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Alhos Vedros – Uma tarde com...Maria das Dores Nascimento
«A vida real é um bocadinho de um conto que eu acrescento a um outro conto»

Alhos Vedros – Uma tarde com...Maria das Dores Nascimento <br />
«A vida real é um bocadinho de um conto que eu acrescento a um outro conto»<br />
“Este meu livro é um livro que conta várias histórias, dentro de uma história. Todas as personagens que aparecem estão relacionadas com alguém. Eu vou criando a partir da vida real”, sublinha Maria das Dores Nascimento, de Alhos Vedros, sobre o seu romance - «O Homem que tinha medo de que ninguém fosse ao seu funeral».

Maria das Dores Nascimento, de Alhos Vedros, editou o seu romance - «O Homem que tinha medo de que ninguém fosse ao seu funeral”, uma história feita de muitas histórias.
Um destes dias ao fim da tarde, ali, na esplanada do Clube Naval, junto ao Moinho de Alhos Vedros. Conversamos sobre o livro e sobre a vida.

Aprendeu a sentir e a saborear a vida em Alhos Vedros

Nasceu em Lisboa, como aconteceu com muitos naqueles asnos 50 e 60, mas, a sua terra, aquela onde aprendeu a sentir e a saborear a vida chama-se – Alhos Vedros. Maria das Dores Nascimento, filha de um homem resistente antifascista, lutador por ideias que fazem dele uma referência na vida politica e associativa da região – Leonel Coelho. Sua mãe, modista, foi o seu colo de ternura, quando nos dias, apenas com 10 anos, seu pai conheceu a prisão da PIDE, e foi despedido da CUF.

Fui uma criança muito feliz

Maria da Dores Nascimento, frequentou o ensino básico em Alhos Vedros e foi aluno do Liceu de Casquilhos, naquele tempo em que ainda existiam turmas de rapazes e turmas de raparigas.
“Fui uma criança muito feliz”, comenta.
“O Liceu de Casquilhos foi muito bom, foi o tempo mais importante da minha vida, antes e depois do 25 de Abril. Estava lá no 25 de Abril”, recorda.

Uma janela para o mundo

Refere que tudo na sua vida foram contributos que ajudaram – “a minha forma de olhar para as coisas”, sublinhando que sem tudo o que viveu – “não era a mesma pessoa”. A relação com o seu pai, sua mãe e seu filho ajudaram-na a descobrir a escrita, e considera a escrita – “uma janela para o mundo”.
Vamos conversando, sobre coisas do quotidiano, sobre memórias, e, através do diálogo Maria das Dores Nascimento, transporta as personagens do seu romance, e coloca-as como exemplo de experiências de vida, quer das suas leituras de romances de José Saramago, quer os desafios vividos no ambiente do IPO.

Gosto de me relacionar com as pessoas

“As minhas influências são muitas. Gosto de pintura. Gosto muito do que faço. Na vida ninguém é só uma coisa. Para sobreviver sou funcionária das Finanças. A minha felicidade está naquilo que faço, gosto do que faço. Gosto de me relacionar com as pessoas”, refere.
Maria das Dores Nascimento, é, actualmente a Chefe da Repartição de Finanças de Setúbal. Um vida profissional que assume como importante para a vida da comunidade e do país.
“Deito-me com a consciência que faço na minha vida toda, tudo o melhor que sei, na minha vida e na minha profissão. Gosto de ser exemplar no meu trabalho.”, afirma.

As personagens nascem na vida

“Gosto de falar com as pessoas. As relações com as pessoas são fascinantes.”, salienta.
Refere que no papel social dos serviços públicos – “é preciso ouvir, é preciso ouvir as pessoas, é preciso ouvir o que as pessoas têm para nos dizer. Ouvir as suas histórias. Fazer perguntas e, depois, procurar resolver os assuntos”.
Sublinha que o seu romance foi nascendo de acasos, dos encontros com pessoas e com acontecimentos da vida – “é aí que nascem os personagens”.
“Este meu livro é um livro que conta várias histórias, dentro de uma história. Todas as personagens que aparecem estão relacionadas com alguém. Eu vou criando a partir da vida real”, sublinha.
Salienta a preocupação que coloca em investigar, documentar-se, para que os factos e referências escritas sejam marcadas de veracidade.
“As pessoas dos meu livro estão ligadas à mitologia”, refere.

As personagens fervem na cabeça

No decorrer da conversa, refere que escrever – “é ter criatividade e ter imaginação”.
“Surpreendo-me a mim própria quando dou volta a histórias. As ideias saem de forma inacabadas, depois são várias tentativas,e, por vezes, quando se está a escrever há coincidências, acontecimentos na realidade que ajudam a criar, a dar sentido à história e à vida”, salienta.
Refere que “as personagens fervem na cabeça”, no meio das actividades diárias, nesse viver quotidiano é onde nascem as historias – “ a vida real é um bocadinho de um conto que eu acrescento a um outro conto”.
Podemos testemunhar, como a Vitória, o Jorge, o Vítor, o Miguel Ângelo, a Margarida, a Dolores ou a Quitéria entravam ali no nosso diálogo e estavam sentadas ao nosso lado, vividas no eco de memórias.
“Gostava que as pessoas lessem o meu livro e conversar sobre o meu livro. Não é o vender, é gostar de saber que o livro é lido”, refere.

É preciso dar sentido à vida

No final de conversa, perguntamos, qual a mensagem que está inserida no seu romance.
Salienta que as personagens dão a dimensão do seu olhar sobre a vida, a natureza, a morte, os afectos, o dar sentido à vida.
Sublinha que há uma dimensão ‘espiritual’ no seu romance, aquela que se sente na ‘intimidade’ de cada um, nos amigos e nos afectos, ‘antes da morte chegar’é ‘preciso dar sentido à vida’.

S.P.

25.09.2019 - 19:22

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