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«Tão longe e tão perto»
Por Ana Lourenço Monteiro
Seixal

«Tão longe e tão perto»<br />
Por Ana Lourenço Monteiro<br />
Seixal Sem querer, damo-nos a escrever sobre o Rio.
O Rio Tejo, o Rio Coina. Simplesmente o Rio. Esse que nos ajuda a refletir; esse que nos acolhe após uma corrida como um reconhecimento. Esse que recebe cada pedra atirada por uma criança com um convite a que esteja mais vezes em contacto com a natureza, no meio da(s) cidade(s).

Esse que, em tempos, abrigava a nossa passagem, numa espécie de união de duas margens, distanciadas por tão pouco.
Duas margens, assim as chamamos. Mas, na verdade, o que são duas margens do Rio Coina são também uma só: a Margem Sul do Tejo, ou parte dela.

Conforme olhamos para as coisas, consoante as vivemos e sentimos ou do quanto nos distanciamos para as vermos melhor e aos seus potenciais, assim projetamos palavras ou ideias que espelham a nossa visão sobre elas.

Há sentimentos, momentos, estórias que a união entre o Barreiro e o Seixal me trouxe. As «minhas duas terras» que, entre elas, têm um Rio que nos pode levar «onde quisermos» ou que nos permite olhar para ambas como uma só. O que constitui a essência da designação «terra» - enquanto local/locais de vivências e não somente espaço geográfico - não são, aliás, os seres que nela(s) se movem, se aninham e que ajudam ao seu desenvolvimento, à construção da sua história?

O Rio não nos pode distanciar; acredito, sim, que o Rio nos une, Barreiro e Seixal, como o procuram continuar a fazer quem ama e vive ambos os concelhos. Como o podem recordar as memórias de tantas gentes do Barreiro e do Seixal, vindos do Alentejo ou de outros lugares, ou as próprias relações que ficaram, das idas à escola e dos convívios, facilitadas por uma ponte até 1969.

O que falta para que tal possa continuar, assim, a acontecer também sabemos: voltar a ter uma ponte. As ligações vão além do que é somente físico, não haja dúvida. Mas a vertente física alavanca a vantagem de criar proximidade e, por consequência, unir margens. E, dependendo do que se entenda por proximidade, unir pessoas, unir projetos. Por que não?!

Somos tão pequenos neste pequeno planeta azul. Cada Rio não deixa de ser uma gota, mas uma gota que pode fazer a diferença para muitos. Muitos cidadãos ou mesmo muitos lugares.

E, como já foi escrito, “é por isso que não importa a margem onde nos encontramos; o que é relevante em termos de posicionamento é o reconhecimento da importância desta ligação, seja rodoviária, ferroviária ou pedonal e a urgência de a restabelecermos”.

Por Ana Lourenço Monteiro,
Seixal.

15.04.2021 - 15:53

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