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Coleção Régia nos Paços do Concelho da Moita
Um autêntico Museu onde D. João VI é uma presença central

Coleção Régia nos Paços do Concelho da Moita<br>
Um autêntico Museu onde D. João VI é uma presença central<br>
O jornalista Armando Seixas Ferreira, autor da obra «1821 – o regresso do Rei», ficou deslumbrado com a colecção régia patente no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Moita, particularmente pelo destaque dado aos retratos de D. João VI e D. Carlota Joaquina.

“Estes são retratos raros, eu nunca tinha visto D. João VI com a Ordem de Malta, nem Carlota Joaquina, ele costuma usar a Insigne Ordem de Tosão de Ouro”, afirma Armando Seixas Ferreira.

No dia 9 de janeiro de 1822, fez ontem 200 anos, o Príncipe Regente D. Pedro, deu a conhecer a sua opção de não regressar a Portugal e permanecer no Brasil, esse dia passou a ser designado como memória histórica pelo «Dia do Fico», sendo ao longo dos anos celebrado como a data decisiva e um marco no processo que conduziu à independência do Brasil.
Recorde-se que o regresso a Portugal do Rei D. João VI, após 14 anos com a Corte instalada no Brasil, aconteceu no ano de 1821, uma viagem de regresso a Lisboa, maravilhosamente descrita na obra «1821 – O regresso do Rei», do jornalista e escritor barreirense Armando Seixas Ferreira. Esta uma obra que o Brasil deve conhecer porque é um contributo de investigação histórica que permite uma reflexão e abordagem do tema da independência e das relações entre Portugal e o Brasil.

O «Dia do Fico» é uma data histórica para o povo brasileiro, a qual ontem foi assinalada com diversos eventos que marcaram o arranque das celebrações dos 200 anos da independência do Brasil.
A propósito da celebração dos 200 anos da independência do Brasil, recordo hoje, uma viagem que fiz nos finais do ano passado do Barreiro à Moita, com o jornalista Armando Seixas Ferreira, onde fomos visitar a Coleção Régia, nos Paços do Concelho – Câmara Municipal da Moita.

D. João VI e D- Carlota Joaquina em destaque

O motivo desta visita foi o facto de a coleção régia integrar quadros de D. João VI e da Rainha Carlota Joaquina.
Estes dois quadros régios integram a coleção do século XVIII, cedida à Câmara da Moita, por despacho do Ministério do Reino de 17 de Agosto de 1874, assinado pelo Ministro Fontes Pereira de Melo e por petição da mesma Câmara, através da intervenção de um rico proprietário do concelho, com influência na esfera política do então governo liberal. O conjunto dos quadros foram cedidos com o objetivo de adornar as salas dos Paços do Concelho.
O jornalista barreirense, autor da obra acima referida, ficou curioso pelo facto do destaque dado aos quadros de D João VI e D. Carolina, no entanto, os serviços municipais esclarecem que – “os quadros foram expostos no salão nobre, adaptando-se às paredes existentes e tendo em consideração as dimensões das telas, de forma aleatória, sem intenção de dar destaque.”
Outra curiosidade foi saber se o retrato de D. João VI foi pintado após o regresso do Brasil?, e sobre esta interrogação, fomos esclarecidos que pelos serviços municipais – “desconhecemos o autor e a data da sua produção.”

Um cenário de obras de arte

Armando Seixas Ferreira, um apaixonado por D. João VI e também um apaixonado por obras de arte, olhava maravilhado as obras expostas no Salão Nobre da Câmara Municipal da Moita, e num comentário para o jornal «Rostos», sublinhou : “eu acho fantástico uma Câmara Municipal, no século XXI, ter em pleno de destaque, um cenário de obras de arte, dois retratos de D. João VI e Carlota Joaquina, que terão sido pintados a época do regresso do rei a Portugal, precisamente no tempo que são o tema do meu livro”.

Nunca tinha visto D. João VI com a Ordem de Malta

“Estes são retratos raros, eu nunca tinha visto D. João VI com a Ordem de Malta, nem Carlota Joaquina, ele costuma usar a Insigne Ordem de Tosão de Ouro, que era uma condecoração honorifica espanhola, mas são dois quadros, que já valeram ter feito esta visita, de propósito, do Barreiro à Moita, só para os ver, mas, há mais, há uma série de retratos régios, que parece estarmos aqui a visitar um Museu, onde podemos viajar pela história.
Aliás, foi isso que eu pretendi ao escrever o meu livro, colocar o leitor no papel de viajante, num navio de linha do século XIX, fazendo uma viagem pela história.
Por isso, sinto-me aqui, também, a viajar porque quando olho para estes retratos, quando vejo a indumentária do rei, quando eu vejo a fisionomia dos retratados, nesse olhar, podemos tentar observar como seria o carácter destas pessoas, digo-o, não só por serem retratos régios, porque quando se olha para um retrato conseguimos ter essa sensação de viajar pela história, e, tentar descobrir factos novos, como esse que referi das condecorações, ou mesmo deste traje de grande gala que o rei usa, isso leva-me a reflectir e o meu feeling, é que podem mesmo ser retratos da fase de D. João VI a viver em Portugal, depois de 13 anos a viver no Brasil”.

Um autêntico Museu

“Dou os parabéns à Câmara Municipal da Moita por ter aqui no Salão Nobre dos Paços do Concelho, um autêntico Museu, e, até aas pessoas quando aqui estão a assistir às sessões de Câmara não perdem o seu tempo, porque se o discurso não estiver a ser interessante, pode olhar as paredes e ver estes retratos”, referiu Armando Seixas Ferreira.

S.P.

Coleção Régia
. Informação Documental da CMM

A colecção Régia está patente de forma permanente no Salão Nobre dos Paços do Concelho, na Praça da República, Moita

É uma coleção de retratos dos reis de Portugal, do artista Miguel António do Amaral, professor de desenho do século XVIII.

A coleção é constituída por vinte e seis telas: Conde D. Henrique; D. Afonso Henriques; D. Sancho I; D. Afonso II; D. Sancho II; D. Afonso III; D. Dinis; D. Afonso IV; D. Pedro I; D. Fernando; D. João I; D. Duarte; D. Afonso V; D. João II; D. Manuel I; D. João III; D. Sebastião; Cardeal D. Henrique; D. Filipe II; D. Filipe III; D. Afonso VI; D. Pedro II; D. João V; D. José; D. João VI e Dona Carlota Joaquina.

O artista Miguel António do Amaral só pintou até ao quadro de D. José, reinado em que faleceu, as telas de D. João VI e Dona Carlota Joaquina não são da sua autoria.

A encomenda da série régia foi feita pelo Mosteiro de Alcobaça a Miguel António do Amaral. O autor baseou-se em estampas com reproduções de outros pintores, um expediente muito utilizado nos séculos XVII e XVIII, em consequência da necessidade de se produzirem obras baratas e rápidas. São as vestes que marcam as figuras, com o peso e as dobras dos tecidos pintados em fundo escuro isento de adereços, com exceção da tela referente a D. Afonso Henriques, em cujo fundo se apresenta pintada a fachada gótica do Mosteiro de Alcobaça.

Outro aspeto a salientar na história desta coleção régia foi a sua transferência da Sala dos Reis do Mosteiro para o Depósito da Academia Real de Belas Artes de Lisboa, com a supressão das ordens religiosas em 1834.
Na segunda metade do século XIX, e por intervenção de um proprietário do concelho, Salvador José Castanha, foi possível a aquisição deste ciclo de telas sobre os monarcas portugueses. A portaria de 17 de Agosto de 1874, assinada pelo ministro do Reino de Fontes Pereira de Melo, autoriza a sua concessão à Câmara da Moita, com o objetivo de “adornar o Salão Nobre dos Paços do Concelho”.

No ano de 2011, foi assinado um Protocolo entre a Câmara Municipal da Moita e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, através do seu Departamento de Conservação e Restauro, com vista a serem recuperadas as oito telas da Coleção Régia que ainda careciam de tratamento.
O quadro selecionado para intervenção foi o Cardeal D. Henrique, cujos trabalhos de conservação e restauro foram realizados pelos alunos de Mestrado, sob a supervisão da responsável Professora Doutora Leslie Carlyle, da FCT/UNL (DCR).
A Câmara da Moita apenas suportou as despesas relacionadas com os materiais usados no tratamento da obra. Como estes trabalhos são feitos no contexto de aula, o quadro régio somente ficou concluído no final do mês de Março de 2017.

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10.01.2022 - 17:52

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