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Barreiro - TCB pode alargar serviço a concelhos limítrofes
Colaborar na mobilidade de Sesimbra, Palmela e Seixal para além da Moita
. Novos autocarros em Março ou Abril

Barreiro - TCB pode alargar serviço a concelhos limítrofes<br>
Colaborar na mobilidade de Sesimbra, Palmela e Seixal para além da Moita<br>
. Novos autocarros em Março ou Abril<br>
. Barreiro deve muito aos TCB

. Operador de referência na Margem Sul

Os TCB podem evoluir para um serviço intermunicipal, chamando as Câmaras de Seixal, Sesimbra, Palmela e Moita a integrar a estrutura accionista, revelou João Pintassilgo, em entrevista ao jornal «Rostos».

João Pintassilgo, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na sua actividade autárquica quotidiana assume a gestão dos serviços Municipalizados dos Transportes Colectivos do Barreiro, ali, nas instalações dos TCB, mantivemos uma conversa para conhecer a realidade actual e projectos futuros.

Barreiro deve muito aos TCB

No começo do nosso diálogo procuramos conhecer quais as criticas e propostas que existiam, enquanto candidato, sobre matérias de transportes municipais. João Pintassilgo salientou que, pelas actividades autárquicas que desempenhava, nomeadamente ao nível da Assembleia Municipal, foi sempre acompanhando os TCB e com conhecimento concreto do serviço prestado.
“Não me ofereciam dúvidas nenhumas, como continua, hoje, a não oferecer dúvidas, da importância enquanto infraestrutura de transportes para o concelho do Barreiro.
Não é a primeira vez que o afirmo, que o concelho do Barreiro deve muito aos TCB, com a crise económico-financeira que o país passou e que, naturalmente, atingiu as autarquias, os TCB conseguiram ser um suporte e uma ajuda importante para a continuidade da actividade económica, que o Barreiro ainda tem, e, naturalmente, para a ajuda da mobilidade das populações”, sublinhou.
“Os TCB foram, são e a perspectiva é que vão continuar a ser um suporte da actividade económica e da mobilidade no concelho”, acrescentou.

Gestão operacional foi melhorada

Referiu, no que diz respeito a criticas à gestão dos TCB, uma situação que – “ainda hoje está por resolver, independentemente dos argumentos que se possam utilizar, que foi o processo que levou à acumulação de dividas nos TCB, mesmo que se consideram algumas delas injustas na perspectiva da não compensação aos TCB, pelo serviço público, o facto, é que a realidade é o que é, e, nunca se pode deixar que uma empresa, neste caso, os serviços Municipalizados, fiquem afectados e que, isso, possa prejudicar a sua actividade futura”.

Prestar efectivamente um bom serviço público

Acrescentou, igualmente, algumas reflexões, sobre a gestão integrada dos TCB, no que diz respeito a manutenção, pessoal, etc.
“Concretamente, há alguns anos a esta parte, não consigo situar no tempo, começou a notar-se, quando o financiamento da Câmara Municipal do Barreiro aos TCB rondava os 2 milhões de euros, enquanto, hoje, anda por cerca de metade. Isto tem significado que a gestão operacional foi melhorada, houve melhor atenção à manutenção das viaturas, isto é um facto, houve uma melhoria na gestão dos TCB”, sublinhou.
Sublinhou João Pintassilgo, que as alterações e melhorias na gestão dos TCB, só se concretizam com mudanças de atitudes e de visão sobre a prestação do serviço público.
“Em vez de se falar muito em defesa do serviço público, seja ele qual for, há é que prestar efectivamente um bom serviço público, porque se não se prestar um bom serviço público, de certeza absoluta que surgirá a alternativa pela iniciativa privada. Uma autarquia que é, na sua essência, em exclusivo um prestador de serviço público, e, de serviço público fundamental no apoio aos munícipes e à actividade económica do concelho, esse serviço público é indispensável e, isso, nem sempre aconteceu, e, ainda hoje, estou a corrigir algumas práticas que existem, tentando contrariar ideias já feitas ao longo de muitos anos”, disse.

Frota não tinha oferta para ir à Moita

Quando assumiu a responsabilidade politica que encontrou?
“Quando cá cheguei, digo, que do ponto de vista politico me senti um pouco enganado. Por exemplo, quando é aprovado, por unanimidade, na Assembleia Municipal a extensão dos serviços à Moita, sendo assegurada que existiam condições de manter a mesma qualidade de serviço público, chego cá e verifico duas coisas, efectivamente a frota não tinha aquela oferta para ir à Moita, e, manter a qualidade de serviço no Barreiro. O facto é que a qualidade do serviço no Barreiro foi afectada por isso, e ainda hoje está a ser, e, ainda por cima a contribuição da Moita, para os TCB, nunca tinha sido paga estava com dois anos de atraso.”
Acrescentou que “percebendo as boas intenções da decisão”, que permite, hoje, o Barreiro apontar para outros horizontes de prestação de serviço, porque – “marcámos uma posição ao ir à Moita, devia ter-se acautelado algumas medidas em relação à frota, sendo inadmissível que se estivesse a prestar um serviço e este não fosse pago”.
“Quando cheguei cá em contactos com a Câmara da Moita, esta nem sabia muito bem quanto tinha que pagar. Isto está ultrapassado, a situação está praticamente regularizada”, disse.

Único operador que renova totalidade da frota

João Pintassilgo, sublinha que, após tomar posse, começou a participar nas reuniões de reflexão sobre o novo modelo de transportes públicos para a Área Metropolitana de Lisboa.
Recordou que estava em curso o processo de renovação total da frota – “somos o único operador que renovamos a totalidade da frota”.

Evoluir para um serviço intermunicipal

Sublinha que, perante a actual legislação, os TCB podem ir mais longe, e no âmbito da discussão que tem vindo a ser feita na AML, onde se perspectiva a existência de um processo de contratação, assumindo os municípios o papel de autoridade de transportes.
“Isto abre uma janela de oportunidade aos TCB, porque com a frota de 60 autocarros que vai receber – sendo utilizados 53 e 7 ficam de reserva – podemos fazer prestação de serviço a concelhos limítrofes, que já no passado vinham manifestando a vontade dos TCB pudessem colaborar na mobilidade desses concelho, estou a referir, Sesimbra, Palmela e Seixal, para além da Moita, onde já vamos, haverá sempre a condicionante que a maioria da actividade tem que ser feita no concelho do Barreiro. Este início de diálogo com estas quatro Câmaras, permitiu também, abrir a oportunidade que os TCB, possam evoluir para um serviço intermunicipal, chamando as Câmaras a integrar a estrutura accionista. Está haver a adesão à ideia”, sublinhou João Pintassilgo.

Marca única «Carris Metropolitana»

O vice presidente da Câmara Municipal do Barreiro salientou que no âmbito da discussão da mobilidade da AML, vai ser criada uma «marca única» sob a qual funcionarão todos os operadores rodoviários que poderá ser «Carris Metropolitana», mas que também está em aberto a hipótese de ser «Carris –TCB – Metropolitana», igualmente, divulgou que a frota poderá vir a mudar para a cor amarela.
Admite o impacto emocional que possa existir com a mudança dos TCB, ao nível do Barreiro – “esta é uma cedência positiva”. Quanto à mudança de cor, considera que, ao longo dos anos, mesmo nos TCB, registaram várias mudanças.

Operador de referência na Margem Sul

“O importante é que os TCB possam ser um operador de transportes rodoviários de referência na margem sul, poderá chegar até onde o pensamento e a ambição do homem que estiver a gerir os destinos dos TCB ”, disse.

Novos autocarros em Março ou Abril

João Pintassilgo, refere que os primeiros novos autocarros, de renovação total da frota vão chegar no próximo mês de Março ou Abril.
Salientou que está em marcha o concurso para o fornecimento de gás natural, e, já esta a decorrer o processo de concurso para admissão de motoristas. Admite-se a necessidade de mais 20 motoristas.

Repor a qualidade que se perdeu em algumas carreiras

Com a chegada dos novos autocarros, em primeiro lugar, sublinhou será a aposta na prestação de melhor serviço no concelho – “repor a qualidade que se perdeu em algumas carreiras e temos em agenda uma série de novas carreiras, por exemplo criar uma carreira exclusiva, que faça todos os serviços de saúde do concelho, desde Centros de Saúde ao Hospital”.

Em marcha Sistema de Gestão de Qualidade

João Pintassilgo salientou que vai dar continuidade ao contrato, após uma avaliação prévia do projecto, do processo de implementação do Sistema de Gestão de Qualidade.
Está a decorrer a prepração de uma auditoria interna, que permita iniciar as acções, de forma que durante o ano de 2019, se aposte na certificação.
“Este processo valoriza o sistema de gestão, porque vai trazer um valor acrescido, em termos de imagem, é um processo que mobiliza as pessoas, envolve os trabalhadores, vai trazer mudanças significativas em algumas práticas e proporciona diálogo na estrutura, contribuindo para criar um bom ambiente. Esperemos que os TCB possam influenciar os serviços da Câmara, nesta matéria”, salientou.

TCB vão estar preparados para o aumento da procura

Este novo paradigma de transportes da AML, que pode trazer de novo para a região?
“Em primeiro lugar pode trazer a existência de menos transporte individual na rua, apesar do Barreiro, já sabemos isso, é dos concelhos onde a mobilidade interna utiliza menos o transporte individual.
Vai trazer a redução de preço, principalmente para quem sai para fora do concelho, naturalmente vai haver um aumento da procura. Os TCB vão estar preparados para o aumento da procura, tendo capacidade de oferta, mas há operadores que poderão não estar preparados, nomeadamente na ferrovia e transporte fluvial”.

Um Barreiro Verde

No final da nossa conversa, João Pintassilgo sublinhou os benefícios ambientais resultantes da entrada em funcionamento da nova frota de autocarros dos TCB, devido à redução de gases que produzem efeito de estufa – “é um impacto significativo, entroncando na estratégia municipal sobre as alterações climáticas, assim como transformar a imagem do Barreiro, que deixa de ser um Barreiro poluído e sujo para se transformar num Barreiro Verde”.

António Sousa Pereira



07.01.2019 - 18:48

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