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Espaço envolvente dos Moinhos ex-libris do Barreiro
O estado de degradação em Alburrica exige intervenção urgente

Espaço envolvente dos Moinhos ex-libris do Barreiro<br>
O estado de degradação em Alburrica exige intervenção urgente<br>
O estado de degradação dos caminhos de Alburrica e da zona envolvente dos Moinhos – ex-libris do Barreiro, carecem de uma intervenção urgente, quer na sua recuperação, quer na sua consolidação.

A zona de Alburrica é uma zona natural do concelho do Barreiro de caracteristicas únicas no estuário do Rio Tejo. É uma zona onde a cidade beija o rio. Um território de beleza única, onde estão inscritas as raízes da identidade barreirense.

Neste ano que se comemora os 500 anos da «Vila Nova do Barreiro», quando em 1521, o lugar ligado ao Tejo, recebeu a «Carta de Foral», que tem alguma equivalência a Foral, naquele tempo, que Coina, enquanto concelho, ainda marcava o ritmo da economia da região, e, que a maior parte do território do actual concelho do Barreiro pertencia a Alhos Vedros, nesse tempo, distante, Alburrica integrava-se na pujança dessa «Vila Nova do Barreiro».

Alburrica é um território único no estuário do Tejo e na Área Metropolitana de Lisboa, é um nicho da natureza e de uma realidade ambiental única, uma realidade que pode num conjunto global, da Quinta de Braamcamp até ao Coina e Mata da Machada, ser um território natural de referência que, pode e deve ser pensada numa dimensão intermunicipal - Barreiro e Seixal.

Há quem diga que aquele é um território «abandonado», ou até, já ouvi classificar de «baldio».

Um dia em conversa com um amigo, eu dizia-lhe e ele concordava que em Alburrica e Quinta Braamcamp, quanto menos lhe mexerem maior é o seu valor como marca de diferenciação. É manter vivo um património natural. A natureza também é património.

Nos últimos anos foram feitas diversas intervenções em Alburrica, aquelas que são essenciais, como os passadiços, ou reforço das margens, arranjo de acessos, de forma permitir a fruição da natureza e a ligação da cidade à zona ribeirinha. Intervenções que assisti, algumas delas, foram motivo de conversas e debates com a população.

Infelizmente, o actual executivo municipal decidiu não avançar com a candidatura de recuperação e requalificação da zona da Quinta de Braamcamp, que, hoje, de certeza, já estava recuperada e ao serviço da comunidade. São opções.


Como é também uma opção, que nunca ouvi debater nem em reuniões de Câmara, nem na Assembleia Municipal, essa candidatura anunciada com pompa e circunstância, de uma dita praia na Caldeira Grande de Alburrica, referida como coisa única na AML.

Uma coisa é limpar, recuperar, requalificar toda a zona de Alburrica, dando-lhe mais qualidade de fruição, mas, mantendo a sua natureza o mais puro, outra é esta ideia mirabolante de fazer uma praia, a 100 metros de uma praia fluvial, desvirtuando a beleza natural e única de Alburrica. Enfim, são opções. Ninguém foi ouvido. Ninguém teve direito a opinião. Nem conheceu previamente o projecto. Nem se conhece, se não uns esboços dos autores, que, antigamente, diziam que “o que é de todos por todos deve ser decidido”, mas agora, está decidido, está decidido, no tal dia forma de decidir – nós não passamos o tempo a fazer dossiers, nós fazemos. E quem criticar, ou comentar, é aziado. Enfim.

Tudo isto ocorria-me ao pensamento, o que foi feito, o que se diz que vai se fazer, e, olhava para o estado lastimável em que as coisas estão, a carecer de uma urgente intervenção.
Há quem diga que o Moinho Grande está em risco. Não sei, mas o espaço envolvente está degradado, isso está.
O pessoal do remo, do Fabril e do Luso, há mais de um mês que não tem acesso ao hangar porque o caminho está encerrado.
Sei que o arranjo do caminho e a intervenção na zona não é da responsabilidade do municipio, mas, uma coisa é certa, se as coisas se arrastam no tempo e afectam a comunidade, que frui do espaço, quer no plano lúdico, quer desportivo, o deixa andar que o tempo resolve não é solução.
Fica o alerta e o registo.

Alburrica é preciso sentir para amar. Alburrica merece que se olhe para aquele território e ver nele a sua riqueza patrimonial – a sua beleza única na AML e no estuário do Tejo. Tudo o que ali for feito para desvirtuar o seu sentido natural é destruir um habitat de uma beleza única – o esplendor da natureza a beijar a cidade.

António Sousa Pereira

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07.05.2021 - 18:13

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