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entrevista

Barreiro - Francisco Alves do Bloco de Esquerda
Há confronto excessivo, para não lhe chamar guerrilha, entre a actual e a anterior maioria

Barreiro - Francisco Alves do Bloco de Esquerda<br />
Há confronto excessivo, para não lhe chamar guerrilha, entre a actual e a anterior maioria<br />
. Modelo de negócio da CMB não nos deixa muito tranquilos

. Preocupações com endividamento da autarquia

. Defendemos a ideia da intermunicipalidade dos transportes

Francisco Alves, salientou que a Habitação Social, é um tema que deve merecer atenção de todos por essa razão, a Habitação Social no Barreiro vai ser uma prioridade da acção política do Bloco de Esquerda.

Francisco Alves, Coordenador Concelhio do Bloco de Esquerda e líder do Grupo do Deputados da Assembleia Municipal do Barreiro, reside no Barreiro há 15 anos, Sindicalista da CGTP/IN, é um activista em Lisboa.
Foi trabalhador da MOMPOR, onde começou a sua vida profissional, empresa metalomecânica no Barreiro. Ao longo dos anos a sua militância no BE foi em Lisboa. Desde há dois anos que iniciou a sua militância na concelhia do Bloco de Esquerda do Barreiro.

Existe deficit de participação

Em conversa com o jornal «Rostos», recorda que nas últimas eleições autárquicas o Bloco de Esquerda colocou no seu programa eleitoral três questões que considerou fundamentais para a sua intervenção politica – promover a participação das pessoas, promover a democracia nos órgãos autárquicos e na vida da cidade e a cidadania.
“Nós consideramos que existe deficit de participação, nomeadamente na Assembleia Municipal, foi sempre aí que tivemos representação, e, nas Assembleias de Freguesia. Nós considerámos que havia, de facto, uma menor consideração pelo órgão assembleia, daquilo que nós entendemos, que é transformar a Assembleia Municipal num órgão com dignidade, com alguma autonomia, é isto que nós defendemos”, disse.

Património cultural e ligação ao rio

Francisco Alves, recordou as principais propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda nas últimas eleições autárquicas – “nós fizemos um programa sem incluirmos aquelas propostas que referimos como eleitoralistas”.
“Nós escolhemos outro caminho, dizer que o importante é olhar para o património cultural do Barreiro, a sua história ferroviária, a sua história ligada ao rio, foi este o nosso caminho mais que apontámos vamos fazer esta ou aquela obra”, salientou.

Apresentar na agenda um debate de actualidade

Um ano depois como avalia a acção politica realizada ? – perguntámos.
Referiu que nos órgãos onde o BE está representado, foi feito um trabalho, muito positivo, na construção de um novo regimento, por todas as forças politicas, no caso a Assembleia Municipal, visando dar dignidade ao órgão autárquico, tendo sido equilibrados os tempos de intervenção.
Sublinhou que por proposta do BE, foi criado o artigo 41º, que atribui a todas as forças politicas o direito de apresentar para a agenda de trabalhos, um debate de actualidade.
Referiu como positivo o novo modelo de reuniões descentralizadas e aos sábados.
Salientou o facto de não se registar uma participação positiva da população, embora exista uma valorização com a transmissão através de novas tecnologias.

Confronto excessivo para não lhe chamar guerrilha

Que balanço faz da gestão autárquica?
O Deputado do Bloco de Esquerda, salienta que acompanha as reuniões da Câmara Municipal do Barreiro, reconhece como positivo, o modelo de abertura de todas as reuniões ao público, mas considera que o período antes da ordem do dia se transforma – “num confronto excessivo, para não lhe chamar guerrilha, entre a actual maioria e a anterior maioria, um clima de confronto, que não é por aí que a cidade está representada, acho que a população merece mais, merece que as força politicas respondam, todas elas, com as suas propostas concretas e discutam politicamente, evitando excessos de disputa politica, que, do nosso ponto de vista, não interessa aos barreirenses”.

Modelo de negócio não nos deixa muito tranquilos

“A actual maioria do PS tem uma estratégia comunicacional diferente, que passa uma mensagem de evolução, mas, que nós consideramos necessária concretizar no terreno e na obra concreta”, disse.
Francisco Alves, refere que o “modelo de negócio”, de parcerias da Câmara Municipal do Barreiro – “não nos deixa muito tranquilos, não é que esteja alguma coisa mal em termos legais, nada disso, é, efectivamente, a perspectiva do Bloco de Esquerda, que tem como posição de principio contra as parcerias público-privadas, e, há situações que parece encaminharem-se para aí, e, temos optado pela abstenção, como fizemos no caso do dormitório e o armazém de víveres”.

Preocupações com o endividamento

Francisco Alves, expressa as preocupações do Bloco de Esquerda com o endividamento, que vai trazendo, embora a situação financeira da autarquia, pelos números que são públicos, não sejam de molde preocupante. Reconhecendo que – “é preciso evoluir e que é preciso mexer”.
“De endividamento em endividamento nós temos que tomar alguma atenção”, salienta.

Braamcamp não temos posições deterministas

O Deputado do BE, salienta que pretendem acompanhar a situação da Quinta do Braamcamp – “não temos posições deterministas”.
“A Quinta de Braamcamp tem que ser um espaço para a população e devidamente assente naquilo que está determinado no projecto. Há espaço para tudo, mas um espaço que tem que ser muito acautelado, para que a população possa fruir daquela situação privilegiada que o Barreiro tem, e que, podemos construir ali coisas muito interessantes para as pessoas partilharem. É uma situação que vai ter o nosso acompanhamento”, afirma.

Temos posição favorável sobre o Terminal de Contentores

Francisco Alves, sobre o Terminal de Contentores do Barreiro assim como a instalação do aeroporto na Base Aéra nº 6 do Montijo, sublinhou que são situações que o Bloco de Esquerda vai “acompanhar atentamente” e “participar com força e com algum cuidado sobre estas matérias”.
“Temos posição favorável sobre o Terminal de Contentores. Tivemos uma reunião com o Vereador Rui Braga, apresentou-nos os estudos, mas queremos participar com muita força na discussão pública e nos debates que consideramos absolutamente necessários serem levados a cabo com a população. O Terminal de Contentores tem que ser uma coisa muito discutida, e a sua localização tem que ser aquela que todos queremos, de não limitar a nossa paisagem da Avenida da Praia”, referiu.
Referiu a necessidade de se ter em atenção as acessibilidades, dada a ocorrência que vai acontecer nos transportes.
“Ainda só estamos a falar de um projecto, que vai estar em discussão pública. Haverá um Concurso Internacional, veremos se alguma empresa aparece ao concurso”, disse.

Não vamos tomar posição pelo sim ou pelo não

Sobre o aeroporto do Montijo, recordou que foram estabelecidos contactos entre a Plataforma Cívica e o BE – “mantemos a nossa posição, que foi transmitida, enquanto não tivermos conhecimento do Estudos de Impacto Ambiental, não vamos tomar posição pelo sim ou pelo não”.
“Não acompanhamos a posição da CDU, sem saber o que se passa ao nível de situações ambientais, percebendo que a instalação do aeroporto vai ter problemas de ruído para as pessoas do Barreiro e da Baixa da Banheira”, disse.
Refere que, caso o governo concretize esta sua opção, como é que o concelho do Barreiro vai ter contrapartidas, perante um deficit ambiental.
“Não concordamos que o Primeiro Ministro se pronuncie sem que exista o Estudo de Impacto Ambiental”, afirmou.
Ligado a esta temática Francisco Alves, salientou a importância da ligação do Barreiro ao Montijo e também a ligação do Barreiro ao Seixal - "Já é tempo de avançar".

Habitação Social uma preocupação

Quais vão ser as bandeiras politicas prioritárias do BE no próximo ano?
Sublinhou Francisco Alves, que já começou a ser feito um trabalho sobre Habitação Social, porque temos preocupação sobre a Habitação Social no Barreiro – “este é um tema que tem que merecer a todos atenção”.

Defendemos a ideia da intermunicipalidade dos transportes

Outra matéria, salientada, é a situação, que cada vez se agrava mais, as condições de prestação de serviço pelos TCB’s.
Sabemos que há a compra de 60 autocarros. Queremos saber quando chegam os primeiros dez autocarros e toda a frota.
“O transporte está degradado. Reconhecemos a importância dos TCB, mas a degradação é clara”, disse.
Sublinhou que tudo isto é importante, até, porque, o Bloco de Esquerda defende a ideia da intermunicipalidade dos transportes.
Por outro lado, sublinhou que o BE, defende o fim das concessões aos privados, quer aos TST, quer à FERTAGUS – “esta reviravolta é fundamental, passar de serviço privado a serviço público”.

Puxar pela participação dos barreirenses

“Queremos no Barreiro e vamos puxar por isso, que também é uma responsabilidade de cada uma das forças politicas, puxar pela participação dos barreirenses na vida social, associativa, politica, que é muito importante, têm que ser as pessoas a decidir o seu futuro. Isso faz-se com participação, sublinhou.

S.P.

06.10.2018 - 13:25

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