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Uma conversa on line com alunos do Colégio Minerva
Façam a experiência de sentir o silêncio de Lisboa.

Uma conversa on line com alunos do Colégio Minerva<br>
Façam a experiência de sentir o silêncio de Lisboa.<br>
Na sexta feira fui convidado para conversar sobre o Barreiro, com os alunos de uma Turma do 3º Ano, do Colégio Minerva, através de uma plataforma digital.

É isto que estes tempos originam, as conversas através do mundo digital, certamente, daqui a uns anos serão uma banalidade, o teletrabalho será em muitos casos uma normalidade. Estes tempos vieram de alguma forma antecipar o futuro e proporcionar novas formas de comunicação e vivências em comunidade. Estamos todos a (re)aprender o futuro.

Assim, na hora marcada, entrei e, pouco a pouco os alunos foram marcando presença. Olá. Boa tarde.
Num, ou noutro caso, um pai ou uma mãe, espreitou para comentar : “Olá Sousa Pereira”.
Foi um momento giro, sentir este futuro a nascer. Gosto de participar nestas conversas, mas gosto mais de estar ali, na sala de aula, frente-a-frente, sentir os olhares, os sorrisos, o levantar o braço, a interrupção, porque, assim as palavras ganham mais força. A emoção de comunicar olhos nos olhos, faz sentir o pulsar da vida.
Mas, lá estive a conversar. Às tantas nem sabia se eles estavam a escutara-me, se a minha narrativa os estava a interessar. Um dizia que não estava a ouvir.

Bom, mas lá estivemos e, eles e elas, depois de me escutarem fizeram perguntas.
Qual a origem do nome do Barreiro? Respondi-lhes o que consta, que há duas versões. Uma será porque esta é uma terra com muito barro. Outra, que defende que os primeiros habitantes do Barreiro, eram pescadores, cuja faina era concretizada na barra do Tejo. Os Pescadores da Barra, que eram do Barreiro.
Os pescadores que utilizavam na barra, o barco de pesca de arrasto – a Muleta, que está no brasão do municipio.

Nesta conversa o que considerei interessante partilhar com eles, era motivá-los a pensar a nossa terra, o nosso lugar, a nossa rua, como sitios que devemos guardar dentro de nós, como coisas bonitas, por serem onde crescemos e aprendemos a descobrir a vida.
Disse-lhes para saírem de casa pela manhã e na rua observarem as cores das árvores, dos passeios, escutarem os sons dos carros, dos pássaros. As cores. Os sons.
Disse-lhes que para nós gostarmos de uma coisa, de uma pessoa, de um lugar, de uma terra, da nossa terra, temos que sentir que fazemos parte desse lugar, dessa terra, que essa terra nos pertence, faz parte da nossa vida.

Falei-lhes que o concelho do Barreiro é um concelho com uma história que se estende por diverros pontos do seu território, e, cada um desses sitios e lugares tem histórias, é por isso que o concelho do Barreiro é um concelho feito de uma história, que são muitas histórias, construidas por gentes vindas de muitos lados.
É isso, o concelho do Barreiro, na sua história actual foi criado em 1898, mas, o concelho do Barreiro, tem memórias inscritas no seu território desde o Neolitico, há 5000 anos, na Ponta da Passadeira, no Lavradio.

Na Equabona, da estrada romana, como se denominava Coina. Essa vila onde pernoitou Filipe II, rei de Espanha, ou D. José I, aquele que está a montado a cavalo, no Terreiro do Paço, em Lisboa.

Coina, onde existem as ruínas de uma Igreja que ficou destruída com o terramoto de 1755. Vão lá visitar.
Coina, onde existiu a Real Fábrica do Vidro, que foi transferida para a Marinha Grande, onde nasceu a capital do vidro, mas que, sem dúvida, o concelho do Barreiro, por razões históricas, podia fazer parte da Rota Mundial do Vidro. O concelho já foi, nos anos 90, o ponto de encontro de uma conferência internacional.

Os Fornos de Cerâmica da Mata da Machada, onde eram produzidas as formas de «pão de açúcar», levadas nas naus, nas descobertas, que deu origem que o morro do Rio de Janeiro, com o Cristo Rei, tenha recebido o nome de «Pão de Açúcar».
O Brasil onde há uma cidade que se chama «Barreiro», que tem a mesma padroeira que o Barreiro – Nª Srª do Rosário – e que terá origem na Irmandade de Nª Sª do Rosário.

O Barreiro dos Caminhos de Ferro, um projecto indissociável do nome de Miguel Pais, que abriu os caminhos para a instalação das fábricas de cortiça e da CUF.
O Barreiro uma vila que nunca foi dormitório, porque teve sempre uma vida própria, uma terra de gente culta, que sempre amou a Liberdade, valorizando a vida associativa, o teatro, o desporto, o futebol, o basquetebol, o ciclismo, a vela, o remo, halterofilismo, karaté, com muitos nomes de referência nacional.

O Barreiro com a sua Mata da Machada, o sapal do Rio Coina, a mais bela varanda sobre Lisboa – a Avenida da Praia.
O Barreiro de Augusto Cabrita, de Ferrer Trindade – o homem da canção do Mar, ou do fadista, Fernando Farinha.
Este Barreiro uma terra multiculturak, intergeracional, feitas de muitas referencias culturais e de gente vinda de muitos lados.
Aprendam a gostar do Barreiro. Gostar da terra onde vivemos, é gostar de sentir a terra que somos, e, sabem o Barreiro é uma terra de vizinhança, de familias, de amigos- "em cada esquina encontramos um amigo".

Por vezes parece que isso se está a perder...mas vocês aprendam a sentir o Barreiro, uma forma bonita de sentir, é ir até à Avenida da Praia, olhar aquela paisagem e, sentados a olhar o Tejo – façam a experiência de sentir o silêncio de Lisboa.

O Niza, um pai, do lado de lado, ergueu com um grande sorriso, uma fotografia de Augusto Cabrita, uma memória do Tejo, junto ao Clube Naval do Barreiro, naquele dia, que marcou o arranque dos Jogos Juvenis do Barreiro.
“É verdade Niza, os Jogos Juvenis, não falei neles, logo eu, que, até integrei a Comissão Organizadora dos JJB”, comentei.
Foi giro. Gostei. Obrigado pelo convite.

António Sousa Pereira

14.03.2021 - 20:54

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