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Barreiro assinalou lançamento de «Nova Síntese»
Memória e Resistência: sobre o papel das coletividades durante a Ditadura Fascista

Barreiro assinalou lançamento de «Nova Síntese»<br />
Memória e Resistência: sobre o papel das coletividades durante a Ditadura Fascista O Auditório Manuel Cabanas, na Biblioteca Municipal do Barreiro, foi ontem o palco de uma sessão de profunda reflexão histórica. A apresentação do Caderno Temático «Nova Síntese», dedicado às Coletividades Populares de Cultura e Recreio durante o fascismo, reuniu investigadores e cidadãos para celebrar os 50 anos do 25 de Abril através da análise da resistência local.

O Papel Estratégico das Coletividades

A obra, com a chancela das Edições Colibri e da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, foca-se na importância destas instituições — muitas fundadas ainda na Monarquia por militantes republicanos — que se tornaram autênticos redutos de liberdade durante a ditadura.
O volume destaca como, apesar da censura e da perseguição da PIDE/DGS, as coletividades conseguiram manter bibliotecas com livros proibidos e promover grupos de teatro de amadores que, através de encenações astutas, passavam mensagens de caráter político e social à população.

Vozes do Barreiro na História Nacional

A sessão contou com a participação de António Mota Redol, coordenador da edição e cofundador do Museu do Neo-Realismo, que sublinhou o rigor desta investigação. O foco local esteve a cargo de dois autores barreirenses cujos artigos integram a revista:
O historiador Fernando da Motta;
O escritor Armando Sousa Teixeira.
Ambos os autores exploraram como as coletividades do Barreiro enfrentaram a repressão, desde a proibição do uso dos coretos públicos por ordem do regime até ao uso de compartimentos disfarçados nas sedes para esconder literatura subversiva.
"Muitas coletividades recusaram que as suas bandas participassem em eventos do regime, pagando por isso o preço da perseguição, mas mantendo viva a chama da democratização da cultura", foi um dos pontos altos da reflexão partilhada durante a tarde.

Um Legado de Liberdade

Este lançamento reforça o papel do Barreiro como um centro nevrálgico da resistência antifascista em Portugal, demonstrando que a cultura e o associativismo foram ferramentas essenciais para a conquista da democracia que hoje celebramos.

15.03.2026 - 09:09

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