológicos.
A FOmE procura promover a colaboração entre artistas, tendo como objetivo a criação de uma rede informal de partilha.

Neste volume temos dois artigos que espelham este desígnio através das rúbricas um artista sobre outro artista e versus.
Filipe Felizardo, artista do primeiro volume, que na altura tinha já apresentado um projecto sobre a cor, foi convocado a escrever o texto do artigo de Sérgio Fernandes. Filipe respondeu ao desafio com um poema gráfico sobre o trabalho do artista cujas obras, aparentemente monocromáticas, são na realidade fruto de uma pesquisa exaustiva sobre a cor – cada uma e suas matizes - materializada em pinturas de grande formato.

Vitó e Pitanga juntam-se na rubrica versos, iniciada no vol. II com Sofia Lobato e Tvfer. Versos parte do desafio a dois artistas, nos quais encontramos semelhanças – temáticas, técnicas ou expressivas – a ilustrarem segundo um pretexto comum. Neste volume os dois ilustradores e street artists jogaram ao “desenha da tua forma”, um exercício amplamente conhecido nas redes sociais que leva artistas a reinterpretar uma ilustração de outro segundo a sua própria expressão.

As várias páginas que expõem uma profusão de figuras geométricas aplicadas a sinais de trânsito, edifícios, pedras, tampas de esgoto, fachadas ou edifícios completos reflectem o trabalho do artista venezuelano Flix, que nos apresenta também alguns trabalhos digitais inéditos. O texto que acompanha este artigo é da autoria da curadora, crítica de arte e investigadora venezuelana Katherine Chacon que acompanha o trabalho do artista há largos anos.

Mais uma vez revisitamos e reinterpretamos um trabalho performativo. Não querendo contrariar a sua intrínseca efemeridade demoramo-nos a criar sobre a ruína. Sobre o que sobra quando os actores saem de cena, aquele momento em que as luzes de público se acendem e os técnicos invadem o palco para voltar a colocar os adereços no lugar, a preparados para recomeçar no dia seguinte. Devemos sempre perdoar os cobardes, mas nunca ser como eles é o título do espectáculo de Tiago Vieira (actor e encenador) estreado no Polo das Gaivotas em Janeiro deste ano. Este artigo divide-se em três capítulos, em jeito de dramaturgia aplicada ao meio editorial: Capítulo I, a ruína de um guião usado pelos actores acompanhado de despojos de um espectáculo que terminou há instantes; Capítulo II, os trechos do texto e imagens que ficaram na memória de um espectador; Capítulo III, um novo texto do autor acompanhado de uma série fotográfica que é uma exploração do lugar de performance inabitado. Este artigo é uma peregrinação pela memória de uma performance irrepetível, transformada em mote para o nascimento de uma nova obra.

Frisamos o nosso papel de promotores e divulgadores da produção cultural descentralizada, mostrando dois espaços aparentemente improváveis de produção artística. Os antigos armazéns da Quimiparque, (hoje Baía do Tejo) são perscrutados através da lente do fotógrafo David Romão que produziu um ensaio fotográfico sobre três organizações que habitam armazéns deste espaço- PADA studios, Colectivo SPA e Associação Ephemera. O colectivo CAFI - comunidade Arte e Festa Indígena, querido parceiro da FOmE, debruçou-se sobre o espaço de uma antiga fábrica de Pinhal Novo, hoje em remodelação, que tem sido lugar de experimentação de vários street artists nacionais. Este artigo é um exercício de fixação da memória e inventário de um património em vias de desaparecimento.

Este encontro digital é apenas um prelúdio para o físico. Prometemos voltar a encontrar-nos em papel, ao vivo e numa festa ainda maior do que a que tínhamos preparado para este lançamento.

Com amor e FOmE,
Margarida Mata e Pedro Cunha

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31.03.2020 - 00:26

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