Conta Loios

entrevista

Grupos de Familiares Al-Anon no Distrito de Setúbal
Apoio a familiares e amigos de alcoólicos
. Uma doença da Familia

Grupos de Familiares Al-Anon no Distrito de Setúbal<br />
Apoio a familiares e amigos de alcoólicos<br />
. Uma doença da Familia . Na região de Setúbal há cerca de 50 pessoas acompanhadas pela Al-anon

Recebemos na redacção do jornal «Rostos» o «Antero» e a «Raquel» que integram os Grupos de Familiares Al-Anon, ambos com vivências dramáticas de familiares marcados pela doença do alccolismo, deram-nos a conhecer os Grupos Familiares Al-anon, uma porta para entender que o alcoolismo é “uma doença da Familia”.

Al-Anon é uma associação que procura ajudar familiares e de amigos de alcoólicos, partindo da percepação que o alcoolismo afecta para além dos próprios doentes, as suas familias e os amigos.

Existe estigma social

Antero, conversou com o jornal «Rostos», falou do seu drama, de situações que viveu com a sua esposa, as palavras saltavam nos seus olhos. Sentia-se que Antero falava com o coração- “nós queremos dar a conhecer associação”, porque há pessoas que vivem no silêncio este problema, com vergonha, porque existe estigma social.
As familias precisam de identificar o problema, precisam saber como lidar com estas situações, quer irmão, quer pais, quer amigos ou colegas do trabalho, porque todos vivem a situação e todos podem ajudar as pessoas afectadas por esta doença –“ é preciso estender a mão a quem precisa”, sublinha Antero.

Ajuda familiares e amigos de doentes alcoólicos.

A Al-Anon é uma associação mundial de homens e mulheres cujo objectivo é proporcionar programas de auto ajuda aos familiares e amigos de doentes alcoólicos.
A associação em Portugal conta com 17 grupos que prestam ajuda voluntária. Na área sul, no Distrito de Setúbal, funcionam grupos em Amora e Corroios ( Seixal), Na Baixa da Banheira ( Moita), no Barreiro, na Cova da Piedade e Feijó ( Almada), na Quinta do Conde ( Sesimbra) e Setúbal.

Alcoolismo é uma doença da familia

O alcoolismo é uma doença cujos sintomas se espelham em comportamentos. A familia, irmãos, pais, os maridos ou as mulheres, os amigos são os que sentem directamente os efeitos de proximidade dos comportamentos daqueles que sofrem a doença do alccolismo. O alcoolismo é uma doença da familia, refere Antero.
Recorda a sua experiência pessoal com a sua esposa, o amor que sentia por ela, mas que tudo se estava a perder pelos seus comportamentos dificeis.
O alcoólico não se prejudica apenas a si mesmo, afecta a familia, o equilibrio emocional, as relações de pais e filhos, de casais, de outros familiares e amigos – “é por isso que é importante reconhecer que o alcoolismo é uma doença da familia”.

Mudar por um amor firme

O primeiro passo para enfrentar a doença é reconhecer que somos afectados pelo comportamento do alcoólico, por situações de conflito, por momentos de tristeza e angústia.
Há familias afectadas pelo desemprego, por violência doméstica, depois esta é uma doença estigmatizante, conduz ao isolamento, a vergonha social e ao sofrimento.
Se eu amo uma pessoa, não posso separar a doença da pessoa que amo, perante os conflitos, tenho que sentir que faço parte do problema, sublinha Antero.
A familia não pode ter uma posição facilitadora, nem proteccionista para com o alcoólico, tem que mudar atitudes, mas essa, tem que ser uma mudança por amor – “mudar por um amor firme”, refere.

O alcoólico perde a noção de quem é

Raquel, recorda que apesar do apoio que recebeu nos grupos do Alcoólicos Anónimos, nunca tinha encontrado esta visão de colocar o alcoolismo como uma doença da Familia. Viveu este drama com o seu marido. Viveu este drama com o seu filho. Viu seu filho transformar-se num farrapo humano.
Foram as reuniões de familias, com outras familias proporcionadas pela AL- Anon que abriram o novo olhar para a forma de encarar a relação com os seus familiares, compreender que ajudar é sentir que também faz parte do problema e da solução.
O alcoólico perde a noção de quem é, porque o esquecimento faz parte da doença, refere Raquel.
Entender a doença do alcoolismo não é fácil, porque há uma realidade muito própria da pessoa que vive o alcoolismo, o alcoólico isola-se, pode passar uma semana a trabalhar e ao fim-de-semana bebe sem limites, mesmo às escondidas.
Raquel refere, com emoção, o contributo que a Al-anon, deu para as mudanças na sua vida, quer na relação com o seu esposo, quer na relação com o seu filho, foi a participação regular nos Grupos Familiares da Al -anon que trouxe paz à sua vida – “há uma grande diferença, ajudou-me a enfrentar a vida e perceber tudo o que alcoólico é capaz para se manter”, mesmo perdendo o emprego, - “faz tudo e perde a noção que quem é, porque esquece, o esquecimento é próprio da doença.”, sublinha Raquel.
Fica este registo. E se sente sózinho, ou sózinha a enfrentar situações de alcoolismo. Fale com alguém. Fica a porta aberta para a Al-anon.

Grupo Familiares AL- ANON
Rua D. Carlos I, 10-A, Laranjeiro´
2810 – 193~Almada
Al-anon.portugal@sapo.pt

Nota - Antero e Raquel são nomes ficticios. Por razões de preservar a privacidade familiar a opção foi o anonimato.

05.03.2020 - 20:00

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2020 Todos os direitos reservados.