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entrevista

Bruno Vitorino, Vereador da Câmara Municipal do Barreiro
Da actual gestão «esperávamos um bocadinho mais»

Bruno Vitorino, Vereador da Câmara Municipal do Barreiro<br />
Da actual gestão «esperávamos um bocadinho mais». Estamos a lançar a área do empreendedorismo

. Reforço da iluminação nas escolas básicas do concelho

. Barreiro uma terra mais amiga das crianças e mais amiga das famílias.

. Se for vontade dos barreirenses está preparado e disponível para ser Presidente da Câmara

A actual gestão “é uma equipa ainda algo inexperiente, esperemos que ainda possa mudar daqui para a frente, sob pena do Barreiro, ficar na mesma como estava antes, isso é mau para o meu concelho”, refere Bruno Vitorino

Bruno Vitorino, distinguido como «Rosto Politico do Ano 2018», por essa razão, começámos a nossa conversa, obtendo a sua opinião sobre esta distinção.

Estar de cabeça erguida na vida politica

“Quero naturalmente agradecer. Nestas coisas, a primeira palavra que temos que dizer é :Obrigado!
Não pauto a minha vida, nem pública, nem politica, com o objectivo de pensar em receber qualquer tipo de distinção. Agora, o que eu procuro fazer ao longo dos anos, na minha vida pública e pessoal, regida por valores e por princípios, por lealdade, por serenidade, por frontalidade, e, naturalmente procuro dar o meu melhor, nos projectos onde me meto levo-os a sério, o que me permite estar de cabeça erguida na vida politica, há mais de 30 anos, com obra feita, com questões concretas a serem resolvidas, com convicções, que, ao longo deste tempo já deu para perceber que não é só conversa. Os projectos onde me meto são materializados, são projectos que acabam, no final por ter um rosto e não é só conversa...”

Abril, não se fala, celebra-se, pratica-se

A propósito de rostos, como é que o politico Bruno Vitorino, olha para o jornal «Rostos»?
“Eu gosto muito da imprensa regional, local, nacional, livre. Sei que isto incomoda alguns, mas, eu convivo muito bem com a diferença, talvez por vir de famílias muito heterogéneas em termos políticos, desde ter uma mãe que foi deputada do Partido Socialista, a avô do Partido Socialista, a tios que eram do mais activos possível dentro do PCP, eu, habituei-me a viver no meio da diferença e a conviver com as diferenças democráticas. Portanto, convivo bem com a diferença, convivo bem com a critica, desde que seja construtiva, portanto convivo muito bem com a liberdade de imprensa.
Por isso, para mim, fazem todo os sentido este tipo de projectos, nomeadamente o ‘Rostos’, ajudam muito a dar a conhecer o que se vai fazendo na cidade, a dar a conhecer a cidade, a dar a conhecer os protagonistas da cidade, nas mais diferentes áreas e não só na politica, mas, em todas as áreas do poder económico, do desporto, as memórias e o passado que tem muita influência no futuro.
Acho que o ‘Rostos’ é um projecto que já tem uns aninhos, que espero que vá muitos mais aninhos, porque nos faz falta um projecto deste género.
E, digo, faço muito a distinção sobre aquilo que é a opinião do seu Director, com a qual muitas vezes não concordo, daquilo que é uma linha editorial que sempre, pelo menos pelo que eu tenho visto, abriu as portas a toda a gente, e, acho que é assim que deve ser. Abril, não se fala, celebra-se, pratica-se”.

Faz muita confusão a partidarite aguda

Na actual gestão da Câmara Municipal do Barreiro, o Bruno Vitorino é a charneira, qual é olhar do vereador para esta gestão municipal neste últimos dois anos?
“O Bruno Vitorino não é charneira de nada, é um vereador em nove, portanto, é um nono da vereação, foi o que os barreirenses quiseram dar de força ao PSD.
Claro que às vezes há posições mais extremadas, de uns e de outros, que levam que o vereador do PSD fica numa posição de ter que decidir, e, tomo essas decisões de acordo com as convicções, com a consciência, de acordo com o programa eleitoral do PSD, e, tendo em conta os interesses do Barreiro.
Não o faz por birra. Isso é uma coisa que a mim me faz muita confusão, a partidarite aguda e a birra, ou seja, este projecto vem daqueles logo é mau, esta proposta, esta moção vem dos outros, logo nós estamos contra. Isso faz-me muita confusão na vida politica, sempre fez, portanto, continuarei a analisar, cada proposta como ela é, pelo seu valor, e de acordo com as minhas convicções e os compromissos que assumi perante os barreirenses.
Não há aqui charneira. Há propostas que voto vencido, sozinho, isolado.”

Isto é ir atrás do património das pessoas

“Há pouco tempo, houve uma proposta com a concordância do PS e da CDU, que me deixaram isolado e a votar contra, que foi a majoração para um conjunto de imóveis, que são devolutos, e, que, esta maioria entre a CDU e PS, entendem que deve haver uma penalização para os proprietários que tenham prédios devolutos, quando ao lado, podemos ter um prédio completamente degradado – o devoluto não é igual a degradado - assim temos um prédio em ruínas que tem o agravamento de 30% do IMI, nos devolutos, passamos a ter um agravamento de três vezes mais, nos 300%, em relação a esse mesmo imposto municipal. Não concordo. Acho que isto é ir atrás do património das pessoas.
Temos que perceber as causas que estão por trás das situações em concreto, este é um exemplo, que continuam a existir questões concretas na vida da cidade, que eu muitas vezes voto isolado, de acordo com a minha consciência e em defesa das minhas convicções.”.

Cada vez temos mais escolas com a bandeira verde

Que balanço é feito no trabalho realizado nos pelouros que são da sua responsabilidade?
“Na parte de sustentabilidade ambiental e eficiência energética, dividir em duas.
Na sustentabilidade ambiental, felizmente cada vez temos mais escolas com a bandeira verde, cada vez envolvemos mais alunos, mais crianças, mais grupos de jovens e não jovens, mais empresas nas nossas actividades na Mata Nacional da Machada, na Reserva Natural Local, nas actividades do Life, quer ao fim-de-semana, quer nos workshops, acho que a Reserva da Mata Nacional da Machada e o Sapal do Rio Coina, acho que são já hoje, uma certeza, uma afirmação, no concelho do Barreiro. Toda a gente conhece este trabalho e, tem ajudado, e muito, a dar para fora do concelho uma imagem diferente, daquele concelho com o seu passado industrial.
Acho, felizmente que somos muito mais do que isso, e Mata Nacional da Machada e o trabalho que lá temos feito, que não é um trabalho só meu, é dos técnicos, e de outros vereadores, como o Nuno Banza, a Olga Paredes, o Luis Bravo, é um trabalho que tem a marca do PSD, que se afirmou no Barreiro. Acho que ninguém para este projecto.”

Reforço da iluminação nas escolas básicas do concelho

“Na Eficiência Energética ainda estamos na fase embrionária, estamos a dar o pontapé de saída conjuntamente com outros serviços da Câmara, nomeadamente com o Vereador Rui Braga, na questão da iluminação pública, que vai ser importante este projecto. De referir que a parte jurídica está com ele, não está comigo, mas a parte do acompanhamento e da instalação será para a área que estou a criar de Eficiência Energética.
Depois, vamos pegar nos edificíos municipais.
Com a S.energia, temos um projecto que é também estruturante, o reforço da iluminação nas escolas básicas do concelho e na transformação para lad, que vai obrigar a ver toda a questão dos aparelhos eléctricos e todo os sistema eléctrico e, até, da potência das escolas.
Isto, em relação à climatização, que terá que ser o passo seguinte à iluminação.
A transformação em todas as escolas em iluminação lad é bom em termos de poupança, é bom em termos de impactos ambientais. É bom naturalmente para as crianças que vão ter outras condições e outro conforto. É o abrir a porta para as questões da climatização, porque, para mim, uma coisa que me faz muita confusão, o termos 95% das escolas básicas do concelho com os miúdos a passarem ou frio, ou calor. É uma coisa completamente inaceitável.”

Estamos a lançar a área do empreendedorismo nas escolas

“Na área da Juventude, hoje, já não é só a Quinzena da Juventude, apesar de continuarmos, e, este ano, termos duplicado o número de projectos, que era hábito e prática aparecerem. Temos mais pessoas, apoiamos mais projectos, até, fora da Quinzena da Juventude.
Autonomizamos áreas. Estamos a lançar a área do empreendedorismo nas escolas, para dar mais competências aos alunos, mais competências ao jovens, para terem esta lógica de espirito empreendedor, que não é imediatamente criarem a sua própria empresa, mas é ajudar em competências de empreendedorismo, de uma série de áreas que nunca trabalhamos no Barreiro e faz todo o sentido, ao mesmo tempo que já estamos a trabalhar no modelo de incubadora de empresas, a dita ‘start up Barreiro’.
Este é um projecto conjunto, não é só da área do empreendedorismo. A gestão será nossa, mas o modelo de implementação carece, naturalmente, projectos e, como é óbvio, do ponto de vista politico uma aprovação que tem que envolver quem ganhou a Câmara Municipal, mas, estamos a trabalhar nisso, porque faz todo o sentido. O Barreiro tem visto muitos dos seus jovens com talento, com projectos inovadores a afastarem-se do Barreiro, e, a vingar projectos empresariais de sucesso noutros concelhos, porque nós, nunca lhes demos condições aqui para se fixarem, portanto é um projecto no qual depositamos muitas esperanças. Sabemos que é um projecto que pode dar frutos a médio prazo, não é uma coisa imediata, mas, está a dar muito trabalho e, em breve, teremos mais novidades.”

Barreiro uma terra mais amiga das crianças e mais amiga das famílias.

“Por último, um projecto novo no Barreiro, para trabalharmos na área da politica da criança e da família, esperamos ter um conjunto de novidades a breve trecho.
Neste momento, em termos práticos estamos a estudar e a fazer um processo de candidatura as municípios ‘familiarmente responsáveis’, trabalhar muito as famílias numerosas, através do Gabinete da Família e da Criança, por exemplo, uma coisa muito e simples e concreta, pusemos fraldários nas casas de banho do município que não existiam, uma coisa simples, que um pai, ou uma mãe que se dirigia a um serviço municipal, não tinha um sitio onde fazer a mudança de um fralda.
Nós temos, ainda, muito para tentar fazer do Barreiro, uma terra mais amiga das crianças e mais amiga das famílias.
Isso vai passar por rever taxas e tarifas municipais, impostos municipais no âmbito da incidência sobre as famílias, e promover um conjunto de outras matérias, para trabalhar esta área da família e da criança, tornando o Barreiro uma terra amiga das crianças e das famílias.
Nós somos o concelho mais envelhecido da área metropolitana de Lisboa, temos um índice de envelhecimento 186, ou seja, 186 pessoas com mais de 65 anos, para cada 100 jovens com menos de 15 anos.
Se não invertermos isto, este é um concelho que não tem futuro. E isso, também passa por politicas que torne o Barreiro mais amigo das crianças e das famílias, que isto ajude a fixar pessoas cá, jovens que nasçam, que cá estudem e que possam também cá habitar e cá trabalhar, mas, também a atrair jovens casais de fora, para renovarmos o tecido social, que bem precisamos.”

As minhas expectativas eram mais elevadas.

Qual a avalaliação que o vereador social democrata faz deste dois anos de gestão?
“Acho que ainda é cedo para fazer uma avaliação definitiva do mandato, mas, confesso que as minhas expectativas eram mais elevadas. Acho que há áreas que as coisas estão melhores. Há uma abertura, de facto, maior àquilo que é iniciativa privada, à criação de riqueza e de emprego, na perspectiva do empresário, não há aqui uma barreira ideológica, que antes existia, mas, depois, naquelas áreas do dia-a-dia da cidade até há coisas que estão piores. Eu neste momento não consigo, ainda, fazer um balanço definitivo, mas confesso que as minhas expectativas eram mais elevadas.
Acho que, para uma equipa nova, que vinha com tanta força e com tanta pujança, podiam e deviam fazer mais por aquilo que é o dia-a-dia da cidade. Estou farto de dar contributos nesse sentido. Viabilizei todos os documentos relevantes para a gestão do município, os orçamentos, as contas, a estrutura orgânica, todos os documentos importantes. Não há desculpas.
O PSD tem tido postura de critica construtiva, está para trabalhar e colaborar, nas áreas que são da sua responsabilidade, está para criticar o que entende que deve criticar, mas, está cá para colaborar e ajudar naquilo que deve fazer, e, nas questões essenciais naquilo que é a gestão de uma Câmara tem-no feito em tudo, portanto, se temos dado essa colaboração, esperávamos um bocadinho mais do outro lado, mas, é uma equipa ainda algo inexperiente, esperemos que ainda possa mudar daqui para a frente, sob pena do Barreiro, ficar na mesma como estava antes, isso é mau para o meu concelho. Não é algo que me deixe minimamente satisfeito.”

Conviver um pouco melhor com a critica

Nas reuniões de Câmara há clivagens entre o vereador social democrata e o presidente, como é que avalia o trabalho da presidência?
“Umas vezes há clivagens com o presidente da Câmara, outras há clivagens com vereadores do Partido Socialista, outras com vereadores do Partido Comunista. O vereador do PSD já habituou, a quem acompanha estas matérias, que não é uma pessoa para mandar recados. Não manda recados. Diz o que tem a dizer, que gosta que os procedimentos, sejam transparentes, claros, que impere o bom senso e a democracia. Isto é diferente da discussão politica dos temas. As pessoas misturam tudo e não sabem que há valores mais altos, que se levantam nestas diferenças e são normais em democracia.
As pessoas têm, todas elas, em conviver um pouco melhor com a critica e um bocadinho melhor com os regimes democráticos, que é feito disto mesmo de diferenças.
Essas diferenças têm locais próprios, não é nas redes sociais, através de cobardes anonimatos, que nós vamos mostrar as nossas diferenças, tem de ser de forma frontal nos órgãos autárquicos.
Esta vai continuar a ser a postura do vereador do PSD, sempre foi ao longo de 30 anos de vida pública, e, assim vai continuar a ser, portanto, há clivagens com o senhor presidente e sempre que tiver que haver vai continuar a haver, porque não tenho por hábito calar ou mandar recados, será sempre de forma frontal que direi o que tenho a dizer a toda a gente, ao presidente da Câmara e aos vereadores de todos s partidos.”

Uma alternativa em termos de propostas.

O PSD quer ser a alternativa no Barreiro?
“O PSD é uma alternativa no Barreiro. É uma alternativa em termos de ideias, é uma alternativa em termos de propostas.
Nós, pegámos na questão IMI, há alguns anos atrás, e não largámos, até na Contribuição Autárquica e, neste momento, já conseguimos mais qualquer coisa, foi pouco, foi, mas primeiro conseguimos travar aquilo que era uma lógica de crescimento do IMI, ao longo dos tempos, depois conseguimos, ainda no mandato anterior, forçar e pressionar para que o mesmo baixasse, depois, já neste mandato, conseguimos pressionar e apresentar a proposta para que baixasse, não largámos ainda, não abandonámos a questão do IMI familiar, portanto, esta é uma luta que nós tempos e não vamos, naturalmente, largar.
Temos uma visão completamente diferente do que nós queremos para a cidade. Damos uma importância redobrada áquilo que é o dia-a-dia da cidade.
As paredes estão completamente sujas. As ruas estão muitas delas ao abandono, não são limpas ou lavadas.
As pragas que as pessoas se queixam de baratas ou de ratos, nos seus bairros e nas suas casas.
A recolha do lixo, onde tem que existir a sério uma politica dos separativos, dos resíduos que possam ir para reciclagem.
Os passeios, as bermas, onde está tudo cheio de ervas, o espaço público ao abandono.
Nós damos muita importância a estas pequenas grandes coisas, que ajudam a dar mais qualidade de vida aos habitantes e dar uma outra imagem do Barreiro, nisto parecemos ser os únicos a fazê-lo.”

Vamos pôr-nos ao lado dos barreirenses

“Por exemplo, na questão da mobilidade temos andado desde 2007, até antes, mas desde 2007 que andamos a falar da questão da SOFLUSA, a dizer que temos que ter outra atitude, enquanto Câmara na pressão do governo.
Não é para atribuição de culpas, porque nisso haverá culpas partilhadas, por vários governos ao longo dos tempos, por várias razões que todos podem se queixar e ninguém tem razão.
Mas, só uma entidade hoje, que pode naquilo que é uma empresa pública, fazer seja o que for que é quem tutela essa mesma empresa, é o governo. É o governo que cativa 35% do orçamento da SOFLUSA, é o governo que autoriza ou não a contratação de recursos humanos, e sabemos que os lá temos são escassos.
Passaram quatro anos com este governo, vamos pressioná-lo enquanto Câmara, vamos pôr-nos ao lado dos barreirenses que precisam daquele transporte para ir trabalhar, isto está a prejudicar as pessoas.

Eu acho que é conversa fiada

Defende a entrada da Câmara na gestão da SOFLUSA?
“Isso, eu acho que é conversa fiada. Não podemos chegar a uma sessão de Câmara e dar um murro na mesa, então temos que pensar seriamente nisso. Certo. Mas já estamos na Câmara há dois anos, que propõe isso governa há dois anos, diga lá que estudos é que já fez, para que fosse possível discutir isso com seriedade.
Isso é um fait divers, não dou importância nenhuma a isso, dou importância é que 30 mil pessoas querem ir trabalhar diariamente, utilizando aquele transporte fluvial, e, é o martirio é o caos diário.
O governo não faz nada e é completamente insensível a esta questão e a Câmara Municipal que devia estar do lado dos seus munícipes, e do lado do concelho, porque isto prejudica pessoas e afecta negativamente a imagem do concelho do Barreiro.

Potenciar do ponto de vista da sustentabilidade económica

O conflito da Braamcamp é um problema do PS e do PCP?
“O problema da Braamcamp foi transformado, na minha opinião, num conflito PS-PCP, embora reconheça, pelos movimentos que por aí andam, há muita gente da sociedade civil, que eu conheço, alguns até me apoiaram, portanto, estou à vontade para dizer que vejo ligadas a partidos e pessoas que não vejo ligadas a partidos nenhuns. Mas essa foi um bocadinho a génese, o que é mau.
Portanto, mais um projecto, em que nós provamos que somos alternativa.
Fomos muito claros, na sessão de Câmara, quando falámos da nossa ideia para a Quinta de Braamcamp.
Eu não posso estar contra, ou a favor, de uma coisa que não conheço em detalhe, portanto o que tenho que fazer, que não estou contra como o PCP, que desde o principio que está contra, não estou a favor, como o Partido Socialista, que já está a favor, mas, ou tem mais informação que nós temos em público, porque de acordo com o que é público é impossível estar a favor.
Ora, choca-me a construção de habitação naquela zona? Não, não me choca o principio. Acho que não zona nenhuma que possa sobreviver, se não tiver um modelo de sustentabilidade, dessa mesma zona.
Nós não podemos pensar que é o orçamento da Câmara que vai suportar um conjunto de investimentos, e, a manutenção que está associada naquela zona se não tivermos, também, forma de potenciar do ponto de vista da sustentabilidade económica aquela mesma zona.
O ter lá população, o ter lá habitação, desde que não seja uma pressão muito grande, desde que se pense do ponto de vista arquitectónico o que ali vai estar, desde que se respeite os impactos ambientais, desde que se respeite o usufruto público de toda a outra zona, mas, se isso servir, com a verba que dali vem para a manutenção daquele espaço, e, através de habitação e outras actividades económicas…”

Primeiro termos um estudo urbanístico

Isso significa a venda de toda a Quinta Braamcamp?
“Não sei. Essa é que é a questão. Como é que podemos dizer que sim, ou que não, se nada está estudado.
O que nós dizemos, desde o principio, é que só vamos viabilizar algo, depois, primeiro termos um estudo urbanístico, que vá explicar tudo o que se pretende, e vá avaliar todos os que contornos que ali estão, porque nós vamos ter que fazer ali esgotos, vamos ter que fazer arruamentos, vai ter impacto sobre aquela zona, vamos ter que fazer zonas de espaço público. Aquilo pode ser o futuro.
O potencial que ali está, é raro ouvir falar nisso. A Quinta de Braamcamp pode e deve ser vista com um factor de potencial para desenvolvimento do Barreiro, nomeadamente do Barreiro Velho e toda a zona ribeirinha, da estação até à Avenida da Praia.
Há algum estudo urbanístico? Isto custa dinheiro, custa, mas isto vale a pena. Se isto é um filão, se isto é um “filé mignon”, digamos assim, que o Barreiro ali pode ter, se é aquilo que nos pode diferenciar da oferta, e para nos por no mapa em todas a área metropolitana sul, da zona de Lisboa, então, nós temos que pensar muito bem aquele território e não podemos chegar ali e dizer: vamos vender, ou, não podemos dizer que estamos contra a venda.
Temos que estudar. Temos que perceber. Temos que perceber todos os contornos jurídicos, urbanísticos, paisagísticos, impacto ambiental, económico e ter um modelo, que agregue todas estas áreas, e depois, seja blindado do ponto de vista jurídico.”

Pôr um bocadinho a carroça à frente dos bois

“O que me parece, aqui, é que estão a pôr um bocadinho a carroça à frente dos bois, quando se contrata, pelos vistos é verdade, um escritório de advogados, para fazer um processo já fechado, quando não há maioria absoluta numa Câmara Municipal e todos os outros vereadores, primeiro já disseram, atenção, que queremos estudar isto, os da CDU não disseram, disseram que estão contra. Eu não disse que estou contra, nem a favor, quero conhecer, quero que seja estudado, quero que seja aprofundada a discussão, quero que se ouçam os melhores especialistas e se contrate os melhores especialistas. É futuro do Barreiro.
Mora pôs-se no mapa por causa do fluviário. Na Lourinhã há um Parque Temático, que pôs aquela região na moda,
e, neste momento vão lá milhares de pessoas.
Nós podemos ter na Braamcamp o nosso projecto de diferenciação e de revitalização e recuperação de toda a zona ribeirinha e de todo o Barreiro Velho.
Não podemos desperdiçar esta oportunidade. Não pode ser ou vendo ou não vendo, ou sou a favor ou sou contra, estamos a discutir isto, infelizmente, nesta lógica quase clubística, sou a favor ou sou contra. Sou da CDU sou contra. Sou do PS sou a favor, sem de facto percebermos do que estamos a falar.
Acho que a responsabilidade obriga-nos a avaliar. Na minha opinião, infelizmente, de um lado e do outro, isto está a ser discutido de uma forma que não devia ser assim que o assunto devia estar a ser discutido.”

Pomos os interesses do Barreiro à frente

“É por isso que nós consideramos que somos alternativa, porque pomos os interesses do Barreiro à frente, somos alternativa porque temos propostas concretas num conjunto de outras áreas que outros não têm, porque ligamos ao que vemos no dia-a-dia da cidade.
As questões da segurança, estamos fartos de falar das questões de segurança. Os indicadores de segurança que são o dobro, em termos piores, que a maior parte dos outros concelhos. Fechamos os olhos a fingir que não se passa aqui nada. os indicadores estatísticos não sou eu que os faço, é o Ministro da Administraçao Interna.
Somos alternativa porque temos propostas diferentes. Vemos a cidade de uma forma diferente. E, acima de tudo somos alternativa também na forma, como no caso da Braamcamp, em primeiro lugar está o interesse do Barreiro.”

O Bruno Vitorino quer ser presidente da Câmara?
“O Bruno Vitorino se for essa a vontade dos barreirenses, está disponível para tal e está preparado técnica e politicamente.”

S.P.

29.06.2019 - 15:42

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