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Capitão Henrique Galvão natural do Barreiro
Comandou assalto ao paquete «Santa Maria» versus «Santa Liberdade»

Capitão Henrique Galvão natural do Barreiro<br />
Comandou assalto ao paquete «Santa Maria» versus «Santa Liberdade» Faz hoje, dia 22 de Janeiro, 60 anos, que o Capitão Henrique Galvão, comandou a operação «Dulcineia», uma odisseia que abalou a ditadura e que foi uma importante acção de denúncia do regime que oprimiu os portugueses durante 48 anos.

O «Santa Liberdade» assim passou a denominar-se o paquete «Santa Maria», após ter sido ocupado foi noticia por todo o mundo.

Henrique Galvão, foi homenageado no Barreiro, nos anos 90, no decorrer da gestão de Pedro Canário, num evento que controu com a presença de Mário Soares.
Henrique Galvão tem o seu nome consagrado na toponimia barreirense, é, um nome que faz parte da história de Portugal e um nome que faz parte da história de uma comunidade, que tem muitos nomes inscritos nas suas memórias.
Henrique Galvão, faz hoje 60 anos, não devemos esquecer, comandou o assalto ao navio Santa Maria. O caso que logo ecoou pelo mundo, tornou-se manchete na imprensa nacional e internacional.
O desvio do paquete Santa Maria viria a ser um dos mais duros golpes aplicados ao regime ditatorial que vigorava em Portugal desde 1926.

Henrique Galvão, é, mais um, entre muitos outros, que integram a história desta comunidade, naquela que foi sua maior luta e epopeia histórica, nos séculos XIX e XX, a luta pela Liberdade, pela Democracia, pela defesa e valorização dos Direitos Humanos.
O Barreiro foi e há-de continuar a ser, por muito que queiram descontruir, esta comunidade que tem inscrita na sua memória a luta pela Liberdade.
Esta epopeia de ocuapção do «Santa Maria» transformado em «Santa Liberdade», afinal, também faz parte da história do Barreiro, das suas gentes, dos seus gestos para transformar o mundo e deixar um mundo melhor para os vindouros.

O paquete Santa Maria, transportava cerca de mil pessoas depois de deixar Caracas, na Venezuela, quando foi tomado por 25 homens, comandados por Henrique Galvão, um dissidente de Salazar que se encontrava exilado na Venezuela, após uma fuga do Hospital de Santa Maria, em 1959, onde estava detido pela PIDE.

Depois de ter sido tomado pelo comando, sob as ordens de Henrique Galvão, o «Santa Maria» passou a denominar-se “Santa Liberdade”, ostentando esse nome no convés.
O paquete, referem os historiadores, conseguiu iludir a marinha e a aviação americanas, tendo navegado incógnito, durante largas milhas, no oceano Atlântico, com rota para África.
A ação revolucionária foi denominada “Dulcineia” e desencadeada pela DIRL (Direcção Ibérica Revolucionária de Libertação), uma organização de exilados portugueses e espanhóis, associada ao movimento de Humberto Delgado.
Em termos jornalísticos, esta operação mobilizou meios jornalistiscos por todo o mundo, com recursos até à época nunca utilizados, por exemplo, a descida em pár-quedas de jornalistas do Paris-Match.

No ano 2014, foi realizada uma exposição com dezenas de exemplares da imprensa nacional e internacional, no Museu de Imprensa-Madeira, em Câmara de Lobos, que tinha como título - “Santa Liberdade, 1961: a Dulcineia que abalou as ditaduras ibéricas”.

Hoje, que passam 60 anos, desta operação fica o registo e, porque não, um dia o Barreiro, promover uma exposição sobre Henrique Galvão, que para além desta sua operação, conta na sua vida com uma obra literária juvenil de referência, e, o seu «Diário de Peniche», um testemunho de uma enorme grandeza e humanismo, sobre a ditadura que nos oprimiu 48 anos.

S.P.

22.01.2021 - 17:47

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