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entrevista

D José Ornelas, Bispo de Setúbal em visita ao Barreiro
Os jovens devem levantar-se para não ficarem simplesmente a ser guiados pela história

D José Ornelas, Bispo de Setúbal em visita ao Barreiro<br>
Os jovens devem levantar-se para não ficarem simplesmente a ser guiados pela história . Eleger em cada paróquia um Conselho de Jovens

“O mal é não perguntar, não lutar, e, ficar simplesmente adormecido, ou resignar-se àquilo que vai passando, ou, então desiludir-se simplesmente de tudo, a falta de participação dos jovens na politica, na discussão dos grandes temas, que foram desaparecendo da nossa sociedade, da nossa discussão, para ficar num imediatismo que não funciona”, refere D. José Ornelas, Bispo de Setúbal, numa conversa com jornal «Rostos».

O Bispo de Setúbal, D. José Ornelas, está a realizar um programa de visitas a todas as Paróquias da Diocese, tendo como referência o contacto com os jovens. Esta semana a agenda foi marcada no concelho do Barreiro. No decorrer da sua visita manteve uma breve conversa com jornal «Rostos».

Pensar a Igreja com todas as suas dimensões

Referiu que este programa de visitas - “não é simplesmente uma questão de moda, é algo que é um caminho que a Igreja está a fazer, desde o último Sínodo dedicado aos jovens, mas, também da necessidade que nós temos de pensar a Igreja, com todas as suas dimensões, e, uma determinante é realmente a dos jovens, saber como é que vivem, como vivem neste dia de hoje, mas, também como é que vêm o dia de amanhã, que é, onde, eles começam a ser hoje os protagonistas.”

Eleger em cada paróquia um Conselho de Jovens

“Portanto, uma das coisas que nós estamos a fazer é eleger em cada paróquia um Conselho de Jovens, que não é quem vai tomar a liderança da Paróquia, mas que pode trabalhar em conjunto com os outros elementos da Paróquia, para que as vozes de todos possam ter tidas em conta na organização da Igreja”, sublinhou D. José Ornelas.

Não ficarem simplesmente a ser guiados pela história

Esta iniciativa enquadra-se na anunciada realização das Jornadas Mundiais da Juventude, em 2022, em Portugal?
“Também. Este projecto começou antes de esse evento ser anunciado, mas, é evidente que agora isso passa a ser um processo deste percurso, um processo determinante, e, esperamos que essa Jornada Mundial da Juventude 2022, seja também um ponto de encontro, que parte da Igreja Católica, mas que nós queremos que inclua a sociedade e os nossos jovens, todos os que procuram de facto levantar-se, para não ficarem simplesmente a ser guiados pela história, mas a marcar e a fazer história, porque eles têm, de facto, um dinamismo que todos os jovens têm, tantas vezes de rebeldia, mas, muitas vezes de sonho, não só de dizer que isto não vale, mas, é sobretudo colher ideias, para saber o que é que vale, com o que é que a gente constrói o futuro.

Trazer sonhos novos para a humanidade

Que ideias-força transporta para os jovens nestas suas visitas?
“A ideia é precisamente essa – estar activo. A primeira ideia é esta – não deixar-se simplesmente ficar a ver a história, mas activamente tomar parte nelas. Trazer através do seu inconformismo e da sua capacidade de sonhar, trazer sonhos novos para a humanidade”.

Gente manipulada por muita gente. Isso é dramático.

Que percepção tem obtido destes encontros com a juventude no distrito?
“Olhe, é uma percepção de tudo, daquilo que há, de tantas coisas muito interessantes, de tantos jovens empenhados, e, também, a preocupação inevitável, por sobretudo ver – isso é o que mais me custa – ver gente desiludida com a vida, ou simplesmente fechada, adormecida, ou manipulada por muita gente. Isso é dramático.”

Caminhos para que eles possam ter voz

Isso significa que há um afastamento dos jovens da Igreja e na participação na vida activa do mundo?
“Isso é o que me preocupa. O mal é não perguntar, não lutar, e, ficar simplesmente adormecido, ou resignar-se àquilo que vai passando, ou, então desiludir-se simplesmente de tudo, a falta de participação dos jovens na politica, na discussão dos grandes temas, que foram desaparecendo da nossa sociedade, da nossa discussão, para ficar num imediatismo que não funciona.
Mas isso, é aquilo que há, não é uma inevitabilidade dos jovens, o que nós temos é que encontrar caminhos para que eles possam ter voz, para que todos, possam ser ouvidos, para que os jovens possam levantar-se. É aquilo que o Papa diz – levantem-se!

S.P.

16.01.2020 - 17:02

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